Quantcast
Médicos dentistas

Covid-19: 91% dos médicos dentistas em Portugal recorreram a apoio económico

Reino Unido tem falta de dentistas

Noventa e um por cento dos médicos dentistas em Portugal recorreram a apoios económicos durante a crise de covid-19. Destes, 70% utilizaram o mecanismo de lay-off, e 85% admitem mudar significativamente a organização da sua clínica dentária após a reabertura. Estas foram algumas das conclusões do Primeiro Barómetro Europeu sobre os médicos dentistas e a covid-19, realizado em abril, com a colaboração da Dentaleader, uma empresa de distribuição do setor dentário presente em Portugal.

O objetivo do barómetro é identificar as reações dos profissionais de medicina dentária à situação atual e averiguar como esperam retomar a sua atividade e relação com os pacientes. Para tal, foram analisadas mais de 5 700 respostas de médicos dentistas em Portugal, Espanha, França, Itália e Bélgica.

O inquérito, o primeiro do género no âmbito europeu, resultou da colaboração de diferentes sociedades do grupo de distribuição Stemmer, um dos maiores grupos do setor dentário na Europa, do qual faz parte a Dentaleader.

Os dados mostram a severidade da pandemia no setor: cerca de 91% dos dentistas portugueses declararam ter utilizado pelo menos um apoio económico durante a crise sanitária e, destes, 70% recorreram a medidas de lay-off, em comparação com 55% na Europa. Além disso, 30% solicitaram o adiamento de empréstimos bancários, afirmou a diretora-geral da DVD Dental, parte do grupo Stemmer em Espanha, Nelly Perrin.

Em Portugal, apenas metade das clínicas dentárias permaneceram abertas para tratar de urgências dentárias e a grande maioria declarou ter falta de todos ou de parte dos equipamentos de proteção individual necessários para a sua atividade.

No inquérito, realizado entre 20 e 27 de abril, 85,1% dos médicos dentistas portugueses afirmaram que os EPI estão no centro das preocupações dos médicos dentistas para a reabertura das clínicas dentárias. Os motivos pelos quais os dentistas portugueses decidiram fechar o seu consultório devem-se, em primeiro lugar, às indicações dadas pelo Governo (74,5%), seguindo-se a segurança pessoal e da sua equipa (48,1%). Além disso, 43,3% responderam que já não tinham EPI suficientes.

Mais de metade dos profissionais inquiridos (55%) também acredita que a covid-19 vai mudar permanentemente a organização da sua clínica dentária. “Por isso, planeiam investir em equipamentos sanitários e de higiene (67% versus a média europeia de 58%)”, afirma Perrin. Quando questionados pela redução permanente da sua atividade,  68% afirmam que esta não será reduzida a longo prazo.

Em Portugal e na Europa, a maioria dos dentistas afirma que vai mudar os seus hábitos relativamente à higiene e proteção em resultado da pandemia. A quase totalidade dos profissionais, 99%, vai limitar as consultas, bem como o número de pacientes na sala de espera. Porém, apenas 57,5% dos dentistas, relativamente a 77,8% da média europeia, prevê esterilizar os instrumentos rotatórios (turbinas, contra-ângulos) entre cada paciente.