Clínica

Orisclinic: A importância de uma equipa multidisciplinar

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Na Orisclinic, em Coimbra, vive-se um ambiente multi e interdisciplinar, não só na medicina dentária, como noutras especialidades médicas. Alexandra Vinagre, Júlio Fonseca e Salomão Rocha são os mentores deste centro integrado, que surgiu em 2011.

É com vista para a Universidade de Coimbra, destacando-se na paisagem a ‘velha’ torre, que se trabalha nos consultórios da Orisclinic – Centro Integrado de Medicina Dentária de Coimbra. Muito se poderia dizer acerca deste centro. Poderíamos falar dos seus consultórios, da decoração, das tecnologias que dispõe. Mas aquilo que verdadeiramente impressiona no espaço é a forma multi e interdisciplinar de se trabalhar.

A Orisclinic pertence aos médicos dentistas Alexandra Vinagre (diretora clínica), Júlio Fonseca e Salomão Rocha, que trabalharam juntos durante anos, mas em locais isolados, até que em 2011 resolveram concentrar a sua atividade no mesmo espaço. “A Alexandra tinha a Clínica Médico-Dentária Dra. Alexandra Vinagre, o Salomão possuía a Salomão Rocha – Clínica Médica e Dentária e eu formei o Centro de Dor Orofacial & Disfunção Temporomandibular, sendo que acabávamos por ir trabalhar às clínicas uns dos outros porque tínhamos focos de atuação clínica muito específicos em diferentes áreas, complementares entre si”, conta Júlio Fonseca. Assim sendo, “o Salomão está mais dedicado à área da implantologia e prótese fixa, eu na área da dor orofacial e disfunção temporomandibular e a Alexandra na área da ortodontia e dentisteria estética”.

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A concentração dos três profissionais no mesmo espaço, em comparação com o modelo anterior de clínicas separadas, “é muito melhor quer para nós, quer para os nossos pacientes”, confessa o médico dentista. Uma das razões passa pelo facto de ser “muito mais fácil fazermos um tratamento integrado quando estamos juntos”. Apesar de terem outros projetos em paralelo com a Orisclinic, “a Alexandra e o Salomão são docentes universitários e, além disso, todos mantemos atividade clínica em outras clínicas. No entanto fazemos questão de estar os três a trabalhar ao mesmo tempo, na Orisclinic, pelo menos três dias por semana, pois permite-nos reunir e discutir os casos de uma perspetiva verdadeiramente multidisciplinar”, salienta Júlio Fonseca.

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O médico dentista defende que “na medicina dentária moderna, o caminho deve ser a ‘especialização’, uma vez que acredito que possam haver muito bons generalistas na área do diagnóstico e do plano de tratamento, mas não acredito que possam existir muitos bons médicos generalistas a executar todos os tipos de tratamento com a exigência de hoje em dia da medicina dentária”. Por outras palavras, “uma pessoa não consegue fazer tudo bem desde a endodontia à implantologia, passando pela ortodontia”. E, por isso, “na Orisclinic cada área está servida de um verdadeiro expert”. Outra mais valia é a parte clínica ser complementada com a coexistência, no mesmo espaço, de um laboratório de prótese dentária.

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Multi e interdisciplinaridade

Mas a multi e a interdisciplinaridade neste centro integrado não acontece apenas na medicina dentária. “Temos também várias especialidades que orbitam à volta da medicina dentária”, nomeadamente a cirurgia maxilofacial, fisioterapia, psicologia, terapia da fala, psiquiatria, nutrição, medicina interna, neurologia e medicina geral e familiar. Falando concretamente na fisioterapia, Júlio Fonseca explica que “é uma das minhas razões de orgulho porque muito provavelmente somos uma clínica dentária pioneira a ter um fisioterapeuta, o Tiago Oliveira, em permanência a reabilitar pacientes de dor orofacial e DTM que exibem problemas musculares e/ou articulares ou pacientes na fase pré e pós-cirúrgica quando sujeitos a um tratamento ortodôntico-cirúrgico-ortognático ”.

