Cheques-dentista

“É preciso reforçar a acessibilidade dos portugueses a cuidados de saúde oral”

programa de promoção da saúde oral

Só em 2016 foram utilizados um total de 413 451 cheques dentista no âmbito do Programa de Promoção da Saúde Oral. Os números foram revelados pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) a 20 de março, no dia em que se celebra o Dia Mundial da Saúde Oral.

De acordo com Orlando Monteiro da Silva, bastonário da OMD, “os maiores beneficiários do programa são sem dúvida as crianças e jovens, especialmente aos sete, dez e 13 anos, que no total, desde 2008, já utilizaram mais de dois milhões e 300 mil cheques. O ideal seria até que o programa abrangesse crianças a partir dos três anos. Os resultados do programa na infância são extraordinários e já permitiram a Portugal ultrapassar metas da Organização Mundial de Saúde previstas para os 12 anos em 2020. Hoje, as crianças portugueses que beneficiam do cheque dentista têm menos cáries e sobretudo são tratadas atempadamente e ensinadas a prevenir a doença, com todos os ganhos futuros que isto acarreta. O que queremos é que esta aposta precoce na saúde oral se estenda depois na vida adulta, para que não se repitam situações como as que existem atualmente de tantos idosos sem um único dente”.

Na categoria de saúde infantil, para crianças com menos de seis anos, foram utilizados 16 231 cheques dentistas, enquanto nas crianças com sete, dez e 13 anos o programa permitiu a realização de 284 664 consultas, a que se somam mais 6 173 nas crianças em idades intermédias – oito, 14 e 15 anos.

Por outro lado, os pacientes com HIV utilizaram em 2016 um total de 1 375 cheques dentista, nos idosos foram utilizados um total de 7 989 e no caso das grávidas o número chegou aos 79 688 cheques dentistas.

Destaque ainda para os jovens com 18 anos, que desde março do ano passado passaram a ser também beneficiários deste programa, tendo já sido emitidos 1679 cheques e utilizados 1215 cheques dentista, um número que, segundo Orlando Monteiro da Silva, está “aquém do seu potencial”.

“É uma situação que se tem repetido sempre que há um alargamento dos beneficiários a novas camadas da população. Os dados referentes ao cheque dentista para os 18 anos estão diretamente relacionados com o fato de ser um programa muito recente; poucas pessoas sabem da sua existência. Além disso é um cheque que implica uma pró-atividade dos próprios beneficiários para os solicitar, o que não tem acontecido, e por isso o número de utilizadores ainda é baixo”, refere

Para o bastonário da OMD “é preciso reforçar a acessibilidade dos portugueses a cuidados de saúde oral. O PNPSO através do cheque dentista tem, apesar de alguns alargamentos, uma abrangência limitada, e Portugal é, segundo dados do Eurostat, o país da União Europeia onde menos se vai a consultas de saúde oral com todos os custos que isso tem para a saúde em geral. O caso dos diabéticos é o mais conhecido, pela sua ligação à saúde oral, mas também nos doentes cardiovasculares para nomear duas das doenças que mais afetam os portugueses.”

Já no âmbito do Programa de Intervenção Precoce do Cancro Oral (PIPCO) foram utilizados 1 604 cheques dos quais 756 resultaram em biópsias, um aumento de 18% face a 2015.