Saúde

Cigarros eletrónicos apontados como causa da morte de seis pessoas nos EUA

Cigarros eletrónicos apontados com causa da morte de seis pessoas nos EUA

Nos Estados Unidos da América está a ser investigada a morte de uma mulher depois de ter utilizado cigarros eletrónicos. De acordo com a imprensa internacional, a vítima morreu depois de os seus pulmões se terem enchido de líquidos e as autoridades do país já estão a pedir aos consumidores que não usem cigarros eletrónicos.

Esta é já a sexta morte nos EUA relacionada com complicações pela utilização de cigarros eletrónicos. Além disso, as autoridades do país estão já a estudar outras 478 pessoas que desenvolveram complicações respiratórias devido a este tipo de dispositivos.

Na semana passada, quando foi anunciada a terceira morte, as autoridades norte-americanas pediram para que a população deixasse de usar estes produtos enquanto decorrem as investigações. “Embora não saibamos quais as substâncias prejudiciais, é importante que as pessoas saibam que, ao usar estes produtos, não sabem tudo sobre o que estão a inalar e os danos que isso pode provocar”, afirmou Kris Box, responsável pelo Departamento de Saúde do Indiana.

De acordo com a imprensa internacional, os pacientes que acabaram por morrer queixavam-se de falta de ar, tosse, dor no peito, episódios de vómitos, diarreias, fadiga, febre e perda de peso. A origem do problema pode ser o uso de óleos de produtos com THC, uma substância psicoativa da canábis. “Nós não ligamos nenhum desses ingredientes específicos aos casos atuais, mas sabemos que o aerossol emitido por estes cigarros não é inofensivo. Em alguns casos, isso pode ter ocorrido, mas agora estamos a monitorizar. Temos de continuar com a investigação”, diz o Centro de Controlo de Doenças (CDC).

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) emitiu esta quarta-feira (11 de setembro) um comunicado em que explica que “até ao momento não se conhecem casos semelhantes fora dos EUA. No entanto, dada a grande disseminação destes produtos e fácil acessibilidade, é provável que surjam noutros países, incluindo Portugal.”

“Embora a investigação relativa a este surto se mantenha em curso, a SPP reitera a convicção de que a melhor forma de proteger a saúde respiratória é respirar ar limpo. A inalação de compostos químicos presentes no vapor dos cigarros eletrónicos representa um risco real”, acrescenta a organização, referindo ainda que “os consumidores de cigarros eletrónicos que desenvolvam sintomas respiratórios agudos devem procurar o médico e fornecerem-lhe informação sobre o produto que consomem”.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) também já se pronunciou e em declarações à TSF recomenda que não se fumem cigarros eletrónicos. Emília Nunes, diretora do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, explica que “a DGS recomenda aquilo que sempre recomendou: que as pessoas não consumam tabaco, nem tabaco aquecido, nem cigarros eletrónicos. Nenhum destes produtos é seguro e nenhum é bom para a saúde das pessoas.”

Emília Nunes disse ainda que “os cigarros eletrónicos são particularmente perigosos durante a gravidez, para adolescentes ou pessoas com doenças crónicas, com diabetes e doenças cardiovasculares”.

Em maio deste ano, também a Ordem dos Médicos Dentistas pediu “um maior controlo na comercialização de cigarros eletrónicos e a proibição de qualquer tipo de publicidade, incluindo publicidade encapotada nas redes sociais” a este tipo de produto.

O bastonário da OMD, Orlando Monteiro da Silva, denunciava “a falta de regulação sobre estes cigarros eletrónicos, que não permite saber qual a composição dos líquidos, que é diversa e muito variada. Sabe-se que contém substâncias como propilenoglicol, glicerina e, claro, nicotina, e já foram detetados carcinógenos, como aldeídos, carbonatos e metais pesados”.

“A população não está suficientemente alertada para os riscos dos cigarros eletrónicos, apresentados pelas tabaqueiras como sendo de menor risco que o cigarro tradicional. O menor risco, que ainda não está sequer provado que assim seja, não significa que estes cigarros eletrónicos sejam inócuos para a saúde, muito pelo contrário. A nicotina é inalada e os estudos científicos que existem sobre o consumo destes cigarros eletrónicos mostram que os seus consumidores têm maior probabilidade de apresentar xerostomia (boca seca), estomatite, língua pilosa ou queilite angular. O consumo destes cigarros eletrónicos contribui ainda para a progressão da doença periodontal (da gengiva)”, explicou.