Saúde oral

Governo quer alargar cheque-dentista; OMD já elogiou medida

Genética não influencia saúde oral, mas a dieta da mãe pode influenciar

A saúde oral não ficou de fora do Programa do XXII Governo Constitucional, que foi aprovado este fim de semana em Conselho de Ministros e entregue na Assembleia da República. Uma das promessas do Governo é alargar o cheque-dentista a todas as crianças entre os dois e os seis anos de idade, medida que já foi elogiada e que vai ao encontro das reivindicações do bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva.

“Espero que seja para todas as crianças. Faço a leitura de que a medida se destina finalmente a não discriminar crianças em função de frequentarem a pré-primária pública ou privada”, disse o bastonário à agência Lusa.

Atualmente, os cheques-dentista são atribuídos a crianças que estudam em escolas públicas a partir do ensino básico.

Para o bastonário da OMD, a medida devia ser aproveitada para reformular o programa do cheque-dentista, nomeadamente criando um grupo de trabalho para rever as mudanças e atualizações necessárias. As propostas de Orlando Monteiro da Silva preveem que o cheque deixe de ser atribuído em papel, sem atrasos e que o seu valor pré-troika seja reposto (40 euros em vez dos atuais 35).

“Era um valor já relativamente simbólico comparativamente às intervenções que os dentistas têm muitas vezes de realizar, não só a crianças como a grávidas ou idosos com o complemento solidário. É tempo de repor o valor do corte que foi efetuado. Há um conjunto de situações, não só alargamento a partir dos dois anos, que necessitam de ser reformuladas para ter um programa de saúde oral melhor para a população e para os médicos dentistas”, defendeu, em declarações à Lusa.

De acordo com a proposta Boa Governação: Contas certas e convergência, investimento nos serviços públicos, melhoria da qualidade da democracia e valorizar as funções de soberania, o Executivo prevê ainda “reduzir os custos que os cidadãos suportam na saúde”, alargando “a cobertura de medicina dentária no SNS”, entre outras medidas, como a eliminação do pagamento de taxas moderadoras nos centros de saúde e quando o paciente é referenciado pelo SNS.

Isto porque o Governo admite que as famílias portuguesas estão entre as que mais suportam pagamentos diretos na saúde na Europa: “Uma tendência que se acentuou nos anos da assistência económica e financeira e cuja inversão se revela difícil.”