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Malo Clinic recebe quatro milhões de investimento (que pode ir até 15 milhões)

Credores da Malo Clinic exigem 94,6 M€

Há vida na Malo Clinic depois de Paulo Malo – a Atena Equity Partners, private equity que adquiriu a empresa de medicina dentária em maio deste ano, apresentou hoje o seu plano estratégico à imprensa, que prevê um investimento imediato de quatro milhões de euros (extensível até 15 milhões) para “aumentar a capacidade existente” da Malo Clinic e “gerar valor”, disse António Pereira, CEO do grupo fundado por Paulo Malo em 1995.

A soma de 15 milhões de euros, parte de um fundo total de 75 milhões de euros, é o investimento máximo que o fundo da Atena tem previsto para expandir a Malo Clinic em Portugal e no estrangeiro, mas João Rodrigo Santos, partner da private equity e presidente do conselho de administração da Malo Clinic, admite que, “dependendo das oportunidades que surjam nos próximos dois ou três anos”, o valor total possa ser estendido até aos 40 milhões de euros, com o apoio de cofinanciadores.

Por agora, a Atena tem previsto um investimento imediato de quatro milhões de euros, valor este já acordado com os credores no âmbito do Processo Especial de Revitalização (PER) que a empresa iniciou em agosto e que foi aprovado, segundo Santos, “com cerca 80% dos votos dos credores”.

Ainda segundo o partner da Atena, o PER cumpriu o propósito de resolver as dívidas da Malo Clinic: “O lastro de dívida passado já está resolvido”, garantiu João Rodrigo Santos. Ao abrigo do PER, a Malo Clinic viu a sua dívida ser perdoada em mais de 40 milhões de euros, mais de metade dos quais do Novo Banco.

Novas clínicas no Algarve, Norte e Centro

Confirmada a saída de Paulo Malo até ao final deste mês – o fundador original da Malo Clinic já prometeu que irá fazer concorrência no setor –, a Atena vai usar o seu investimento imediato de quatro milhões para desenvolver algumas iniciativas: ficou prometida a abertura de uma nova clínica em Portimão, que virá colmatar a falta de capacidade já mostrada pela sua colega de Alvor, bem como dois novos gabinetes médicos no Norte e Centro do País, em locais ainda a definir.

João Rodrigo Santos na apresentação do plano estratégico de hoje, na sede da Malo Clinic, em Lisboa

 

No plano internacional, a Atena vai também implementar uma estratégia diferente: em vez da abertura de clínicas próprias no estrangeiro, a private equity pretende apenas alavancar o crescimento que se tem registado na Polónia, com a abertura de novos gabinetes, enquanto a restante expansão internacional será feita por via do turismo de saúde. “A nossa estratégia não é abrir Malo Clinics pelo mundo inteiro, tem mais que ver, do ponto de vista internacional, da atração do turismo de saúde. É muito melhor e mais rentável trazer essas pessoas para cá do que abrir empresas de raiz noutros países”, explicou João Rodrigo Santos.

De acordo com o presidente do conselho de administração, foi exatamente “a expansão internacional demasiado rápida” da Malo Clinic que gerou problemas financeiros internacionais. “Durante todos estes anos, a atividade em Portugal foi rentável”, sublinhou.

Afirmando que a Atena pretende ficar com a Malo Clinic durante “muitos anos”, o partner da Atena esclareceu ainda porque é que a private equity 100% nacional se deixou atrair para este negócio: “Há poucas empresas em Portugal com este potencial de expansão – desde que faço este trabalho, para mim, é caso único.”

O objetivo da Atena para a Malo Clinic é alcançar um crescimento médio anual de 5% até 2025, sendo que o volume de negócios previsto para este ano é de 34,65 milhões de euros, valor que deverá crescer para cerca de 35,4 milhões de euros em 2020. As projeções incluem a Malo Clinic, a operação na Polónia e a Dentina, empresa de importação e distribuição de material dentário.

António Pereira, CEO da Malo Clinic, enumerou ainda as áreas que vão ser desenvolvidas com o atual investimento da Atena: a Malo Clinic vai apostar na digitalização, na valorização do seu pessoal, no investimento em investigação e desenvolvimento e apostar no seu setor de formação, pelo qual já passaram mais de nove mil médicos de 45 nacionalidades.

“Temos concorrência há anos”

Quanto à concorrência prometida por Paulo Malo, João Rodrigo Santos desvalorizou as afirmações do fundador da Malo Clinic: “Dos 27 mil clientes que tratámos no ano passado, menos de 0,5% foram tratados por Paulo Malo e os números são semelhantes em 2017 e 2018. Temos concorrência há anos e anos. Formamos potenciais concorrentes.”

Os atuais detentores da Malo Clinic esclareceram ainda que foram fechadas três clínicas – duas em Guimarães e uma em Sintra – no âmbito deste processo, “para as quais não tinham plano estratégico”, disse Santos. Os funcionários destas clínicas foram reencaminhados para outras unidades Malo, quando possível, mas o presidente do conselho de administração garantiu que não houve mais saídas durante o processo. “Temos um corpo clínico unido”, disse.

Quanto aos investidores que estão a permitir esta nova vida para o grupo, João Rodrigo Santos explicou que são estado-unidenses e suíços, na sua maioria, especialmente fundações, universidades e institutos. “Não temos bancos”, assegurou.

A Atena Equity Partners detém em Portugal 49,9% do grupo editorial Leya, entre outros investimentos em áreas como a educação, indústria e engenharia.

Números Malo Clinic

  • Corpo clínico de 120 médicos
  • Experiência acumulada de mais de 160 mil pacientes
  • 6 laboratórios (Lisboa, Porto, Cascais, Coimbra, Portimão, Funchal)
  • Mais de 800 reabilitações totais por ano

I&D:

  • 63 colaboradores (3 exclusivos)
  • 93 publicações científicas
  • 5 patentes / modelos de utilidades ativos