Congresso OMD

Ordem quer medicina dentária na medicina de trabalho e alargamento do cheque-dentista a emergências

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) vai defender a integração da medicina dentária na medicina de trabalho e o alargamento do cheque-dentista a emergências e pacientes edêntulos. Estas foram algumas das medidas anunciadas durante a sessão de abertura do 28.º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, que se encontra a decorrer até amanhã, dia 16 de novembro, na FIL, em Lisboa.

Na sessão de abertura do evento — onde eram esperados 5500 congressistas, mas, até ao momento, já foram registados 6000, segundo dados da organização —, o bastonário da OMD, Orlando Monteiro da Silva, salientou o percurso realizado pela entidade: “Fizemos um longo e difícil caminho, mas há um longo caminho a percorrer […]. A promoção do acesso à medicina dentária é um trabalho de todos.”

O secretário de Estado da Saúde, António Sales (em substituição do primeiro-ministro António Costa, que não pôde estar presente por conflitos de agenda); o presidente do Conselho Económico e Social e ex-ministro da Saúde, António Correia de Campos; e o presidente da Federação Dentária Internacional, Gerhard Seeberger, também estiveram presentes no evento, bem como Sofia Arantes e Oliveira, presidente da Comissão Organizadora do Congresso da OMD.

Num vídeo institucional exibido pela OMD ao longo da sessão, a Ordem anunciou que vai ainda continuar a debater-se pela criação da carreira no Serviço Nacional de Saúde, uma “medida estruturante” e que “aguarda o aval do ministro das Finanças”, bem como pela aposta na formação contínua.

De acordo com o bastonário da OMD, a entidade tem tentado “aperfeiçoar a acessibilidade da população aos tratamentos” e “sensibilizar a população para a importância da saúde oral”.

“Acima de tudo, a nossa Ordem soube incidir os seus esforços naquilo que pode fazer, realçando a relevância da atividade dos seus profissionais”, disse Orlando Monteiro da Silva.

Afirmando que valoriza o “diálogo aberto e franco que tem existido da parte da OMD das suas ideias, anseios e preocupações”, António Sales, secretário de Estado da Saúde, defendeu que “é nessa reciprocidade que se desenham políticas capazes de mudar o País” e destacou “os mais de 300 mil tratamentos de medicina dentária realizados no Serviço Nacional de Saúde”.

Já Correia de Campos, antigo ministro da Saúde que aprovou durante o seu mandato a criação do cheque-dentista, recorreu a vários dados estatísticos para caracterizar a profissão e estabelecer novas metas.

Criticando “o financiamento a cargo do próprio utilizador” dos tratamentos de medicina dentária — que situou em 93% de todos os tratamentos realizados em Portugal — o atual presidente do Conselho Económico e Social explicou que a profissão se encontra “a caminho do assalariamento” e defendeu a criação de incentivos para a deslocação de dentistas para o interior de Portugal, onde há maior falta de profissionais.

Visivelmente emocionada, Sofia Arantes e Oliveira sublinhou ainda que este “é um congresso grandioso, o maior de sempre em Lisboa”. Mas, num congresso em que se tem apelado à unidade de classe e à maior inclusão da medicina dentária na medicina geral, foi o presidente da Federação Dentária Internacional, Gerhard Seeberger, que deu o mote (com algumas palavras em português pelo meio): “Somos mais fortes juntos.”