Entrevista

Miguel Seruca Marques: “A medicina dentária é seguramente mais qualificada do que há duas décadas”

Miguel Seruca Marques: “A medicina dentária é seguramente mais qualificada do que há duas décadas”

Foi Figura do Ano na área da Endodontia na edição de 2017 dos Prémios Saúde Oral e está há vários anos a exercer nos Países Baixos. Numa altura em que nos aproximamos da realização dos Prémios Saúde Oral 2018, entrevistámos o médico dentista que se dedica a 100% à endodontia.

Como surgiu a oportunidade de ir para o estrangeiro e o que está a fazer neste momento?

A oportunidade de ir para o estrangeiro (Países Baixos) surgiu em setembro de 2010 numa altura em que reorganizei as minhas prioridades e decidi que seria um desafio interessante tentar concorrer a uma pós-graduação no estrangeiro. Dado o meu interesse em diversas áreas da medicina dentária decidi orientar os meus interesses para uma pós-graduação de endodontologia e em outubro de 2010 formalizei a minha candidatura à pós graduação de endodontologia na ACTA (Academisch Centrum Tandheelkunde Amsterdam) para o triénio 2011/2014.

Após o normal processo de seleção fui um dos candidatos aprovados e mudei-me em setembro de 2011 para Amesterdão para poder completar o programa. Os três anos de pós-graduação excederam as minhas expectativas em diversas dimensões e após a graduação foi natural permanecer nos Países Baixos a exercer Medicina Dentária. Atualmente encontro-me a trabalhar como médico dentista endodontista nos Países Baixos e na clínica Vasco Venceslau em Lisboa.

Como vê a evolução da endodontia nos últimos tempos?

A endodontia nas últimas duas décadas sofreu uma enorme evolução tecnológica, contudo essa evolução não se acompanhou de um aumento significativa do sucesso dos tratamentos endodônticos. Os possíveis factores envolvidos nesta aparente desarmonia são de natureza diversa, mas a literatura aponta algumas direções no que diz respeito à importância das novas tecnologias e da diferenciação dos médicos dentistas.

Aparentemente, a diferenciação parece ser o um fator preponderante no aumento das taxas de sucesso dos nossos tratamentos e perante este dado vejo com enorme satisfação o aumento das oportunidades de formação pós-graduada, particularmente em Portugal. Vejo igualmente com enorme satisfação o surgimento de novos materiais no armamentário terapêutico, na medida em que o espectro de possibilidades aumentou consideravelmente.

Quais as principais evoluções a registar?

As principais evoluções ocorreram em campos diversos, mas registaria em primeiro lugar as de natureza tecnológica e em segundo lugar as técnicas. Nas evoluções de natureza tecnológica salientaria a crescente diversidade de limas ao nosso dispor que vieram permitir negociar sistemas canalares de maior complexidade.

Nas evoluções de natureza técnica salientaria a crescente preocupação com tratamentos mais conservadores com abordagens extraordinariamente conservadoras da estrutura dentária. Estas abordagens resultam da combinação da crescente formação pós-graduada e da introdução do microscópio operatório em todos os programas pós graduados de endodontia. Este binómio tem sido o berço da endodontia moderna.

Equaciona voltar a Portugal para exercer medicina dentária?

Atualmente trabalho apenas um dia por mês em Portugal e está dentro dos meus objetivos aumentar o número de dias em que exerço medicina dentária em Portugal, contudo esse objetivo depende de obrigações contractuais que me prendem aos Países Baixos e diria que esse será um cenário a longo prazo.

Como vê a evolução da Medicina Dentária em Portugal e no mundo?

A evolução da Medicina Dentária tem-se pautado por uma crescente diferenciação dos médicos dentistas e esse facto tem trazido os seus frutos nas últimas décadas. A medicina dentária é seguramente mais qualificada do que há duas décadas, mas algo diferente não seria de esperar numa disciplina tão dependente do conhecimento e do treino. Profissionais mais conhecedores e mais treinados conseguem providenciar melhores tratamentos.