Saúde

E se o Google lhe dissesse quando vai morrer?

E se o Google lhe dissesse quando vai morrer?

A Google criou uma ferramenta que consegue prever quanto tempo de hospitalização um paciente necessita, se tem probabilidades de voltar a ficar doente e até se irá morrer a curto prazo. Este software está a ser desenvolvido por uma equipa interna da empresa chamada ‘Medical Brain’ em conjunto com a Universidade de Stanford e os primeiros resultados foram agora dados a conhecer através de um artigo publicado na revista científica Nature.

De acordo com o artigo agora publicado, a tecnologia testada pela Google com os investigadores da Universidade de Stanford consegue prever a morte de um paciente hospitalar com uma precisão de 95% graças a ferramentas de inteligência artificial que combinam os dados do paciente com informações hospitalares (sinais vitais, diagnósticos, fichas dos pacientes, etc.).

No estudo é apresentado o caso de uma paciente do sexo feminino com cancro de mama em estado avançado e que foi examinada por dois médicos num hospital e fez exames radiológicos. Os computadores utilizados tradicionalmente no hospital para analisar os sinais vitais da paciente estimaram 9,3% de probabilidade de morrer durante a hospitalização. O software da Google estimou um risco de morte de 19,9% durante a hospitalização. A paciente acabou por morrer dias depois desta análise.

De acordo com a Bloomberg, “a rede neural [deste software] processou toda a informação e, rapidamente, emitiu as previsões. Cerca de 80% do tempo despendido nos atuais modelos de previsão é para tornar os dados apresentáveis”, um trabalho que, segundo Nigam Shah, investigador da Universidade de Standford e um dos autores do estudo realizado com a Google, “é entediante”.

Segundo a Google e os investigadores da Universidade de Stanford, o futuro poderá passar pela comercialização desta tecnologia a hospitais e clínicas para tornar os diagnósticos mais certeiros e, assim, tornar os tratamentos mais eficazes. Um estudo recentemente publicado pela consultora Accenture estima que a inteligência artificial no mercado da saúde atinja um valor de 6,6 mil milhões de dólares até 2021.