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Médicos dentistas

Como vai ser a implantologia em 2030?

Em 2030, os especialistas acreditam que os implantes serão livres de complicações durante 20 a 40 anos e que o diagnóstico digital vai substituir os procedimentos standards. Estas são algumas das conclusões do Delphi Study – Horizon 2030, que tem como objetivo prever tendências.

A SAÚDE ORAL apresenta-lhe as principais conclusões do estudo que tem como finalidade a previsão de tendências futuras na área da implantologia, mais precisamente para o ano de 2030, na Europa. No Delphi Study – Horizon 2030: Identifying and predicting future trends implant dentistry in Europe, da European Association for Osseointegration (EAO), foi utilizada a metodologia Delphi, que incorpora a opinião de experts para alcançar consensos. Um consenso elevado é atingido a partir dos 86%, o consenso moderado entre os 65% e os 85%, e, abaixo dos 65%, considera-se não haver consenso.

O estudo contou com a participação de 138 especialistas (34 nórdicos, 36 bismarckians, 23 britânicos, 29 da Europa do Sul e 16 da Europa Oriental).

A demanda de implantes

Os especialistas chegaram a um consenso moderado (69%) em como a procura por tratamentos com implantes, no geral, vai crescer. Sendo sobretudo a demanda por implantes unitários a aumentar, uma ideia que atingiu um consenso elevado (94%).

Pelo contrário, não se conseguiu chegar a acordo no que toca ao futuro do tratamento de desdentados totais com próteses fixas, sendo a resposta mais comum (50%) que vai diminuir; nem se chegou a consenso nos casos de tratamento, também de desdentados totais, com overdentures (sobredentadura ou dentadura sobre implantes), tendo havido um empate entre a sua diminuição e o seu aumento, pois as duas possibilidades alcançaram 40,5%.

No que toca ao tratamento ainda de desdentados totais, mas com um menor número de implantes, os especialistas continuaram sem chegar a um acordo, tendo sido a resposta mais comum (58%) que a sua procura vai aumentar.

O tipo de implantes

Neste campo, a ideia que reuniu um consenso elevado (86%) é que as conexões internas entre os implantes e os pilares serão privilegiadas.

Já no que toca ao design dos implantes, apenas se alcançou um consenso moderado (69%) em como serão usados implantes cilíndricos e cónicos.

Não se chegou, contudo, a acordo quanto ao comprimento dos implantes, visto que as opiniões se dividiram entre similar aos atuais (50%) e mais pequenos (50%). Quanto ao diâmetro, mais uma vez as opiniões dividiram-se entre a semelhança aos usados hoje em dia (63,5%) e mais estreitos (36,6%).

Quanto ao material, os experts acreditam, tendo chegado a um consenso moderado (69%), que continuarão a ser utilizados o titânio e a cerâmica; e as superfícies bioativas serão usadas (consenso moderado – 85%) nas superfícies.

Pensa-se ainda que o design dos pilares será customizado, uma ideia que atingiu um consenso moderado (65%).

Procedimentos diagnósticos

Parece ser uma certeza (consenso elevado – 88%) de que o diagnóstico digital vai substituir os procedimentos standards e que as impressões digitais vão transformar-se num procedimento standard. Esta última ideia, contudo, só reuniu um consenso moderado (83%).

Também uma unanimidade moderada (81%) reuniu a ideia de que se vai preferir o 3D CBCT ao nível do diagnóstico pré-cirúrgico.

Já a utilização de radiografias periapicais, para avaliar a estabilidade óssea, não reuniu consenso, sendo que 63% dos especialistas acreditam que novos métodos de diagnóstico irão provavelmente surgir.

Quanto ao diagnóstico da saúde peri-implantar através do uso de biomarcadores, os experts acreditam (consenso moderado – 67%) que vai aumentar, devido à sua sensibilidade.

Protocolos cirúrgicos

Provavelmente, em 2030, a colocação de implantes será sobretudo parcialmente guiada através de moldes cirúrgicos (consenso moderado – 84%). E a navegação dinâmica será utilizada apenas em casos selecionados (73%), bem como as cirurgias sem abertura de retalho (73%).

Não reuniu, contudo, consenso, a colocação imediata de implantes, tendo as opiniões dividido-se entre a possibilidade de ir aumentar (61%) ou a sua colocação continuar similar à atual (31%).

