Médicos Dentistas

88% dos médicos dentistas não têm salário fixo

88% dos médicos dentistas não têm salário fixo

Mais de metade dos médicos dentistas a exercer em Portugal trabalham por conta de outrem, 45% exercem em consultório próprio e 5% exerce em hospitais ou centros de saúde. A conclusão é do mais recente ‘Diagnóstico à Empregabilidade’, da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), que revela também que 88% dos médicos dentistas do país não têm um salário fixo.

Orlando Monteiro da Silva, bastonário da OMD, sublinha que “as conclusões deste estudo mostram como a realidade da profissão está a evoluir. Sem perder o seu caracter liberal, a segurança e até prosperidade económica do passado estão a dar lugar à precariedade e à incerteza. As novas gerações de médicos dentistas enfrentam uma nova realidade chamada subemprego. Se por um lado entram rapidamente no mercado de trabalho, a curto e médio prazo têm dificuldade em encontrar um equilíbrio entre horas trabalhadas e a remuneração”.

O estudo revela, no entanto, que existem diferenças geracionais: dos médicos dentistas que se formaram há menos de 10 anos, 75% trabalha por conta de outrem, sendo que 70% dos que se formaram há mais de 10 anos exercem atividade em clínica ou consultório próprio.

A maioria (62%) exerce em um ou dois consultórios. No entanto, são os médicos dentistas que se formaram há menos de 10 anos que trabalham maioritariamente em mais do que um consultório. Os médicos dentistas com mais de uma década de profissão concentram a atividade num único consultório – e nos médicos dentistas com mais de 50 anos, de referir que 55% exerce num único consultório.

Dos 2095 médicos dentistas inquiridos no âmbito do estudo, 45% tem um rendimento mensal bruto até 1500 euros. 33% ganha entre 1500 e 3000 euros brutos por mês e 20% ganha mais de 3000 euros brutos mensais. Os salários mais baixos estão nas camadas mais jovens, sendo que apenas 4% dos médicos dentistas recebem 14 ordenados por ano; a maioria (54%) recebe 12 salários. Para além disso, de acordo com o estudo, a remuneração dos médicos dentistas é, essencialmente, variável consoante o número e o custo dos procedimentos. Só 26% tem uma remuneração fixa. Há ainda 11% que recebe um salário fixo acrescido de uma percentagem variável. 88% dos médicos dentistas que trabalham por conta de outrem têm uma remuneração variável e a maioria (69%) aufere entre 30% a 49% do valor dos tratamentos.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, “este estudo, até porque respondido por médicos dentistas, mostra a realidade de quem exerce a profissão. Num mundo em que somos diariamente inundados por todo o tipo de informação, os médicos dentistas, os estudantes, os futuros candidatos ao curso, precisam de informação fatual, atual e verdadeira, e de quem ajude a descodificá-la, para serem conhecedores daquilo que os rodeia e assim poderem tomar decisões, decisões informadas de qualidade, sobre os temas que afetam a sua atividade e o seu futuro”.

Os médicos dentistas inquiridos no âmbito do estudo dizem ainda que a formação complementar é central ao exercício da medicina dentária e 80% dos médicos dentistas realizaram formação complementar e/ou contínua nos últimos dois anos. Para além disso, os profissionais assumem que nem todas as atividades complementares ao tratamento dentário, no âmbito da consulta, são cobradas. Das atividades médico-dentárias analisadas, os meios de diagnóstico (66%) e a emissão de receitas (55%) são os procedimentos mais cobrados. Nas restantes funções, como aconselhamento, emissão de atestados ou segundas opiniões, mais de metade dos médicos dentistas revela não cobrar.