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Conferências Saúde Oral: Restaurar a confiança rumo ao futuro

Já não existem dúvidas sobre o quanto todos os setores mudaram em 2020 como consequência da pandemia de covid-19. A medicina dentária não foi exceção. Foi preciso uma nova adaptação e criar outras formas de atender os pacientes. Para discutir temas como a comunicação com o cliente do futuro, como desenhar as equipas e como avaliar o impacto e recuperar a confiança dos pacientes nesta nova era de incerteza, a primeira tarde das Conferências Saúde Oral contou com a participação de vários oradores e de uma audiência composta por cerca de 50 profissionais.

Vítor Brás, médico dentista e investigador de neuromarketing referiu que o cliente do futuro é o cliente do agora. “É online e sustentável”, referiu. Com a pandemia, as pessoas passam mais tempo online e o paciente “do agora” quer serviços mais personalizados. “Precisamos de ter uma clínica mobile friendly”, disse. E o futuro? O futuro “é verde”. O orador deu alguns exemplos de práticas sustentáveis que segue na sua clínica, como a reciclagem de resíduos, a conversão digital para evitar o papel, a oferta de pontos de reciclagem de escovas, escovilhões e a divulgação dessas atitudes nas redes sociais “porque os consumidores valorizam cada vez mais a economia sustentável.

“Precisamos de ter uma clínica mobile friendly” – Vítor Brás, médico dentista

Na segunda apresentação da tarde, Daniel Ferreira, diretor clínico do Centro Clínico Digital do Hospital da Luz (CCDHL) do grupo Luz Saúde explicou de que forma é que este projeto muito ligado à telemedicina e à realização de videoconsultas à distância tem vindo a evoluir, como foi acelerado e adaptado devido à pandemia. “A maior parte das vezes, os doentes estão fora dos hospitais e é para aí que a medicina está a caminhar. Nesse sentido, foi necessário mudar um pouco o mindset para pensar que a telemedicina deveria facilitar a vida aos nossos doentes”, afirmou.

“Foi necessário mudar um pouco o mindset para pensar que a telemedicina deveria facilitar a vida aos nossos doentes” – Daniel Ferreira, diretor clínico do Centro Clínico Digital do Hospital da Luz

Baseado na relação do médico – paciente através de videochamada – e não por intermédio de consultas telefónicas – as instalações dedicadas a este projeto cresceram devido à Covid-19. E assim, começaram a ser desenhadas as equipas para um futuro que chegou mais depressa do que seria expectável. “Tudo mudou e mais rapidamente”, explicou Daniel Ferreira. O interesse dos próprios profissionais de saúde que “até já tinham ouvido falar neste projeto” aumentou consideravelmente como resposta às necessidades de muitos doentes que começaram a evitar consultas presenciais com medo de serem infetados pelo vírus SARS-CoV-2. “A formação dos profissionais explodiu e temos hoje várias centenas de médicos a fazer videoconsultas.” Todo o funcionamento deste CCDHL tem sido desenhado a pensar no conforto e na acessibilidade dos doentes denotando-se um maior envolvimento dos utilizadores que perceberam as vantagens de aceder a videochamadas. E nem a idade é um impedimento. “Na semana passada, fiz uma videoconsulta a um doente com 97 anos”, salientou o orador.

Um setor resiliente

A primeira tarde da web conference terminou com uma mesa redonda em que se debateram questões como as medidas de algumas clínicas para “recuperar o tempo perdido” e para voltar a ter a confiança dos clientes e a motivação das equipas a trabalhar numa nova normalidade que é muito pouco fácil de gerir. Nuno Quaresma, diretor clínico da Nuno Quaresma Clínica Dentária e doutorando em Administração de Saúde e Miguel Stanley, médico dentista e diretor clínico da White Clinic partilharam com a audiência, alguns investimentos e alterações essenciais aos novos tempos, como por exemplo, a rotatividade entre equipas para que não se cruzem e para que o negócio não venha a ficar em risco, horários mais ampliados e maior espaço entre consultas, entre outros. “Os dentistas sempre tiveram cuidado com os EPI’s e implementámos algumas camadas extra em termos de proteção em relação ao que tínhamos. Temos mais regras na entrada de novos pacientes e criámos dez passos para combater a Covid-19”, referiu Miguel Stanley que sublinhou que esta não é a primeira crise com que se debate e que “todos estes momentos também são bons para crescer, investir e focar no essencial, tendo sempre em consideração, a resiliência e a promoção da saúde mental das equipas”.

