Saúde Oral

Universidade desenvolve app para comunicação entre pessoas surdas e dentistas

Endodontia do Século XXI: as inovações tecnológicas e os novos desafios

Foi desenvolvida uma aplicação para smartphones que oferece a possibilidade de comunicar e informar surdos-mudos durante o atendimento de urgência ou consultas de rotina. O projeto de pesquisa foi desenvolvido pela University of East London (UEL) e liderado pelas professoras Elisa Tanaka Carloto e Maria Celeste Morita, dos departamentos de Medicina Oral e Odontologia Infantil, do CCS (Centro de Ciências da Saúde).

As professoras explicaram que o atendimento da pessoa surda “encalhou” sempre na comunicação, impedindo o acesso deste grupo aos procedimentos médico-dentários. As investigadoras salientaram, por exemplo, que o curso de Odontologia da UEL não tem nenhum professor fluente em linguagem gestual, neste caso, na Língua Brasileira de Sinais (Libras). “A aplicação nasceu da necessidade concreta da Clínica Odontológica da Universidade”, diz Maria Celeste.

Segundo a professora Morita, uma paciente surda chegou à clínica com dor e foi diagnosticada com pulpite (inflamação da polpa dentária), necessitando de um procedimento endodôntico. Posteriormente, a paciente teria de voltar para a restauração do dente, mas não compreendeu e a equipa não conseguiu comunicar.

Este é apenas um exemplo de como o atendimento a pessoas surdas acaba por apresentar muitas vezes dificuldades na transmissão de informação ­– falha esta a que a aplicação quer dar resposta.

A aplicação Odonto Libras está disponível para 300 mil dentistas brasileiros, de forma gratuita, no sistema Android. Para o sistema IOS, a previsão de lançamento é para 2020.

A aplicação é a segunda parte de um projeto que inicialmente desenvolveu uma plataforma de comunicação entre dentistas e pessoas surdas para computadores.

O Odonto Libras para telemóveis foi desenvolvido em parceria com a Universidade Aberta para o Sistema Único de Saúde (UMA-SUS), criada em 2010, e a Universidade Federal do Maranhão, que tem especialistas na produção de protótipos para dispositivos móveis.

A iniciativa também conta com apoio da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno). Na UEL, o Odonto Libras envolveu professores e estudantes de Odontologia, Design Gráfico e do Departamento de Educação.

A aplicação funciona em duas fases: a primeira é o questionário da anamnese, subdividida em saúde geral e inquérito odontológico. No questionário, o paciente presta informações sobre o seu estado de saúde, medicamentos que toma e doenças.

A segunda fase consiste em descrever os termos linguísticos da odontologia. A aplicação lista os termos em dois separadores: instrumentos e procedimentos, tendo catalogadas cerca de cinco mil palavras no campo semântico da medicina dentária. “Esses termos não existem em ‘sinais’ e precisam ser descritos à pessoa surda. Na app, os termos não são apenas traduzidos, mas descritos e explicados ao paciente.”