Investigação

Queimar incenso pode ser prejudicial para a saúde oral

Queimar incenso pode ser prejudicial para a saúde oral

Pessoas que queimam incenso podem ter maior probabilidade de desenvolver infeções orais e doenças sistémicas, uma vez que o incenso altera a composição da microbiota oral, revelou um estudo da New York University Abu Dhabi (NYUAD), publicado recentemente no jornal científico online Scientific Reports.

A queima de incenso é uma prática comum, especialmente na Ásia e países do Golfo Pérsico, embora esteja associada à produção de determinados tóxicos que podem influenciar a saúde.

Agora, um estudo realizado em adultos dos Emirados Árabes Unidos – onde, pelo menos, 90% das famílias queimam incenso para perfumar as casas e roupas –, identificou a hipótese de o uso de incenso estar ligado a alterações na composição da microbiota oral, o que pode ser prejudicial para a saúde.

“Pela primeira vez, estamos a mostrar uma associação entre o uso de incenso e as mudanças na composição de micro-organismos que habitam a cavidade oral. Embora esta seja uma análise preliminar, é, no entanto, uma descoberta importante com potenciais implicações para a saúde”, disse Yvonne Vallès, a principal autora do estudo Incense Burning Is Associated with Human Oral Microbiota Composition, citada pelo portal Dentistry Today.

Os investigadores defendem que é necessário mais trabalho para poderem tirar conclusões. Porém, o estudo que efetuaram às amostras de mais de 300 adultos identificou uma maior alteração da diversidade, da estrutura e da composição da microbiota oral em utilizadores diários, quando em comparação com aqueles que não queimam incenso.

Segundo os investigadores, mesmo em casos de baixos níveis de exposição ao fumo podem existir efeitos adversos sobre a saúde.

A descoberta é particularmente importante dado que a comunidade microbiana desempenha um papel fundamental na manutenção da homeostase, que é a capacidade de o organismo manter um ambiente interno estável apesar das mudanças nas condições externas.

Pesquisas anteriores sugerem que a queima de incenso produz poluentes do ar que aumentam, também, os riscos de doenças cardiovasculares e pulmonares. O fumo do incenso tem altas concentrações de poluentes, como o monóxido de carbono e óxido nítrico, que se encontram igualmente presentes no fumo do tabaco.

Apesar de ser um poluente do ar e constituir potenciais riscos à saúde, não existem diretrizes para o controlo da utilização do incenso, o que Vallès, ex-investigadora da NYUAD, considera particularmente preocupante, principalmente devido à sua utilização em espaços públicos.