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Clínicas Dentárias

Clínica Dentária São Paulo: Oferecer serviços modernos sem esquecer o património

Manter a tradição lado a lado com a inovação tem sido uma das preocupações desta clínica. Privilegiar o património e adequar o espaço à evolução digital, investir ponderadamente em novos equipamentos e serviços e prestar o maior conforto aos pacientes – muitos deles vindos de outros países e continentes – são os objetivos de uma equipa que funciona de forma integrada e em plena sinergia.

Localizada numa zona repleta de história, a Clínica Dentária São Paulo leva-nos numa viagem onde a antiguidade e o modernismo se misturam. Mantém uma arquitetura do século XIX com alguns apontamentos que foram preservados num equilíbrio perfeito com uma renovação exigida para a prática clínica em medicina dentária. Instalada no primeiro andar de um prédio pombalino na Praça de São Paulo é, segundo alguns estudos realizados, provavelmente “a clínica mais antiga de Lisboa, sendo detentora desde a sua criação de alvará exclusivo para a prática de medicina dentária”, explica João Alvarez, proprietário e diretor clínico desde 1997 e, mais tarde, em 2011, da Clínica Dentária São Paulo – Parque das Nações.

Na sala de espera, uma cadeira de dentista que fora utilizada por antigos donos – também eles profissionais da área – não deixa ninguém indiferente. Nem as portas dos dois gabinetes de consulta ou alguns aspetos intocados de tempos de outrora. O médico dentista começa por explicar que “depois do terramoto de Lisboa, esta zona de Lisboa foi reabilitada e passou por um período de enorme desenvolvimento”. O centro da cidade localizava-se ali e foram criados muitos negócios ao redor. Ainda hoje, a clínica se caracteriza pela entrada de luz natural e por janelas que permitem apreciar o exterior. Esta é uma zona privilegiada da capital muito definida pelas instalações pouco convencionais que nos levam a este resgate à memória histórica.

 

“Neste quarteirão e no Largo de São Paulo, desenvolveu-se uma indústria de têxteis e havia uma empresa – a Rodrigues&Rodrigues – que remonta aos finais do século XIX e início do século XX e todo este largo tinha modistas ou alfaiates.” No andar onde a clínica está instalada hoje localizava-se o Centro Clínico da Rodrigues&Rodrigues e “deste lado, funcionava o dentista. Antigamente, estas empresas mais familiares tinham esta parte da saúde integrada na sua organização e concediam estes privilégios aos seus funcionários”.

Alguns médicos dentistas exerceram a sua profissão neste espaço e durante várias décadas, a clínica dentária era uma referência nesta zona de Lisboa. Entre 1898 e 1908, localizava-se aqui a Clínica Dentária Guerreiro, Simões, Bayão e Mourão e depois de obras de reabilitação arquitetónica, em 1920, passou a denominar-se Instituto Dentário Simões Bayão. Nas décadas de 50 e 60, a nova gerência mudou o nome para Consultório Dentário Benedito de Sousa.

Após a Revolução do 25 de abril, devido ao fecho da empresa Rodrigues&Rodrigues, alguns dos antigos funcionários começaram a ocupar as lojas e a trabalhar por conta própria.

Quando João Alvarez terminou o curso começou a trabalhar no Hospital Militar onde se manteve durante vinte anos e começou a procurar um espaço para montar uma clínica que se localizasse perto da Estrela. “Encontrei este espaço através do Sr. Fernando, o protésico da clínica nessa época e que ainda hoje trabalha connosco”, conta.

“A medicina dentária em Portugal já é uma marca. Só tenho pena que tal não se reflita na saúde oral das pessoas”, defende João Alvarez

 

A dinâmica atual é completamente distinta da vivenciada nos anos em que iniciou a sua atividade, garante o diretor clínico. “Esta zona é hoje muito frequentada por turistas e, por altura da crise económica e da Troika, ainda procurei uma loja que se situasse perto e que pudesse ser transformada em clínica, mas sem sucesso.” A ideia seria deslocalizar esta, o que acabou por não acontecer. “Nunca encontrei o que pretendia, pois, esta zona tem uma enorme procura e é muito difícil encontrar imóveis aqui”, explica o proprietário.

