Medicina Dentária

Quanto vale o sector da medicina dentária em Portugal?

valor do setor da medicina dentária

Qual o volume de negócios das clínicas dentárias? Qual a média de faturação? Temos essa estimativa de valores em Portugal? De acordo com Dilen Ratanji, da DentBizz Consulting, o setor da medicina dentária em Portugal vale 620 milhões de euros.

“É esta a minha estimativa para o valor global do volume de negócios do sector da medicina dentária. Estão registadas cerca de 4.425 clínicas de medicina dentária (CMD) em Portugal (nº de empresas e não unidades médico-dentárias) com o CAE 86230 (actividades de medicina dentária e odontologia). Desde 2010, o mercado tem vindo a crescer a uma taxa anual de crescimento média [CAGR: compound annual growth rate] de 2,4%, em termos de volume de negócios. Em número de empresas no sector, o CAGR é de 4,8%, do qual facilmente depreendemos que o valor médio de facturação anual por CMD tem vindo a baixar nos últimos anos. Se em 2010 o valor médio de facturação anual por CMD era de aproximadamente 151 mil euros (m€), o ano de 2015 termina com um valor médio a rondar os 138 m€, ou seja, um decréscimo na ordem dos 8,6%”.

Para Dilen Ratanji, apesar da forte concorrência no sector, o negócio está globalmente a crescer. “Não obstante, o mercado tem vindo a sofrer algumas alterações. Em 2014, por exemplo, foram abertas 324 empresas com o CAE supracitado e encerradas 281. Em 2010 foram abertas 425 e encerradas “apenas” 167. Ao longo dos últimos anos, o nível de abertura de novas empresas no sector tem vindo a diminuir e o número de encerramentos tem vindo a aumentar. Num mercado altamente concorrencial, o mínimo que se exige às organizações é que tentem acompanhar as novas tendências do mercado, seja a nível clínico seja a nível de gestão e marketing. Os anos estão a comprovar que os “elos mais fracos” só têm um caminho: o da saída do mercado”.

“O sector médico-dentário tem um rating positivo, uma vez que em 2016 cerca de 81% das CMD estavam cotadas como tendo nível de risco baixo (vs. 79% em 2015), 18% com risco médio (vs. 19% em 2015) e apenas 1% com risco elevado (à semelhança do verificado no ano de 2015). Reportar-me-ei fundamentalmente ao ano de 2015, pois oficialmente os dados de 2016 apenas estarão disponíveis em meados de 2017″:

  • O ciclo de tesouraria das CMD é positivo: em média, cada CMD tem um prazo médio de pagamentos de 45 dias (vs. 50 dias de 2014), enquanto o prazo médio de recebimentos é de 22 dias (vs. 26 dias em 2014);
  • O EBITDA médio do sector de é aproximadamente 24,4 m€ (23,8 m€ em 2014). Este indicador representa quanto uma empresa gera de recursos através das suas actividades operacionais, sem contar com impostos e depreciações. Um indicador relevante quando se realizam avaliações económico-financeiras das empresas;
  • O número médio de colaboradores por CMD é de 3. Não se inclui neste valor os colaboradores que estejam em regime de prestação de serviços;
  • A média dos custos com pessoal sobre o total da facturação é de aproximadamente 26,2%, estando dentro do intervalo de referência considerado positivo na gestão de CMD. Este rácio deverá ser analisado com a devida reserva, uma vez que não estão incluídos os recibos verdes que, como se sabe, tem um peso substancial nos gastos com pessoal das CMD. Um rácio acima dos 35% poderá ser sinónimo de improdutividade da equipa ou má gestão de outros recursos internos;
  • O activo total (inclui, por exemplo, o imobilizado) é de aproximadamente 177,3 m€, enquanto o passivo (os valores que a empresa deve a terceiros, como por exemplo os financiamentos bancários) ronda os 94,9 m€;
  • O resultado líquido (lucro) médio numa CMD é de 8,9 m€;
  • Os fornecimentos e serviços externos (FSE), que incluem as rendas, telecomunicações, energia, deslocações, estadas, entre muitas outras rubricas, têm um valor anual médio de 74,8 m€;
  • O saldo médio dos depósitos bancários é de 32,8 m€ por CMD (vs. 30,4 m€ em 2014);
  • Apesar de haver inúmeras dívidas de cobrança duvidosa nas CMD, na realidade na maior parte das vezes não se registam como tal em termos contabilísticos (apenas 236 € de média em 2015);
  • A dívida corrente média (ainda cobrável) dos clientes é de 9,1 m€ (vs. 9,9 m€ em 2014);
  • A rendibilidade financeira (quociente entre o resultado líquido e o capital próprio) é de 10,6%, abaixo do que seria naturalmente desejável, enquanto que a solvabilidade (quociente entre o capital próprio e o passivo) é de 86,8%, ou seja, se uma empresa tiver que solver as suas obrigações, neste caso consegue-o realizar em 86,8% com os seus próprios capitais;
  • O rácio de autonomia financeira (quociente entre os capitais próprios e o activo líquido) é de aproximadamente 46,5%, acima dos (pelo menos) 30% recomendados.

Na perspectiva de Dilen Ratanji, o de  sector da medicina dentária em Portugal “não é seguramente dos mais rentáveis do tecido empresarial, mas registo com agrado que vários indicadores económico-financeiros têm apresentado uma evolução bastante favorável nos últimos anos”.