Médicos Dentistas

Dentistas não conseguem usar máscara respiratória a longo prazo

OMD distribui máscaras FFP2 para médicos dentistas

Quatro em cada cinco dentistas não conseguem tolerar o uso de uma máscara respiratória FFP2 ou FFP3 a longo prazo, revela um novo inquérito realizado pela Associação Britânica de Medicina Dentária Privada (BAPD – British Association of Private Dentistry), citado pela publicação Dentistry UK.

A associação apela agora a alterações das exigências quanto ao uso de máscara respiratória na medicina dentária. Para tal, dirigiu uma carta aberta à Public Health England (PHE) sobre a utilização de EPI obrigatório, descrevendo-o como “excessivamente oneroso”.

Na carta, argumentam também que as atuais exigências, combinadas com problemas de acesso ao material, fazem com que várias clínicas sejam incapazes de oferecer tratamentos além dos básicos.

Num inquérito recente aos seus membros, apenas cerca de 8% relataram ser capazes de comunicar eficazmente com os pacientes quando usam o EPI completo, enquanto 65% dos inquiridos disseram ser incapazes de comunicar na mesma situação. Além disso, 45% disseram que não conseguem respirar eficazmente quando usam uma máscara apropriada e 80% disseram não tolerar o uso de máscaras FFP3 ou FFP2 a longo prazo (seis meses).

Atualmente, no Reino Unido, o procedimento operacional padrão estabelece que todos os membros da equipa dentária têm de usar uma máscara FFP3 ou equivalente, bata de fluido repelente, luvas e proteção dos olhos e rosto.

Cerca de 12% dos inquiridos consideraram que as provas científicas disponíveis justificam a utilização de máscaras FFP3/FFP2 para procedimentos geradores de aerossóis, enquanto 58% disseram que não se justifica a sua utilização.

O grupo salienta considera também que a covid-19 já não é classificada como uma doença infeciosa de alta consequência (HCID) pelo Comité Consultivo sobre Patogénicos Perigosos (ACDP) e, por isso, pede a alteração da “atual orientação de alto nível de EPI impraticável e desnecessária”.

“Consideramos que um requisito muito mais adequado e pragmático de EPI de base, tanto para procedimentos que gerem aerossóis como para procedimentos que não gerem aerossóis, é o uso de máscara cirúrgica resistente a fluidos, com viseira facial completa, luvas descartáveis não látex e batas clínicas laváveis de manga curta”, explicam na carta.