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Clínicas Dentárias

“A comunicação diária que fazemos do nosso trabalho é importante para chegar ao consumidor final”

Eduardo Bastos

O atual contexto pandémico ditou um novo confinamento geral, em vigor desde o dia 15 de janeiro. Desta vez abrindo exceção à atividade médico-dentária, que permanece de portas abertas. Estas foram boas notícias para a classe, fortemente afetada na primeira vaga. A SAÚDE ORAL falou com o médico dentista, Eduardo Bastos, e quis perceber como está a correr o dia-a-dia da Clínica Dentária Mint − da qual é diretor clínico − nesta fase e o impacto real que a pandemia está a ter.

Em maio de 2020 deu uma entrevista à SAÚDE ORAL onde falava no regresso com alguma apreensão. Como correu a reabertura da sua clínica?

Vivemos uma altura complicada. Do ponto de vista profissional, aqui na clínica, tivemos um acréscimo de atividade durante o mês de maio. Isso aconteceu porque muitos pacientes estavam, desde março, impedidos de vir às consultas. Tivemos muita procura nesse período e as coisas depois estabilizaram um pouco. Isso acaba também por ser fruto do investimento no atendimento aos pacientes e na comunicação diária que fazemos do nosso trabalho − é importante para marcar a diferença e chegar ao consumidor final. No fundo, as pessoas continuam a precisar de cuidados médico-dentários, independentemente da pandemia − é uma problemática recorrente do próprio ser humano. Como nós estamos muito vocacionados para a reabilitação oral e estética dentária não sentimos muita quebra, porque os pacientes acabam por não prescindir desse tipo de serviço.

Quais foram os principais desafios para a equipa?

No início da pandemia estavam um pouco ansiosos com o que é que iria acontecer. Quando fechámos em março do ano passado, ficaram um pouco apreensivos. Mas depois quando abrimos e retomámos a nossa atividade, com as implementações propostas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), os nossos profissionais passaram a sentir-se tranquilos e protegidos. De realçar que os postos de trabalho foram sempre salvaguardados.

E em relação aos pacientes, sentiu uma maior apreensão?

As pessoas estão muito preocupadas e têm receio de tudo isto que estão a viver. Levantaram-se algumas questões pela proximidade com o paciente que a atividade exige. Alguns pacientes passaram a frequentar as clínicas dentárias apenas para questões pontuais e de urgência. No entanto, desde o início da pandemia que as clínicas foram obrigadas a ter protocolos de atuação completamente diferentes, há menos pessoas nas salas de espera, a desinfeção é recorrente e os médicos apresentam-se quase como astronautas. As pessoas percebem e claramente que existe uma diferença.

No início do ano foi decretado mais um Estado de Emergência, com indicações do Governo para manter a atividade de medicina dentária. Notou alguma diferença na procura por parte dos pacientes relativamente ao final do ano passado?

Na verdade, sim. Alguns pacientes tinham consultas agendadas − de primeira visita ou de manutenção – e acabavam por ligar a desmarcar, porque tinham ficado doentes ou porque estavam em isolamento profilático. Claro que isso acaba por ter algum impacto nas agendas. Não sinto que as pessoas deixam de querer vir por receio, mas sim porque se encontram impedidas.

Atualmente que tipo de pacientes procuram mais os serviços da clínica? É possível identificar um padrão do ponto de vista da faixa etária, por exemplo?

Não se manifesta muita diferença. Nós somos uma clínica muito vocacionada para determinado tipo de tratamento e as pessoas reconhecem-nos por isso. Talvez possa deduzir que rejuvenesceu um pouco, temos muito jovens, na faixa etária dos 35 anos.

Na entrevista que deu à SAÚDE ORAL, em maio, referiu a importância da união da classe, particularmente nesta fase. Esta união tem-se verificado?

É um bocadinho difícil avaliar isso, porque, desde logo, a sociedade não está muito unida em várias temáticas. Notamos algumas perspetivas diversas e controversas por parte dos médicos dentistas. No entanto, também vejo que existe alguma diferença nos profissionais mais jovens, com menos de dez anos de prática. São pessoas que vêm com novas ideias, novas associações, estão muito bem informadas e querem mudar o paradigma da classe. As redes sociais facilitam nessa matéria, mas também dão espaço a muita controvérsia. Eu faço parte de alguns grupos onde se fala de mercados clínicos e vejo discussões muito acesas. Sinto também que a eleição do novo bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, está associada a essa corrente de pessoas mais jovens e houve uma mudança positiva nesse sentido.

 

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