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E é por aqui, pelo ‘agregar’ de outras especialidades médicas às existentes, que se prevê uma das formas de crescimento da Orisclinic. “Esta equipa provavelmente irá crescer para as áreas da pneumologia e da reumatologia”, revela o médico dentista, justificando que “cada vez mais recebemos pacientes que estamos a abordar para tratamento da roncopatia por via da medicina dentária e aí vamos necessitar do apoio da pneumologia e, no que toca à reumatologia, estamos a ter essa necessidade, por exemplo ao nível dos distúrbios da articulação temporomandibular, particularmente os que são erosivos e resultam de manifestações sistémicas”.

Líder de uma equipa

Apesar das mais-valias enunciadas, esta forma de trabalhar multi e interdisciplinar permite ainda “fazer o seguimento dos casos sem perder o fio condutor, ou seja, de certa forma controlamos o diagnóstico. Se tivéssemos de recorrer externamente a colegas poder-se-ia perder esse fio condutor”, salienta Júlio Fonseca. Aliás, da sua perspetiva, o médico dentista “quando faz um determinado diagnóstico pode mesmo ser o líder de uma equipa mulitidisiciplinar” e, deste modo, “a medicina dentária tem de se assumir cada vez mais como uma especialidade integrada no cuidado e na saúde geral da população e tem de comunicar mais e estar mais aberta às outras especialidades e vice-versa”.

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Esta visão traz não só benefícios para a medicina dentária, como para as outras especialidades. “Dou o exemplo de, nas dismorfias dentofaciais, haver a necessidade de trabalharem em conjunto os cirurgiões maxilofaciais e os médicos dentistas; ou de no caso da roncopatia e da apneia do sono, a maior parte dos pacientes poder ser alvo de tratamento por parte da medicina dentária e os pneumologistas precisarem, por isso, desse apoio”. Sem dúvida que “os médicos dentistas têm tido o cuidado de demonstrar as potencialidades de se trabalhar em conjunto”. Também as sociedades científicas na área da medicina dentária têm-se preocupado em mostrar os benefícios do trabalho conjunto.

Crescimento e projetos

Além do aumento da equipa, em termos de especialidades médicas, está nos planos dos três sócios crescer, sendo que “não temos o objetivo do franchising, pois esse tipo de interesse não se coaduna com o verdadeiro interesse de uma medicina dentária justa e correta para o paciente”, salvaguarda o médico dentista. Daí que a ideia é “crescermos dentro deste espaço, quer ao nível da clínica, quer ao nível do centro de formação”.

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Por outro lado “ e direcionado ao paciente, o ano de 2017 representa o inicio de mais dois projetos: o Oriscare e o Oriscorporate. O primeiro é um plano de saúde baseado nos tratamentos que fazemos na clínica e no segundo, a ideia passa pelas empresas protocolarem connosco um plano de saúde para os seus trabalhadores”, explica o médico dentista.

A Orisclinic tem também uma preocupação social e solidária revela o médico dentista. “Criámos uma parceria com uma instituição do concelho de Coimbra em que, além de darmos formação na área da saúde oral sobre cuidados preventivos, às crianças e aos colaboradores, procuramos angariar fundos e contribuir para que essas crianças tenham acesso a cuidados de saúde oral efetivo e diferenciados”.

O passo seguinte? Formação

Depois da criação da Orisclinic, e dada a vocação do corpo clínico pelo ensino e pela partilha do conhecimento científico, a evolução ‘natural’ foi a criação, dentro das instalações, de um centro de formação, o OrisEducare. Este nasceu em 2016, sendo que “temos feito cursos em diversas áreas, ministrados por nós e por docentes convidados”, como cursos nas áreas de dor orofacial e DTM com abordagem multidisciplinar, de alterações miofuncionais orofaciais e ortodontia de implantologia, de periodontologia. Além disso promove formação de assistentes em medicina dentária”.

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