Orgulha-se por ter vivido no tempo em que esta era autenticamente uma clínica de bairro em que todas as pessoas se conheciam e o ambiente era totalmente familiar. Ainda hoje é possível manter algumas dessas características, mas João Alvarez confirma as saudades que sente dessa época. “Atualmente é tudo muito mais impessoal”, confessa.

Novos investimentos

A certa altura, com a deslocalização de muitas empresas para a zona do Parque das Nações, muitos clientes passaram a estar mais nessa zona. “E nós acabámos por ir atrás deles”. Enquanto decorriam obras na clínica do Largo de São Paulo, a equipa abria a clínica do Parque das Nações, em 2011.

Com noção de o espaço do Cais do Sodré estar integrado num local de enorme património, nenhum pormenor ficou ao acaso, como alguns azulejos pombalinos que foram encontrados em obras de recuperação e que conferem uma decoração invulgar aos WC da clínica. O desafio, esse, foi enorme. “Em termos de estabilidade do edifício, este tipo de obra envolve uma grande complexidade. Tentámos manter e recuperar tudo o que é a essência da clínica, nomeadamente a parte comum – sala de espera e receção – e aproveitar alguns aspetos interessantes que fomos encontrando.” Além dos dois gabinetes de consulta, a clínica tem uma sala de esterilização, uma sala de Ortopantomografia e uma Sala de Prótese.

A equipa é composta por doze médicos dentistas, seis rececionistas e assistentes. “Os médicos dentistas vão-se revezando entre si nas duas clínicas. São todos colegas da minha geração, formados entre 1995 e 1996, e também contamos com médicos mais novos que têm vindo a entrar ao longo dos anos.” Tem sido possível manter a equipa de origem sem grandes oscilações e rotatividade. “Trabalhamos muito em conjunto, o que é essencial para conseguir ter bons resultados. A estabilidade da equipa acaba por refletir-se na qualidade de trabalho, o que é bom para os profissionais e para as pessoas que se sentem melhor ao conhecer quem cuida de si”, explica João Alvarez.

As duas clínicas funcionam em total parceria e até as agendas são geridas da mesma forma. “Temos um workflow muito estreito entre ambas”, refere o diretor clínico que se assume como pertencente “à velha guarda”, o que significa que faz consultas a pessoas de várias gerações. Começou pelos avós, passou pelos pais até chegar aos netos.

 

A digitalização veio para ficar, já não restam dúvidas da sua relevância. “Poupa-nos imenso trabalho e melhora a qualidade. Já trabalhamos com programas de gestão clínica há imensos anos, o que permitiu melhorar bastante a nossa organização.” Em termos técnicos, apesar de reconhecer as vantagens do digital, João Alvarez assinala que ainda não abarca a eficácia que sente que necessita neste momento. “Já trabalhámos com o scanner intraoral na área de ortodontia, mas na área de reabilitação e de prótese fixa não. Já desenvolvemos a área laboratorial de forma digital na totalidade, mas ao nível do consultório, ainda não demos o salto e continuamos a trabalhar com moldes e modelos físicos de gesso.” Confessa que ainda está um pouco “agarrado ao passado” e que os investimentos devem ser ponderados. “Se forem rentáveis, tem toda a lógica investir, não tenho qualquer dúvida. A medicina dentária tem evoluído a uma grande velocidade, mas é preciso ter em atenção e saber separar o que está na moda no momento e o que é mesmo útil para o nosso trabalho porque somos bombardeados diariamente com muita inovação.” Quando surge um novo equipamento, opta por dar algum tempo e espera até decidir investir. “Prefiro ter decisões ponderadas e aguardar que as tecnologias tenham um nível evolutivo necessário para podermos investir com alguma segurança. Não faz parte da minha personalidade investir por investir e ir comprar logo um aparelho que acaba de sair”, explica.

