Evento

Vila Real acolhe congresso da Sociedade Portuguesa de Ortopedia Dento-facial

ortopedia dento-facial

A Sociedade Portuguesa de Ortopedia Dento-facial leva este ano a sua reunião científica até à cidade de Vila Real. Eugénio Martins, presidente da Comissão Organizadora, explicou à SAÚDE ORAL qual o formato deste evento e a importância que tem não só para os ortodontistas, mas para a classe em geral.

Vila Real irá acolher a XXIX Reunião Cientifica Anual da Sociedade Portuguesa de Ortopedia Dento-facial, nos dias 16, 17 e 18 de março. Este ano sob a batuta de Eugénio Martins, a escolha da cidade demonstra o empenho desta organização em descentralizar os eventos. “Normalmente fazemos um ano no norte, outro no centro e outro no sul do país, para que todos tenham acesso à Reunião. Claro que Lisboa, Porto e Coimbra acabam por ser as cidades mais frequentadas. Mas este ano optamos por uma (ainda) maior descentralização, escolhendo Vila Real, de resto a minha área de influência”. Figueira da Foz, Leiria, Luso ou Guimarães também já foram palco do congresso, corroborando esta tendência para descentralizar o evento.

Mais do que um tema, as reuniões anuais têm um lema, sendo que este ano o mote é “Tratamento Baseado em Objetivos”. “O que queremos é que o tema seja multidisciplinar”, disse referiu Eugénio Martins, presidente da Comissão Organizadora. “Quando começamos um tratamento fazemo-lo baseado numa meta, no que vamos fazer à pessoa. E esses objetivos abraçam várias áreas, seja da estética, da oclusão, da periodontologia e até da psicologia. Assim, dirigimos o tratamento em função da necessidade”.

eugenio_martins1_saudeoral

Aliás, diz este profissional que hoje um dos elementos mais descurados é precisamente o planeamento. “Que é o nosso ponto forte”, garante Eugénio Martins. “Um dos objetivos é que o planeamento se torne na parte crítica do tratamento. É o que mais ensino aos meus alunos. É o que repito todos os dias. Cada início de conversa é esse”. Daí que trazer o tema (do inglês Goal Oriented Orthodontics) seja de vital importância. “Como sabemos muito bem o que queremos fazer, agora usamos os meios, das várias áreas, para lá chegar.” Assim, a Reunião acaba por ser muito abrangente, “havendo muitos temas diversos dentro da nossa área”.

VinceKokichJr_saudeoral

Vince Kokich Jr.

O congresso é dirigido a médicos-dentistas nacionais, sejam ou não ortodontistas, apesar de obviamente mais focado para estes últimos. Já os convidados são internacionais. Tal como nos anos anteriores, o primeiro dia será dedicado a um curso pré-congresso, palestrado por Vince Kokich Jr, da Universidade de Washington. “Este professor universitário é mundialmente conhecido pelos seus tratamentos multidisciplinares e é isso que será abordado durante todo o primeiro dia”. O profissional foi escolhido “a dedo” e é uma das raras vezes que veio participar num congresso europeu. “Existem muito poucas oportunidades de o ver na Europa e ainda por cima no nosso país. Os temas abordados serão a ortodontia, periodontologia e reabilitação oral”.

Como se cativa um profissional como Vince Kokich Jr para vir a Portugal participar? Em primeiro lugar, esclarece Eugénio Martins, há sempre uma grande dificuldade com as agendas dos participantes, pelo que o convite foi feito “há anos”. Tendo a sorte do palestrante ter a agenda livre nessas datas, claro que influencia o país que o convida e o retorno que o congresso proporciona. “Óbvio que há eventos mais atrativos do que outros. Se for mundial ou europeu é sempre melhor. Mas o congresso português conseguiu cativar por ser uma reunião confortável, amigável, obviamente para além das condições de estadia, visitas”.

De resto, o congresso deste ano vai na continuidade dos anos anteriores e por isso segue o mesmo formato. Odia de pré-congresso, com um curso, e dois dias de congresso, que abarca a denominada “Conferência Bação Leal”, um dos fundadores desta Sociedade e “pai” da ortodontia em Portugal. “Esse é um dos destaques do programa, uma conferência que este ano é proferida por Luís Jardim, subordinado ao tema “Assimetria Facial: do diagnóstico ao tratamento”.

Destaque para a presença de Vince Kokich Jr, da Universidade de Washington. “Este professor universitário é mundialmente conhecido pelos tratamentos multidisciplinares”. O profissional foi escolhido “a dedo” e é uma das raras vezes que participa num congresso europeu. “Existem muito poucas oportunidades de o ver na Europa e ainda por cima no nosso país. Os temas abordados serão a ortodontia, periodontologia e reabilitação oral”.

Um dos grandes objetivos do congresso é cativar os alunos e profissionais mais jovens, pelo que há uma série de atrativos para a sua participação, nomeadamente uma redução no preço da inscrição. “Como queremos mesmo apostar nos alunos que vão ser especialistas, cada grupo de quatro que se inscreva e apresente um trabalho, pagam metade do preço de estudante, que já é reduzido.” A mudar alguma coisa na organização, Eugénio Martins admite que seria a antecipação. “Como bons portugueses que somos há coisas que deixamos para fazer mais tarde e que claramente podiam ter sido feitas antecipadamente”, confessa.

No verso da moeda, Eugénio Martins diz que particularmente se congratula com o facto de ter conseguido trazer a Portugal um leque de palestrantes de altíssimo nível e que vêm falar de algumas técnicas que estão agora a surgir. “Poder partilhar o meu esforço com a Sociedade é um imenso prazer. A Sociedade já me deu tanto em formação que, ao longo dos anos, fui tentando retribuir.”

A medicina dentária tem, em geral, evoluído de forma muito acelerada pelo que a ortodontia não foge a esta regra. “A quantidade de coisas que mudou desde a fundação da Sociedade é inacreditável. A todos os níveis. Mudaram os meios de diagnóstico, há agora melhores radiografias, TAC, ressonâncias, análises digitais de oclusão, sensores de pressão para os dentes… Temos um conjunto de tecnologias muito desenvolvidas que há 20 anos seriam impensáveis”. Um conjunto que, segundo este profissional, permite fazer diagnósticos mais detalhados, o que acaba por ser melhor para o paciente, mas também para o profissional. “Além de termos mais e melhores meios de diagnóstico, temos igualmente melhores formas de fazer planeamento e os instrumentos, que têm evoluído radicalmente.” Daí que, diz Eugénio Martins, os congressos são cada vez mais importantes para que os profissionais possam manter-se atualizados.