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Investigação

Cirurgia robótica melhora resultados pós-operatórios em doentes com cancro orofaríngeo

Os procedimentos dentários assistidos por robôs estão a ganhar reconhecimento e, de acordo com novas investigações, a cirurgia robótica pode até melhorar as taxas de sobrevivência em pacientes com carcinoma de células escamosas da orofaringe em fase inicial.

De acordo com o estudo Comparison of survival after transoral robotic surgery vs nonrobotic surgery in patients with early-stage oropharyngeal squamous cell carcinoma, publicado a 20 de agosto, na JAMA Oncology, os pacientes submetidos a cirurgia robótica transoral, entre 2010 e 2015, apresentaram uma taxa de sobrevivência global a cinco anos de 84,5%, mais 4,2% do que as cirurgias não robóticas.

O estudo recorreu aos dados da Base de Dados Nacional de Cancro dos Estados Unidos da América, incluindo 9745 pacientes cirúrgicos, dos quais um terço tinha sido submetido a cirurgia robótica transoral. Segundo o estudo, a taxa de sobrevivência global a cinco anos em pacientes que fizeram cirurgia não robótica era de 80,3%.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, há aproximadamente 657 mil novos casos de cancro da cavidade oral e faringe todos os anos e mais de 330 mil mortes associadas.

O estudo foi motivado depois de investigadores do hospital Cedars-Sinai, em Los Angeles, observarem que um número crescente de pacientes – de 18,3% em 2010 para 35,5% em 2015 – tinham sido submetidos à cirurgia robótica transoral para cancro orofaríngeo em fase inicial. Além disso, o número de instalações que realizaram estas cirurgias durante esse mesmo período aumentou drasticamente, de 6,3% para 13,9%.

O crescimento levou os investigadores a analisarem se a cirurgia robótica seria superior a outros tratamentos para pacientes com cancro orofaríngeo, tais como a cirurgia padrão, radioterapia e quimioterapia.

“No mínimo, a cirurgia robótica para pacientes com cancro orofaríngeo parece segura e eficaz em comparação com o que tem sido o padrão de cuidados durante muitos anos”, disse o autor principal, Zachary S. Zumsteg, professor assistente de oncologia no Cedars-Sinai, em comunicado de imprensa, citado pelo Dental Tribune.

Além disso, a cirurgia robótica foi associada a uma utilização reduzida da radioterapia pós-operatória, 28,6%, em comparação com 35,7% para os pacientes que fizeram cirurgia não robótica. Tanto a qualidade de vida dos pacientes como o tempo de recuperação cirúrgica parecem verificar melhorias consideráveis através da realização de cirurgia robótica transoral.

“O nosso objetivo ao fazer este estudo foi ver como esta nova tecnologia, que nunca foi testada num ensaio aleatório e controlado, influenciou os padrões de tratamento e resultados desde a sua aprovação pela FDA”, disse Zumsteg.

“Há uma curva de aprendizagem com qualquer nova técnica cirúrgica, e as novas nem sempre se traduzem em resultados iguais ou melhorados”, acrescentou.

“Entretanto, é reconfortante para os nossos pacientes perceber que a sua taxa de sobrevivência é a mesma, se não melhor, com a cirurgia robótica e que têm o potencial para uma melhor qualidade de vida”, disse Anthony Nguyen, autor do estudo e médico residente no Departamento de Oncologia de Radiação do Cedars-Sinai, no mesmo comunicado de imprensa.

O primeiro procedimento dentário realizado por um robô sem qualquer intervenção humana aconteceu pela primeira vez na China, no ano passado. A máquina realizou uma cirurgia para a colocação de um implante. Os avanços tecnológicos permitem evitar os erros humanos, além disso, no caso da cirurgia robótica transoral, o procedimento é bastante útil durante a pandemia, por permitir a realização de procedimentos médicos complexos mantendo a distância de segurança.