Nos últimos dois anos, e apesar da pandemia, houve uma aposta no CBCT, em microscópios para a área de Endodontia, o scanner intraoral para o Invisalign, entre outros. Os períodos de confinamento permitiram parar para pensar e para ponderar novos investimentos. “Normalmente não temos esse tempo”, confessa João Alvarez. “Foi na pandemia que fizemos os investimentos mais importantes e que foram altamente benéficos pois evoluímos especialmente neste último ano na ordem dos 35%, não só em termos de faturação, como em número de clientes”, sublinha. Também houve um investimento nas redes sociais e no site. “Quisemos reposicionarmo-nos em termos de mercado e estas plataformas resultam bem.”

No que respeita a serviços mais recentes, a clínica tem vindo a apostar na harmonização facial e a investir na área da estética, sobretudo a nível laboratorial para responder à “procura cada vez maior”. Ao fazer muito trabalho ao nível de reabilitação, o diretor clínico acaba por trabalhar em sinergia com a colega dedicada a esta área e confessa que nem sempre está atento a alguns pormenores que acabam por fazer toda a diferença. “Muitas vezes, no final do processo, escapa-me olhar para a face, para a pele e para as rugas. É uma questão de mudar o meu mindset e de entender, por exemplo, que o suco nasogeniano está agora mais saliente porque a pessoa não tinha dentes e pode fazer sentido aplicar alguns destes produtos estéticos.” Com esta nova resposta, é mais habitual referenciar alguns casos para harmonização facial, o que permite ter melhores resultados.

 

Relativamente às opiniões nem sempre favoráveis relativamente a esta área, João Alvarez considera-a como um bom complemento. “E é aqui que se deve fazer, não num centro de massagens ou num cabeleireiro. Um consultório de medicina dentária pode dar essa resposta desde que os médicos dentistas tenham a formação adequada para tal”, defende.

A clínica tem sido marcada também por algum desenvolvimento na área dos alinhadores invisíveis que “estão muito na moda” e que envolvem também esta necessidade de trabalho em equipa. “Cada vez mais há a necessidade de trabalharmos como uma clínica integrada, o que significa que o doente passa por várias disciplinas até se conseguir o resultado final.” O diretor clínico funciona como o pivô entre os colegas, iniciando e terminando o tratamento, mas a colaboração dos colegas e o trabalho em verdadeira parceria é fundamental.

Consciencialização para a saúde oral

É certo que as novas gerações estão mais informadas, mas o diretor clínico assinala o claro atraso em termos de educação em geral, em Portugal, e na saúde oral, em particular. “A questão educacional, defende, “é sempre acompanhada da questão económica” e o facto de existir “um enorme problema de pobreza em Portugal leva a que as pessoas não tenham a ida ao dentista como prioridade caso não tenham dinheiro para outras necessidades básicas”. Apesar de ser esta a realidade portuguesa, João Alvarez considera que os números de utilização do cheque dentista ficam muito aquém do que seria desejável. “Se nestas experiências em que o Estado comparticipa a saúde oral, as pessoas não aproveitam, significa que não há educação para a saúde a nível familiar”, afirma.

“A estabilidade da equipa [sem muita rotatividade] acaba por refletir-se na qualidade de trabalho, o que é bom para os profissionais e para as pessoas que se sentem melhor ao conhecer quem cuida de si” – João Alvarez, diretor clínico

 

A medicina dentária em Portugal está muito evoluída, garante o médico dentista. “Somos muito diferenciados e as gerações mais novas estão numa maré de formação brutal e temos tido exemplos de colegas com imenso sucesso a nível internacional.” A Clínica Dentária São Paulo recebe pessoas de várias partes do mundo, desde os Estados Unidos da América, ao Brasil, a Angola, entre muitos outros países. “São clientes que nos procuram porque gostam do serviço que prestamos. A medicina dentária em Portugal já é uma marca. Só tenho pena que tal não se reflita na saúde oral das pessoas.”

A evolução da especialidade não está a ser acompanhada pela população. O que falta fazer então? “Cabe-nos a todos desenvolver esta formação para a saúde oral e acredito que os mais novos estão mais bem preparados”, remata.

 

*Artigo publicado na edição 147, novembro-dezembro, da Saúde Oral

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