Saúde Oral

Covid-19: Instituto Português da Face implementa testes rápidos antes de cirurgias

Covid-19: Instituto Português da Face implementa testes rápidos antes de cirurgias
As primeiras cirurgias previstas na sequência da realização destes testes decorrem hoje, dia 20 de maio, tendo os primeiros testes sido realizados no dia 6 deste mês.

O Instituto Português da Face implementou testes rápidos SARS-CoV-2, em apenas 15 minutos, para a deteção de anticorpos do novo coronavírus em pacientes com cirurgias agendadas.

David Ângelo, cofundador do Instituto Português da Face e especialista nas áreas de dor orofacial e disfunção temporomandibular, explicou à SAÚDE ORAL que o principal objetivo foi “abrir a clínica com elevados padrões de segurança”.

Assim, para as consultas normais, é realizado um questionário ao doente via telefone, no qual é feita uma “pré-triagem de alguns sintomas que são sugestivos da pessoa ser um doente de risco covid-19”.

Se o doente não tiver nenhuma questão positiva no questionário, pode ser marcada a consulta. Quando chega ao edifício do Instituto, é feito um novo questionário de validação e é avaliada a temperatura do doente.

“Se o doente tiver o questionário negativo e tiver uma temperatura inferior a 38º, então o doente está ‘OK’ para ir à consulta. É-lhe dado então um kit com uma bata, máscara, proteção de pés e touca. O cliente desinfeta as mãos e, então, entra dentro da clínica”, explica David Ângelo.

Na clínica é feita nova verificação. A enfermeira vai novamente medir a temperatura do doente e realiza-se a consulta, na qual os profissionais de saúde estão equipados com as máscaras adequadas (máscaras cirúrgicas com a norma EN 14683 e máscaras FFP2) e restantes EPI recomendados pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

“Depois, se este doente tiver uma indicação para uma intervenção cirúrgica, nós temos um protocolo de segurança interno, que adaptámos nós próprios, porque mesmo a DGS ainda não tem uma regulamentação rígida para estes casos. O que é que fazemos? O doente faz dois destes testes rápidos para SARS-CoV-2”, explica.

Os “testes rápidos” são testes sanguíneos efetuados ao paciente, para os quais são retiradas “duas gotas de sangue, como se estivéssemos a fazer um teste de glicémia capilar”.

O procedimento é simples: “O kit é aberto no momento, depois picamos a ponta do dedo, colocamos a ponta do dedo no kit e aguardamos cerca de 15 minutos. Entretanto, o teste vai-nos dizer se o doente é negativo ou se tem anticorpos para o SARS-CoV-2.”

O teste identifica anticorpos IgG ou IgM. Se o paciente tiver anticorpos IgM, é sugestivo de uma infeção ativa e, nesse caso, o profissional explica que há motivos para alarme: “É preocupante porque é um doente que está em risco de infetar a população, doentes e a equipa do Instituto.” Por outro lado, se o paciente for positivo para IgG, é muito sugestivo de “um doente que já teve infeção e que neste momento apresenta imunidade”.

De acordo com David Ângelo, o teste tem uma sensibilidade em relação à IgG de 100%, uma especificidade de 98,89% e uma precisão de 91,17%. Em relação às IgM, tem uma sensibilidade mais baixa, de 90%, uma especificidade de 97,78% e uma precisão de 95,83%.

Testes positivos

O protocolo interno do Instituto Português da Face determina que, caso algum destes doentes teste positivo, é “preciso confirmar com um teste PCR, que acaba por ser o teste gold standard na deteção da SARS-CoV-2”.

Para estes casos, o Instituto tem uma sala própria: “É uma sala de isolamento, onde o doente faz este teste. Se se der o caso de o doente testar positivo, nós temos um protocolo em que ativamos o plano de contingência. O doente é isolado. A sala é isolada, etc. Contactamos a Saúde 24 e o doente será encaminhado então para uma instituição de referência para fazer o teste de confirmação PCR, para validar se sim ou se não.”

Se o teste der negativo, o paciente assina um compromisso em como vai ficar em isolamento durante os 15 dias seguintes, na medida do possível. Depois, dois dias antes da intervenção, volta para repetir o teste. Se for outra vez negativo, segue para a intervenção.

As primeiras cirurgias previstas na sequência da realização destes testes decorrem hoje, dia 20 de maio, tendo os primeiros testes sido realizados no dia 6 deste mês.

O processo de certificação por parte do Infarmed e do Instituto Ricardo Jorge para assegurar o selo de Certificação CE a estes kits está em processo, mas, segundo o especialista na área de dor orofacial e disfunção temporomandibular, este processo “é lento”. Contudo, a garantia é assegurada “através de alguns colegas que o estão a usar na Alemanha, onde já foi validado”.

“Estamos a apoiar-nos e a suportarmo-nos nessa experiência dos colegas alemães, que já usaram este teste e que continuam a usar o mesmo com rotina no seu dia a dia. Por isso, estamos a optar por este fornecedor que já tem resultados demonstrados a nível europeu”, reitera David Ângelo.

Sobre a margem de erro nos testes, o profissional assegura que o “conjunto de elementos [procedimentos e triagem que realizam] contribuem efetivamente para que haja segurança” e diluem “esse 1% para uma maior segurança”.

David Ângelo alerta ainda que mesmo os testes PCR podem apresentar falsos negativos e que “nenhum teste é perfeito”, nem o que utilizam, “este também com as suas limitações”. É por este motivo que precaveram a situação com “questionários, com uma avaliação clínica rigorosa e com o compromisso de o doente estar em isolamento”, sendo este teste ideal para screening de doentes assintomáticos. Todos estes procedimentos aumentam a segurança de “ir para o bloco operatório, sem abdicar de qualquer tipo de sistema de segurança intraoperatório, com todos os cuidados”, conclui.