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Médicos Dentistas

Dentista português cria associação para apoiar profissionais de saúde a exercer em França

Ocean é uma associação francesa com sede em Paris que presta apoio a estudantes e profissionais de saúde com diplomas europeus que exerçam ou pretendam exercer a sua prática clínica em França. O mentor do projeto é Mário Rodrigues, um médico dentista português que trabalha em Paris há 13 anos. Em entrevista à SAÚDE ORAL, fala das dificuldades dos colegas estrangeiros em ingressar em França e de que forma a associação pode ajudar a facilitar esse processo.

Filho de professores de português em França, Mário Rodrigues, cresceu neste País, tendo vivido a sua infância e adolescência em Paris. Mais tarde regressou a Portugal e foi cá que se formou em medicina dentária, em 1996. Exerceu a sua prática clínica no nosso País até 2009, ano que decidiu regressar à cidade parisiense. Atualmente é diretor de uma clínica multidisciplinar, Pôle Santé Saint Exupéry, que inclui diversas especialidades médicas, entre as quais a medicina dentária. Testemunhando as dificuldades com que os colegas se deparam em França, decidiu criar a associação Ocean, que neste momento conta com três gestores ao comando. A ideia é crescer e internacionalizar o projeto nomeadamente para países como a Espanha, Roménia, Grécia e Itália.

Além da população emigrante, sentiu também necessidade de dedicar a atuação da associação aos profissionais de saúde franceses. O que o levou a assumir esta posição?

A Ocean pretende fornecer informação sobre a realidade francesa aos profissionais de saúde que exerçam ou queiram exercer em França − não sendo apenas dirigida a emigrantes. Mais de metade dos profissionais de saúde que se inscrevem na Ordem em França realizaram a sua formação no estrangeiro. Os franceses estão a começar a formar-se no estrangeiro em grande parte por causa do numerus clausus das universidades que é reduzido. Os países a que recorrem são essencialmente a Espanha, Roménia, Portugal e Bélgica. Quem vem do estrangeiro para exercer aqui nem sempre tem conhecimento do que se passa cá. Em França existem diversas formas de exercícios possíveis e devidamente enquadradas. Daí alargar o espectro da atuação da associação também aos franceses.

“Esta associação pode ser um exemplo na área da saúde, ajudando também na internacionalização destes profissionais portugueses.”

Como descreve as mais-valias para os profissionais de dentária?

Os médicos dentistas liberais que representam 90% dos médicos dentistas em França, acabam por não ter uma grande rede de contactos, ao contrário dos centros dentários − que têm grandes grupos financeiros por trás − com maior força de marketing para recrutar. Muitos recrutam em Portugal e até diretamente nas faculdades em França. Assim, a Ocean pode ajudar na seleção desses centros dentários, permitindo conhecer as diferenças entre eles. Além disso, a Ocean pode permitir acesso a essa informação aos liberais de França que têm o consultório à venda ou que procuram alguém para colaborar. As pessoas que estão em Portugal também não têm esse conhecimento. As estatísticas mostram que ao fim de três ou quatro anos os profissionais tendem a abandonar os centros dentários e recorrem ao seu próprio consultório. Eu quando vim trabalhar para França não fui para um centro dentário, vim colaborar com um colega. Para um jovem médico dentista que vem trabalhar para França esta pode ser também uma solução. Pode-se tornar muito interessante até do ponto de vista de aprendizagem, não só do ponto de vista clínico, mas também de toda a burocracia e especificidade que representa o exercício “conventioné” em França.

“Quando vim trabalhar para França não fui para um centro dentário, vim colaborar com um colega. Para um jovem médico dentista que vem trabalhar para França esta pode ser também uma solução.”

Qual é a sua principal preocupação relativamente aos médicos dentistas portugueses a exercer em França?

Esta associação já foi pensada há algum tempo. Houve alguns recrutamentos que cativaram portugueses a virem trabalhar para França com condições menos boas, aproveitando-se da disponibilidade e falta de informação das pessoas. Em França ganha-se bem, mas pagam-se muitos impostos. Tudo tem de ser muito bem acautelado e é necessário que haja este esclarecimento. Cheguei a ver notícias cá sobre o exercício de dentistas portugueses e confesso que não gostei do que li. Esta associação pode ser um exemplo na área da saúde, ajudando e dando voz na internacionalização destes profissionais portugueses que têm qualidade.

Consulte o site aqui: https://oceansante.com/pt

Dar respostas e desmistificar burocracias

O objetivo do site da associação passa por dar respostas e ajudar a esclarecer os profissionais de saúde a exercer em França. A plataforma é multilingue e disponibiliza a informação burocrática que exige a vida laboral e pessoal em França, que inclui fiscalidade, formalidades administrativas para o exercício da profissão, armadilhas a evitar, e apoio na instalação no país. Permite ainda a publicação de ofertas e procura de emprego.

“Através do registo fica com acesso gratuito a informação relevante, para quem pretende realmente exercer em França, ficando a conhecer a realidade”, explica Mário Rodrigues.

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