Investigação

Amálgama é cada vez menos usada na Nova Zelândia

Amálgama é cada vez menos usada na Nova Zelândia

A utilização de mercúrio em consultórios dentários na Nova Zelândia diminuiu drasticamente. A conclusão é do estudo The dental amalgam phasedown in New Zealand: A 20-year trend, realizado pelos investigadores da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Otago.

O estudo tinha como objetivo informar as instituições de ensino sobre as novas práticas e definir alterações ao currículo das disciplinas relacionadas com a medicina dentária, bem como compreender os motivos da redução gradual da utilização deste elemento.

As restaurações dentárias tratam dentes com lesões provocadas por cáries e evitam que as bactérias avancem e infetem a estrutura interna do dente. Durante muito tempo, na medicina dentária, os preenchimentos restauradores eram realizados, na maioria, com amálgama de prata. Este material era composto por uma liga de mercúrico com limalha de prata, estanho e cobre. Apesar da sua durabilidade e resistência, o mercúrio é um metal pesado e tóxico, motivo pelo qual tem vindo a ser substituído por restaurações em resina composta.

Para o estudo, os investigadores analisaram os dados da faculdade sobre as características das restaurações, o material utilizado e o número de superfícies envolvidas para cada restauração, bem como dados de um inquérito nacional a dentistas da Nova Zelândia sobre a utilização de amálgama.

De acordo com os resultados do estudo, o uso de amálgama diminuiu de 52,3% em 1998 para 7,1% em 2017. Além disto, 64% dos inquiridos, no âmbito nacional, consideraram a resina composta como o seu material de preenchimento de eleição, enquanto apenas 13% favoreceram a amálgama.

“Agora, quando os alunos juniores de medicina dentária colocam preenchimentos de amálgama em simulações, em vez de ensinarmos a polir estes preenchimentos, ensinamo-los a perfurá-los e a substituí-los por um composto”, refere Jonathan Broadbent, autor principal do estudo, citado pelo Dental Tribune International.

Sobre os 13% de dentistas na Nova Zelândia que ainda preferem usar amálgama, Broadbent disse que ele próprio tinha experimentado a transição para uma prática sem amálgama e que foi necessário adaptar-se a uma nova forma de medicina dentária. “O mundo da medicina dentária não vai entrar em colapso quando a amálgama desaparecer”, acrescentou.

Em 2019, na 3.ª reunião da Conferência das Partes da Convenção de Minamata sobre Mercúrio, que decorreu em Genebra, na Suiça, foi renovado o compromisso para a eliminação gradual de produtos que tenham este elemento na sua composição, tendo sido declarado que, até 2020, os produtos que não cumprissem os requisitos estipulados deixariam de ser legais.