Miguel Stanley referiu a promoção da saúde mental das equipas como uma prioridade e destacou que os momentos de crise “também são bons para crescer, investir e focar no essencial”.

Nuno Quaresma explicou a decisão solitária que teve de tomar, de fechar as duas clínicas antes da obrigatoriedade imposta pelo governo e da alteração do regulamento interno a 14 de maio com novas medidas que se têm mantido inalteráveis até hoje. Descreveu a fadiga dos momentos presentes e destacou “o enorme orgulho na equipa” que lidera e a esperança de que os profissionais de saúde oral estejam na primeira linha de prioridades na vacinação contra a Covid-19 já no começo de 2021. Apesar de não conseguir antecipar o futuro, falou em tendências possíveis assentes na enorme transformação digital a que temos assistido e em confiança. O médico apontou “o próximo ano como um desafio para melhoria do impacto económico desta pandemia e a necessidade de repensar o negócio e as parcerias firmadas”.

O ano de 2021 é visto “como um desafio para melhoria do impacto económico desta pandemia e a necessidade de repensar o negócio e as parcerias firmadas”, sublinhou o médico dentista Nuno Quaresma.

Gonçalo Assis, médico dentista e representante da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) destacou a enorme capacidade de adaptação deste setor mas lamentou o pouco apoio do Estado às melhores práticas de saúde oral. “Depois deste contexto extremamente adverso, tivemos um período em que os médicos dentistas (e 50% são donos de clínicas dentárias) procuraram os seus apoios que passaram pelo lay-off dos próprios funcionários e não propriamente dos sócios gerentes”, defendeu. O representante da OMD salientou que foi feito um inquérito pela Ordem onde se percebeu que “50% das clínicas despediram ou reduziram o rendimento dos seus funcionários sendo que os sócios gerentes não auferiram qualquer vencimento”. Como desafio que a classe tem pela frente, destacou a urgência em mudar “o ecossistema da medicina dentária em Portugal”.

Gonçalo Assis, médico dentista e representante da Ordem dos Médicos Dentistas referiu que neste ano, fruto da pandemia, “50% das clínicas despediram ou reduziram o rendimento dos seus funcionários sendo que os sócios gerentes não auferiram qualquer vencimento”.

A aposta do marketing deve ter em consideração os receios dos clientes em regressar aos seus tratamentos dentários e que a tendência em apostar em ferramentas que ajudem a demonstrar as boas práticas das clínicas dentárias irá crescer ainda mais. “Muitos médicos sentiram a necessidade de voltar a fazer um trabalho de recuperação de confiança dos pacientes. Se os clientes não percecionarem que a clínica é um lugar seguro a frequentar, vão ter maior relutância em marcar uma consulta”, referiu Ricardo Mesquita, da Cliwise – Medical Technologies. A empresa acabou por ir de encontro às novas necessidades das clínicas dentárias que têm maior urgência em estar no digital de forma permanente, facilitando até formas de pagamento que vão de encontro ao menor cash-flow que as mesmas enfrentam.

“Se os clientes não percecionarem que a clínica é um lugar seguro a frequentar, vão ter maior relutância em marcar uma consulta” – Ricardo Mesquita, Cliwise – Medical Technologies

*Não perca a reportagem alargada das Conferências Saúde Oral na próxima edição da revista.

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