Saúde

IPO do Porto cria linha para ajudar profissionais de saúde com questões sobre cancro de cabeça e pescoço

IPO do Porto cria linha para ajudar profissionais de saúde com questões sobre cancro de cabeça e pescoço

O Instituto Português de Oncologia do Porto criou um email para que os profissionais de saúde possam colocar as suas dúvidas e trocar informações sobre o cancro de cabeça e de pescoço. De acordo com Jorge Guimarães, coordenador da Clínica de Cabeça e Pescoço do IPO-Porto, o objetivo é “ajudar, orientar e até encaminhar determinados doentes para o hospital”.

De acordo com a Lusa, o IPO do Porto realizou recentemente uma formação que abrangeu cerca de 150 médicos de família, dentistas e enfermeiros sobre o cancro de cabeça e pescoço, uma sessão que teve como objetivo “partilhar informação com os técnicos de saúde primária que não estão habituados a lidar com este tipo de problemas [tumores de cabeça e pescoço] fora da instituição”.

Jorge Guimarães explica que ainda existe junto destes profissionais “algum défice de formação” relativamente ao cancro da cabeça e pescoço e “pouca incidência dada aos tumores da cavidade oral nos cursos de medicina dentária e medicina”. Um problema que pode estar por detrás do facto de, em Portugal, cerca de “50% dos diagnósticos realizados” ainda serem feitos em fases avançadas da doença, segundo dados do Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP).

Ana Castro, presidente do GECCP, refere que “habitualmente este tipo de cancro é mais comum em homens com idade superior a 50 anos, fumadores, que consomem muito álcool e com maus cuidados de higiene oral. Mas, neste momento, começamos a ter doentes jovens, abaixo dos 40 anos, que estão associados a infeções pelo vírus do papiloma humano.”

Para a presidente do GECCP, é essencial “um esforço educativo” que explique à população a importância da higiene oral, mas também do risco de infeção pelo vírus do papiloma humano. “É fundamental as pessoas saberem que esta doença existe. Infelizmente ainda não alteramos o panorama de que três pessoas morrem em Portugal, por dia, com este cancro”, diz em declarações à Lusa.