Já a colocação de implantes com regeneração óssea simultânea será mais frequente, segundo os especialistas (consenso moderado – 69%), bem como a colocação de implantes com a reconstrução dos tecidos moles em simultâneo (consenso elevado – 86,5%). Porém, adiar a colocação de implantes após a regeneração óssea irá provavelmente ser, como demonstrou a opinião dos experts, semelhante à atual (consenso moderado – 73%).

Os especialistas preveem ainda, apesar do consenso ser moderado (65%), que o uso de implantes zigomáticos será menos frequente e creem que, no que diz respeito ao futuro das tecnologias regenerativas, serão utilizados biomateriais e biológicos.

Protocolos restaurativos

Os inquiridos antecipam que os protocolos de carga imediata serão mais frequentes, apesar do consenso ser moderado (65%).

No entanto, obteve-se um consenso elevado (87%) em como as próteses serão aparafusadas (em vez de cimentadas) e em como as impressões serão digitais (90%).

O framework será predominantemente 3D printing (consenso moderado – 83%) e os materiais serão híbridos (cerâmica-compósito). Uma ideia que reuniu um consenso elevado (87%).

Por fim, no que toca à longevidade dos implantes, os especialistas antecipam que serão livres de complicações durante 20 a 40 anos (consenso moderado – 81%).

Doença peri-implantar

A prevalência da peri-implantite, de acordo com o grupo de especialistas, vai aumentar (consenso moderado – 75%). Não obstante, acredita-se (consenso elevado – 86%) que o tratamento vai ser feito com base em técnicas cirúrgicas e não cirúrgicas.

No âmbito do tratamento cirúrgico, especificamente, serão utilizadas abordagens ressetivas e regenerativas. Uma ideia que reuniu um consenso moderado (84%). Já um consenso elevado (92%) alcançou a ideia de que o tratamento não cirúrgico da peri-implantite vai combinar estratégias mecânicas e farmacológicas.

Acredita-se ainda, ideia que reuniu um consenso moderado (85%), que a intervenção preventiva na doença peri-implantar será mais efetiva. E que na sua prevenção e tratamento a higiene será a medida mais efetiva (consenso moderado – 73%).

Prática profissional

Quem vai realizar as cirurgias de implantes, segundo os experts, serão os médicos dentistas generalistas e os especialistas (consenso moderado – 71%), assim como serão estes profissionais a produzir próteses de implantes (consenso moderado – 75%).

Não se conseguiu chegar, no entanto, a um acordo quanto à necessidade de haver mais especialistas a fazer tratamento com implantes, sendo que as opiniões dividem-se entre a uma quantidade similar (37%) à atual e a necessidade de haver mais profissionais destes (48%).

No respeitante ao tempo alocado aos tratamentos com implantes, os especialistas anteveem que será preciso mais tempo quando comparado com o tempo gasto na prática geral (consenso moderado – 73%).

Ao nível do retorno económico dos implantes, também não se obteve consenso, pois parte dos especialistas (50%) acredita que vai aumentar e outra parte (38%) prevê que se mantenha semelhante ao atual.

No entanto, antecipam que o custo dos implantes para os profissionais vai diminuir (consenso moderado – 79%), assim como o custo das próteses (consenso moderado – 85%). Para os pacientes, espera-se que o custo do tratamento também diminua. Uma ideia que obteve um consenso elevado (86%).

Educação e treino

Os especialistas acreditam (consenso moderado – 77%) que a educação universitária em implantologia contemplará cursos graduados e pós-graduados e que a formação pós-graduada acontecerá sobretudo nas universidades, algo que obteve um consenso (moderado) de 67%.

Quanto à metodologia dos cursos de pós-graduação, acredita-se que será on-site e online (consenso elevado – 92%).

Estudo Delphi

Estas são as tendências mais consensuais entre os profissionais inquiridos:

Implantes

Procura por implantes unitários vai aumentar

94%

Conexões internas entre implantes e pilares serão privilegiadas

86%

Digital

Diagnóstico digital vai substituir os procedimentos analógicos

88%

Protocolos cirúrgicos

Colocação de implantes em simultâneo com a reconstrução dos tecidos moles 86,5%

Peri-implantite

Tratamento não cirúrgico da peri-implantite vai combinar estratégias mecânicas e farmacológicas

92%

Ensino

Cursos de pós-graduação serão lecionados online e on-site

92%

 

*Artigo publicado originalmente na edição de janeiro-fevereiro de 2020 da revista SAÚDE ORAL.