Saúde Oral

Será que a medicina dentária precisa de uma reforma radical?

Será que a medicina dentária precisa de uma reforma radical?

A medicina dentária precisa de uma “reforma radical” para melhorar o serviço prestado aos pacientes, sobretudo, em comunidades em situação de vulnerabilidade social. Quem o diz é um grupo de investigação internacional, com elementos de dez países, que acaba de publicar na revista científica The Lancet dois estudos que mostra que os problemas de saúde oral estão a transformar-se num desafio de saúde global e que é tempo de “ação radical”.

Intitulados “Oral diseases: a global public health challenge e Ending the neglect of global oral health: time for radical action”, os estudos argumentam que os atuais sistemas de saúde oral não conseguem responder de forma adequada aquilo que já se transformou numa “epidemia global” – as doenças orais. De acordo com os investigadores, a criação de uma profissão intermédia na medicina dentária “está entre as soluções que podem ajudar a responder aos desafios de recrutamento e aos desafios de acesso aos cuidados”.

Os investigadores argumentam também que “os problemas de saúde têm consequências de saúde, sociais e económicas substanciais. Uma doença oral que não é tratada pode levar à dor, infeção, dificuldades em comer, malnutrição e má qualidade de vida, no geral”. No caso das crianças, conduz, frequentemente a absenteísmo escolar e má performance académica-

Segundo os estudos, as doenças orais, em todo o mundo, são responsáveis por uma despesa de 356, 8 mil milhões de dólares em custos diretos relacionados com tratamentos e de 187,6 mil milhões de dólares de custos indiretos relacionados, por exemplo, com perdas de produtividade devido ao absenteísmo nas escolas e no trabalho.

Além disso, os investigadores sublinham que as doenças orais afetam milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, com as doenças da gengiva a serem consideradas a sexta doença mais prevalente, entre todas as doenças, em 2010, e com o cancro oral a integrar o ranking das 15 doenças oncológicas mais comuns em 2018.

Os autores argumentam, assim, que os atuais sistemas de saúde a prática da medicina dentária não têm sido bem-sucedidos a endereçar estes problemas, recomendando uma restruturação “radical” destes sistemas. De acordo com os investigadores, os serviços de medicina dentária podem ser mais eficientes e devem integrar novos profissionais que se complementem para melhor responder aos desafios.