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Saúde Oral

Covid-19: Doença da gengiva ligada a complicações graves

Periodontite pode mesmo aumentar o risco de doenças cardiovasculares

O papel dos profissionais de medicina dentária no que diz respeito ao coronavírus SARS-CoV-2 continua a ser referido em investigações.

De acordo com a investigação conduzida pelo cirurgião oral Shervin Molayem e publicada no Jornal da Associação Dentária da Califórnia, a periodontite pode aumentar os níveis de IL-6 (uma interleucina que pode conduzir a infeção), quer local quer sistemicamente. Da mesma forma, o tratamento periodontal tem efeitos positivos na inflamação sistémica. Este é mais um estudo que destaca que a importância da higiene oral e da saúde periodontal não deve ser subestimada.

A pesquisa reitera que a defesa contra a inflamação de doenças gengivais pode potencialmente proteger os pacientes infetados contra complicações respiratórias.

O novo estudo The Mouth-COVID Connection: Il-6 Levels in Periodontal Disease — Potential Role in COVID-19-Related Respiratory Complications liga a doença gengival à covid-19, sugerindo que o vírus é mais grave na presença de inflamação causada pela doença gengival. As bactérias nas gengivas percorrem através do corpo e espalham a proteína IL-6, causando uma inflamação que pode ser prejudicial. Níveis elevados de IL-6 são um preditor de insuficiência respiratória, representando um risco 22 vezes maior de complicações respiratórias.

Os investigadores estão a apelar à realização de um rastreio e tratamento periodontal mais eficiente, por forma a ajudar a combater a propagação do vírus.

De acordo com o estudo, considerando o potencial impacto da má higiene oral e periodontite nas infeções respiratórias e na covid-19, as intervenções dentárias são importantes para reduzir a carga de bactérias orais e potencialmente diminuir a inflamação sistémica.

Além disso, a periodontite é um risco para outras condições de saúde, como doenças cardiovasculares e diabetes, que também estão ligados a uma taxa de mortalidade mais elevada em caso de infeção por coronavírus.

A placa bacteriana pode albergar patógenos respiratórios e periodontais, que podem atingir a circulação sistémica e invadir as células hospedeiras.

“Manter a carga de bactérias orais tão baixa quanto possível pode reduzir o risco de aspiração para o trato respiratório”, destaca o cirurgião oral Shervin Molayem.

“Além disso, os pacientes devem ser encorajados a escovar os dentes duas vezes por dia durante um mínimo de dois minutos com pasta de dentes fluoretada e a efetuar uma limpeza interproximal.”

Molayem alerta também que “as bactérias orais podem afetar a função dos pulmões, aumentando o risco de pneumonia e de potenciais complicações pulmonares relacionadas com a covid”.