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Saúde Oral

Como utilizar a ventilação e filtragem do ar para evitar a propagação do coronavírus

A maioria dos casos de transmissão do vírus SARS-CoV-2 ocorre dentro de casa, devido à inalação de aerossóis (partículas em suspensão) que “contêm” o coronavírus. Com base nesta informação, Shelly Miller, professora de engenharia mecânica na Universidade de Colorado Boulder, nos EUA, publicou no The Conversation um artigo no qual explica de que maneira a ventilação e a filtragem do ar podem ajudar a impedir a propagação do vírus em ambientes fechados. O seu trabalho passa por analisar de que forma se pode controlar a transmissão de doenças infeciosas transportadas pelo ar dentro de casa e como tornar os espaços interiores seguros durante a pandemia.

De acordo com a publicação, 40% dos casos de covid-19 são assintomáticos, o que torna difícil o isolamento de pessoas infetadas, uma vez que as assintomáticas podem também transmitir o coronavírus.

As máscaras ajudam a impedir a propagação do vírus para o ambiente, mas se uma pessoa infetada estiver dentro de um edifício o vírus poderá circular no ar. A Organização Mundial de Saúde (OMS), bem como os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, referem que uma ventilação deficiente aumenta o risco de transmissão do coronavírus.

Quando o vírus circula no ar, dentro de um edifício, há duas opções: trazer ar fresco do exterior ou remover o vírus do ar dentro do edifício.

Quanto mais ar fresco exterior melhor

Para Miller, o ar da sala deve ser substituído por ar fresco, do exterior, pelo menos seis vezes por hora, se houver poucas pessoas no interior. Assim, o espaço interior mais seguro é aquele que tem constantemente muito ar exterior a substituir o ar ‘viciado’ no interior.

No caso dos edifícios comerciais, o ar exterior é, por norma, bombeado através de sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado. Nas casas, o ar exterior entra através de janelas e portas abertas.

Quanto mais ar fresco exterior dentro de um edifício, melhor. Porquê? A entrada e ar fresco dilui qualquer contaminante num edifício, seja um vírus ou outra coisa qualquer, reduzindo a exposição de qualquer pessoa no interior.

Os engenheiros ambientais quantificam a quantidade de ar exterior que entra num edifício através de uma medida chamada “taxa de troca de ar”, que quantifica o número de vezes que o ar no interior de um edifício é renovado por ar do exterior numa hora.

A taxa exata depende do número de pessoas no interior e do tamanho da sala, contudo, a maioria dos especialistas considera que, em situações normais, cerca de seis renovações de ar por hora são boas para uma sala de três por três metros, com três a quatro pessoas no seu interior.

Em situações de pandemia, deveria ser mais elevado. De acordo com um estudo de 2016, uma taxa de câmbio de nove vezes por hora reduziu a propagação da SARS, MERS e H1N1 num hospital de Hong Kong.

Apesar disso, são muitos os edifícios que não realizam esta renovação de ar recomendada.

Para poder renovar o ar dos edifícios, é necessário manter as janelas e portas abertas. Além disso, colocar um ventilador numa janela a “soprar” para fora também pode aumentar muito o processo de renovação de ar.

Em edifícios que não têm janelas, o sistema de ventilação mecânica pode ser alterado por forma a aumentar a quantidade de ar que está a circular. Em qualquer divisão, quanto mais pessoas no interior, mais rapidamente o ar deve ser substituído.

Como se pode medir a circulação do ar?

A circulação do ar poe ser estimada através de um medidor dos níveis de dióxido de carbono, apesar de ser um número bastante difícil de calcular.

Cada vez que expiramos, libertamos CO2 no ar. Tendo em consideração que o coronavírus se propaga com maior frequência através da respiração, tosse ou fala, os níveis de CO2 permitem verificar se o quarto tem um elevado número de exalações, que são potencialmente infeciosas. Assim, o nível de CO2 permite estimar se está a entrar ar fresco suficiente.

Em zonas exteriores, os níveis de CO2 estão um pouco acima de 400 partes por milhão (ppm) e uma sala bem ventilada terá cerca de 800 ppm de CO2. Qualquer valor superior a isso é um sinal de que a sala poderá necessitar de mais ventilação.

Uma vez que o coronavírus se propaga pelo ar, níveis mais elevados de CO2 numa sala representam uma maior probabilidade de transmissão.

Miller recomenda que, em espaços fechados, os níveis de CO2 sejam mantidos abaixo dos 600 ppm.

Limpeza de ar

Se estiver numa sala que não consegue obter ar exterior suficiente para renovação e diluição, deve ser considerado um purificador de ar. Estas máquinas removem as partículas do ar, geralmente utilizando um filtro feito de fibras específicas, e podem capturar partículas contendo bactérias e vírus e podem ajudar a reduzir a transmissão de doenças.

De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, os purificadores de ar podem ajudar a neutralizar o coronavírus, através da captação de partículas.

Como nem todos os filtros são iguais, é necessário ter alguns pontos em consideração. Em primeiro lugar, é necessário verificar quão eficaz é o filtro de um filtro de ar. A melhor opção é um filtro de partículas de alta eficiência (HEPA), uma vez que removem mais de 99,97% de todos os tamanhos de partículas.

Em segundo, deve verificar-se o quão potente é o filtro de limpeza. Quanto maior for a sala, ou quanto maior o número de pessoas no seu interior, mais ar precisa de ser limpo.

Por último, deverá sempre ser verificada a veracidade das afirmações feitas pela empresa produtora do filtro.

A Association of Home Appliance Manufacturers certifica os purificadores de ar, pelo que o selo AHAM Verifide é bom para começar. A California Air Resources Board tem uma lista de purificadores de ar certificados como seguros e eficazes, embora nem todos eles utilizem filtros HEPA.

Manter ar interior fresco é fundamental

Em suma, é necessário verificar se o interior recebe ar fresco suficiente do exterior a circular para dentro do edifício.

Um monitor de CO2 pode ajudar. Se houver ventilação suficiente, e se os níveis de CO2 começarem a subir, abra algumas janelas e faça uma pausa no exterior.

Se não se conseguir entrar ar fresco suficiente numa sala, o filtro de ar pode ser uma boa ideia. No caso do filtro de ar, relembre-se que estes não removem o CO2, por isso, mesmo que o ar possa ser mais seguro, os níveis de CO2 podem ainda estar elevados na sala.

Se entrar num edifício e sentir quente, abafado e cheio de gente, é provável que não haja ventilação suficiente, pelo que Miller recomenda que o ideal é sair.

É fundamental prestar atenção à circulação e filtragem do ar, melhorando-as onde possível e mantendo-se afastado dos locais que não cumprem estas condições.