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Opinião

Dedos – o nosso gadget mais usado está a evoluir!

Marketing digital saude oral como atingir target

Vítor Brás

Faças o que fizeres na vida ou no gabinete, sejas assistente, médico dentista ou até ortodontista (calma, só estou a brincar), estás dependente da capacidade dos teus dedos. Não é por acaso que vivemos na chamada Era Digital, que praticamos uma medicina dentária cada vez menos analógica e mais…Digital, etc. Os botões e teclas são cada vez mais escassos e são substituídos por ecrãs e tudo nos fica à distância de um toque. Pode parecer um tema já algo “batido”, mas na minha curiosidade dei por mim a pensar se a mão do dentista atual é diferente da mão do dentista dos anos 60 ou 70 que tinha uma vida totalmente offline.

 Num passado não muito distante os nossos telemóveis eram…telemóveis; agora são coaches, walkmans (nota para quem nasceu depois de 2000: o walkman era um calhau com auscultadores que era transportado no bolso para se ouvir música) afinadores de guitarra, calculadoras, computadores, monitores de ritmo cardíaco, cartão de débito, etc. Que os telemóveis vieram alterar o nosso quotidiano já é um lugar-comum, mas além do que nos faz ao cérebro, o que está a fazer aos nossos gadgets mais usados, os dedos?

Os estudos mostram que existe de facto uma alteração na ligação entre o nosso sistema nervoso central e os nossos dedos, dependente da quantidade de horas que passamos a utilizar aquele retângulo brilhante. As diferenças foram mais notórias quando os ecrãs evoluíram de capacitativos (aqueles que quando não reconheciam o toque íamos lá com a unha) para sensitivos (que sentem que é um dedo, ou seja, o pesadelo das luvas no inverno).

A nossa navegação na Internet é agora feita maioritariamente num smartphone e a Neurociência mostra que os utilizadores destes dispositivos apresentam mais processos de pensamento experiencial em comparação aos resistentes que navegam mais num desktop que mostram uma tendência de pensamento mais racional, traduzindo por miúdos, os primeiros terão mais tendência a não resistir àquela roupa da Shein.

Mas mais que o pensamento em si, a nossa mão está a mudar. O principal dedo que comanda a pressão e a funcionalidade da mão é o polegar e é este dedo que mais tem sofrido evolução. Hoje temos no geral a mesma destreza de um músico profissional, tais são as maratonas de scroll nas redes. Uma criança atual tem um polegar mais eficiente que o mesmo dedo na minha geração dos anos 90; eu brincava com o Action Man agora as brincadeiras são apps.

 Mas nem o nosso pequeno mindinho escapa, já ouviu falar do Smartphone Pinkie? É uma alteração morfológica do mindinho por tanto apoiar a base do smartphone que fica com uma marca própria, quase como quem nunca tira a prótese…

Escusado será dizer que o uso excessivo produz patologias próprias e até já se começa a falar na medicina da “Tendinite de iPhone” que produz dor crónica na mão.

Para não acabar com más notícias reservei o melhor para o fim, a nível sensitivo poderemos sim ter vantagem em relação aos colegas do passado, é que em termos de precisão estamos cada vez mais precisos na sensibilidade dos dedos, atualmente a média é o reconhecimento de 0,4mm (ou uma lima de k40) e a tendência será ainda diminuir um pouco mais.

Por tudo isto posso afirmar que sim, a mão do dentista de hoje é diferente dos colegas dos anos 60 ou 70. Temos tendinites pelo uso do smartphone, dedos mindinhos deformados, polegares hipertrofiados e no geral somos mais sensíveis na mão… Enfim o que importa é ser feliz, não é? E se conseguiu ler tudo isto até aqui sem nunca consultar as notificações ou gostou deste artigo ou então é mesmo uma exceção da regra.

*Médico dentista e investigador de neuromarketing em medicina dentária

**Artigo de opinião publicado na edição 147, novembro-dezembro, da Saúde Oral

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