Saúde Oral

Dentistas americanos utilizam quase metade do mercúrio total do país para o fabrico de produtos

Amálgama é cada vez menos usada na Nova Zelândia

A amálgama dentária representou 46,8% do mercúrio elementar total utilizado para fabricar produtos nos Estados Unidos em 2018. Os dados foram revelados pelo relatório da Agência de Proteção do Ambiente (EPA) dos Estados Unidos.

Em 2018, terão sido utilizados 4 212 quilos de mercúrio em amálgamas dentárias no país.

“O que isto significa é que as obturações dentárias com mercúrio colocadas na boca das pessoas constituem a maior utilização da forma elementar desta substância tóxica”, comentou Jack Kall, presidente executivo do conselho de administração da Academia Internacional de Medicina Oral e Toxicologia (IAOMT), num comunicado de imprensa citado pelo Dental Tribune.

As restaurações dentárias tratam dentes com lesões provocadas por cáries e evitam que as bactérias avancem e infetem a estrutura interna do dente. Durante muito tempo, na medicina dentária, os preenchimentos restauradores eram realizados, na maioria, com amálgama de prata.

Este material era composto por uma liga de mercúrico com limalha de prata, estanho e cobre. Apesar da sua durabilidade e resistência, o mercúrio é um metal pesado e tóxico, motivo pelo qual tem vindo a ser substituído por restaurações em resina composta.

“O mercúrio foi banido de uma gama de outros produtos de consumo e um número crescente de países está a pôr termo à utilização de mercúrio no setor dentário. No entanto, continua a ser utilizado regularmente nos Estados Unidos e a maioria dos pacientes nem sequer sabe que as suas obturações cor de prata contêm este mercúrio”, explicou Kall.

O relatório da EPA concluiu que, em 2018, foram utilizadas, nos Estados Unidos, 244 939 quilos de mercúrio elementar e compostos de mercúrio; cerca de dez mil quilos foram utilizados para fabricar produtos que contêm mercúrio, como amálgamas dentárias, sensores e lâmpadas fluorescentes. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, a amálgama dentária é a maior fonte de exposição humana ao mercúrio.

Segundo o site da EPA, a U.S. Food and Drug Administration (FDA) considera que as restaurações de amálgamas dentárias são seguras para adultos e crianças com mais de seis anos de idade.

Desde a sua fundação em 1984, a IAOMT analisou a utilização de amálgamas dentárias e facultou informações sobre os riscos na saúde dos pacientes, dos profissionais de medicina dentária e do ambiente devido à sua utilização.

Um dos recursos que tornou públicos foi a Técnica de Remoção Segura de Amálgama de Mercúrio, um conjunto de recomendações que inclui informações sobre a libertação de mercúrio durante a remoção de restaurações de amálgama dentária.

Ao contrário dos EUA, a União Europeia já colocou em prática regulamentação de acordo com a Convenção Minamata, um tratado das Nações Unidas que visa proteger a saúde humana e o ambiente dos danos causados pelas emissões e compostos de mercúrio. O tratado reconhece a amálgama dentária como uma das principais utilizações do mercúrio em produtos.

A União Europeia alinhou a sua regulamentação pela convenção, proibindo, desde 2018, a utilização de amálgamas dentárias restauradoras em mulheres que amamentam (a menos que seja medicamente necessário) e em crianças com menos de 15 anos.

Em 2019, na 3.ª reunião da Conferência das Partes da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, que decorreu em Genebra, na Suíça, foi renovado o compromisso para a eliminação gradual de produtos que tenham este elemento na sua composição, tendo sido declarado que, até 2020, os produtos que não cumprissem os requisitos estipulados deixariam de ser legais.