Saúde Oral

Promentor Saúde Oral: “Pareceu-nos urgente colocarmo-nos ao lado das clínicas e dos seus gestores para encontrar soluções para os desafios que se avizinham”

Imagine um programa de mentoria, com parceiros como a Universidade Católica e a Deloitte, para apoiar o desenvolvimento de clínicas dentárias e que permitirá melhorar práticas de gestão e eficiência operativa. Esse é o objetivo do Promentor Saúde Oral, um novo projeto que está prestes a arrancar. Falámos com Ricardo Reis, Diretor do Centro de Estudos Aplicados na Universidade Católica Portuguesa, e Sérgio Franco, Chief Mentor Officer, com experiência na área da Saúde/Medicina Dentária como administrador executivo em várias empresas.

O que é o projeto Promentor?

Ricardo Reis – O projeto Promentor resulta de uma colaboração entre a Universidade Católica e a Deloitte para ajudar PMEs a encontrar soluções para os seus problemas de gestão. É algo que traz o saber disponível numa escola de gestão e numa consultora para o ambiente das empresas, num regime colaborativo. Na prática é propor aos participantes que apresentem os seus problemas e desafiar a Católica e a Deloitte em conjunto, entre os seus recursos, a encontrar soluções. Há essencialmente cinco vetores de atuação no projeto Promentor: 1) um aconselhamento individual das empresas participantes; 2) uma partilha de boas práticas entre todas as entidades participantes em cada cluster; 3) um acesso ao networking das entidades promotoras; 4) um acompanhamento estratégico e uma proximidade institucional das entidades que em Portugal coordenam ou regulam cada cluster; 5) uma avaliação de desempenho por indicadores customizados para cada setor.

Quais os objetivos e quais as empresas que integram o projeto?

RR – O objetivo essencial é alargar os recursos e o know-how de gestão dos participantes, colocando-os no centro de um ambiente que conjuga conhecimento, consultoria e network institucional. Na prática é dar às PMEs as mesmas oportunidades que é possível encontrar em grandes empresas, procurando com criatividade soluções entre todos. Os assuntos a abordar vão desde questões do dia-a-dia da gestão, que muitas vezes são pequenos problemas para grandes empresas, mas intransponíveis para PMEs a objetivos estratégicos e de definição de negócio. Para grandes empresas, os recursos internos são muitas vezes suficientes para resolver os primeiros e, se necessário, há disponibilidade para contratar quem apresente soluções para os temas maiores. O tipo de empresas e de instituições que participam neste projeto são PMEs. Neste momento temos já em curso um Promentor dedicado ao desporto, com a participação de federações de várias modalidades, que não sendo propriamente empresas apresentam problemas muito semelhantes a qualquer PME portuguesa. Estamos a trabalhar para estender o conceito a empresas do cluster da indústria de defesa, ao turismo, ao agro-negócio e também nas clínicas dentárias.

Como surgiu a ideia da mentoria de clínicas dentárias?

Sérgio Franco – Quando tive conhecimento, através da divulgação do lançamento do Promentor, achei o modelo muito interessante e que poderia ser uma grande mais-valia para o sector da medicina dentária, pela sua configuração e muito oportuno, pelos desafios que se apresentam ao setor. Conjuntamente com os promotores do projeto chegou-se à conclusão que as clínicas dentárias se enquadravam com o âmbito e objetivos do Promentor. Efetivamente trata-se de um setor excessivamente fragmentado, com um número de clínicas dentárias/consultórios a rondar as 4.300 unidades, com um volume de negócio próximo dos 700 milhões de euros, para cerca de 9.300 dentistas. Apenas um número reduzido de marcas supera as 10 unidades e a que tem maior distribuição geográfica não ultrapassa as 30 unidades.

Estes números contrastam largamente com o que se verifica nos restantes setores de atividade do tecido económico português que, na sua grande maioria, já passaram por processos de consolidação. Com esta configuração, a entrada de novos players, nacionais e internacionais, parece inevitável, sendo uma consequência natural da dinâmica do mercado, numa perspetiva mais global. A nossa vizinha Espanha é, provavelmente, o país onde este processo está mais avançado, com várias cadeias na ordem das centenas de unidades e nas centenas de milhões de euros de faturação. O modelo de franchising tem sido um dos principais fatores de dinamização do mercado. Cerca de 30 franquias reúnem 680 clínicas, com uma dinâmica contínua de aberturas.

As próprias seguradoras assumiram-se como prestadores de serviços e têm as suas redes de clinicas dentárias, com dimensão à escala do país (Adeslas 160 clinicas, Sanitas 180 clínicas).

