Investigação

Osso do choco pode ser transformado em próteses dentárias

Osso do choco pode ser transformado em próteses dentárias

E se em vez de deitarmos o osso do choco para o lixo o transformássemos em matéria-prima para criar próteses dentárias, revestimentos para implantes ortopédicos e implantes dentários? Foi sob esta premissa que Mafalda Guedes, investigadora e professora de Materiais para Aeronáutica, Biomateriais e Materiais de Reciclagem da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal decidiu iniciar o projeto de investigação HAchoco.

Apresentado esta quarta-feira (23 de outubro), o projeto de investigação nacional descobriu que o osso do choco, rico em fosfato de cálcio, pode ser transformado e aproveitado para a indústria biomédica, em próteses e na medicina dentária.

De acordo com o estudo científico, o choco tem o potencial de ser transformado, por meio de um processo químico, em hidroxiapatite, o principal constituinte dos tecidos duros do corpo humano.

O projeto, que contou ainda com a colaboração do docente do Instituto Superior Técnico Alberto Ferreira e de quatro alunas da licenciatura de Engenharia de Produção e Tecnologia Biomédica do Instituto Politécnico de Setúbal, aplica a moagem reativa, que promove reações químicas à temperatura ambiente através da energia fornecida pelo impacto de esferas.

“Este processo de moagem reativa, que pode demorar entre 30 minutos a 12 horas, numa velocidade de 200 a 600 rotações por minuto, não é nada complexo e é realizado à temperatura ambiente, sendo, por isso, de baixo custo. Esta transformação já foi realizada também com ovos de galinha e com conchas de ostra”, explica a investigadora responsável pela investigação, Mafalda Guedes.

Os investigadores revelam ainda que, com um osso, que pesa cerca de dez gramas, é possível fabricar quatro gramas de hidroxiapatite, “com elevado valor acrescentado na indústria biomédica”.