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OMD quer que Estado comparticipe cuidados de saúde oral

OMD quer que Estado comparticipe cuidados de saúde oral

Orlando Monteiro das Silva, bastonário de da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) afirmou, em entrevista à agência Lusa, que a grande maioria da população da classe média não pode aceder a cuidados de medicina dentária e que o Estado português deveria comparticipar os tratamentos de saúde oral.

De acordo com dados da OMD, entre 50% e 60% dos utentes pagam as consultas ou os tratamentos de medicina dentária de forma integral no ato da consulta, contudo, existem entre 13% e 16% de portugueses que pagam através de seguro, entre 10% e 13% que têm acesso a um subsistema público e entre 5% e 7% que têm planos de saúde. Para além destes, existem ainda 6% de utentes que pagam através de cheque dentista e entre 3% a 5% que pagam este tipo de tratamentos recorrendo a crédito.

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas defende que “era fundamental [criar] uma comparticipação para os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) quando não exista médicos dentistas nos centros de saúde, para complementar o programa do cheque dentista e para a generalidade da população. É preciso criar mecanismos de comparticipação das consultas. Para ajudar as famílias, até da classe média, a ter acesso à medicina dentária.”

E apesar de 44% dos médicos dentistas em Portugal indicar que o número de utentes aumentou entre os anos de 2016 e 2017, a OMD acredita que existe ainda uma grande parte da população nacional que “não tem capacidade económica para ir ao médico dentista”.

“As pessoas que não têm capacidade económica não vão ao médico dentista e as que não vão também não têm capacidade para fazer um seguro [de saúde]. É preciso investir muito no acesso à medicina dentária, criar outros mecanismos que ajudem os portugueses com menores recursos. Mesmo a classe média está impedida, em grande parte, de ter acesso à medicina dentária, porque apenas está presente no setor privado”, defende Orlando Monteiro da Silva.

Segundo a OMD, o Estado português precisaria de cerca de 280 milhões de euros por ano para que todos os utentes tivessem acesso a cuidados de medicina dentária em regime de convenção com consultórios privados, um valor que, de acordo com a ordem, permitiria incluir cerca de 90% dos cuidados de saúde oral (extrações, desvitalizações ou limpezas) para todos os utentes do SNS.