Segundo o Observatório Sectorial DBK de INFORMA, as cadeias de clínicas, em 2016, representavam já 12% do valor do mercado, com um volume de negócio de 975 milhões de euros e com um crescimento muito superior à média do mercado, cujo valor ultrapassa os 8.000 milhões de euros (11 vezes superior ao mercado português), justificando assim a atenção de vários fundos de investimento, muito ativos nos últimos anos.

RR – Mas o que achamos aliciante no setor é a certeza de que está a passar por uma evolução tecnológica. É um desafio que tem sobretudo a ver com a incorporação dessas novas tecnologias, que permitirá alcançar ganhos relevantes de eficiência e que irá funcionar como fator de competitividade. Seguramente não apenas o funcionamento das clínicas será diferente dentro de poucos anos, mas todo o setor passará por alterações do paradigma da clínica. Perante todas essas alterações pareceu-nos urgente colocarmo-nos ao lado das clínicas e dos seus gestores para encontrar soluções para os desafios que se atravessam já ou se avizinham num futuro próximo.

Quais os principais objetivos do projeto?

SF – Contando com equipas multidisciplinares de mentores e consultores, o Promentor Saúde Oral visa apoiar o desenvolvimento das clínicas, proporcionando meios que dificilmente estariam ao seu alcance, dada a sua dimensão, que permitirão melhorar as práticas de gestão e a eficiência operativa. Visa também estimular o network entre stakeholders relevantes no setor, que poderão acrescentar valor e desenvolver sinergias através da componente de accessing que o Promentor proporciona. No final de cada programa, o que se espera é que cada clínica tenha conseguido implementar os pontos de melhoria identificados e, consequentemente, melhorado a sua performance económica.

O que as clínicas têm a ganhar ao fazerem parte do projeto?

SF – Tendo em conta a dinâmica do mercado e as tendências acima referidas, com o crescimento das cadeias atuais e entrada de novos e maiores operadores é expectável um crescente aumento da competitividade, que irá submeter as clínicas a uma pressão adicional (as novas marcas Walk’in e Dr. Wells, pertencentes aos principais grupos de distribuição nacionais, são uma realidade e revelam ambição de crescimento acelerado). Os ganhos de eficiência que resultam destas estruturas de maior dimensão, com economias de escala a vários níveis, permitem ganhos de produtividade relevantes e oferta de serviços a preços mais competitivos.

Neste contexto não basta manter elevados standard de qualidade dos serviços médicos e o foco na eficiência operativa será cada vez mais relevante. As clínicas de menor dimensão, muitas vezes geridas pelo próprio médico/acionista, que acumula esta importante função de gestão, com a sua principal função de Diretor Clínico, ficarão mais vulneráveis num cenário de maior competitividade. O Promentor, disponibilizando recursos multidisciplinares nas diferentes fases do programa (Diagnóstico, Definição de plano de ação e Acompanhamento na implementação dos pontos de melhoria), funcionará como um reforço de competências de gestão, de que as clinicas passarão a dispor por um determinado período de tempo. Este apoio multidisciplinar poderá responder a necessidades específicas, transversais às diversas áreas de gestão, com impacto na performance da clínica.

Qual a duração do projeto?

SF – O projeto terá a duração mínima de um ano. Contudo, tal como está estruturado e tendo em conta que no final do período a clínica poderá ter outro tipo de necessidades, decorrentes da sua evolução e da evolução do mercado, o Promentor poderá ser renovado, repetindo-se o ciclo de: Diagnóstico, Definição de um novo Plano de Ação e Acompanhamento da implementação de pontos de melhoria.

Quais os valores envolvidos?

SF – Tratando-se de um programa para PMEs, o tema do custo torna-se mais relevante, pelo que foi um fator ao qual demos particular atenção. No entanto, o facto de ser um programa multidisciplinar, com a envolvência de vários recursos (mentores e consultores) e com uma duração mínima de 1 ano, tem que ser tido em consideração na proposta de valor.

Para conjugar estes dois fatores, a proposta de valor que nos pareceu mais equilibrada foi considerar um valor fixo mensal, repartido ao longo dos 12 meses, que estará ao alcance das empresas que aderirem ao projeto, conjugado com um valor que ficará condicionado ao atingimento de objetivos de crescimento (volume de negócio e resultados). Sendo um dos objetivos do programa a melhoria da eficiência económica das clinicas, este é um modelo equilibrado e justo, pois caso este objetivo não seja atingido uma parte do trabalho e dos recursos disponibilizados não será remunerada.

Como é que as clínicas poderão obter mais informações sobre o programa?

SF – O site do Promentor disponibiliza informações genéricas, que poderão consultar em, www.promentor.com.pt. Para informações mais específicas sobre o Promentor Saúde Oral poderão utilizar o e-mail sergio.franco@promentor.com.pt