Clínicas Dentárias

Clínica Pure: Endodontia avançada

Clínica Pure: Endodontia avançada

Sempre foi fascinado por microscópios e chegou a trabalhar em 10 clínicas em simultâneo. Dedica-se em exclusividade à Endodontia e desde finais de 2017 que tem um projeto novo, em parceria com Joana Pinheiro – a Clínica Pure, Medicina Dentária e Endodontia Avançada. Falámos com Filipe Aguilar, que também está à frente da EndoAcademy.

O branco impera na recém-inaugurada Clínica Pure – Medicina Dentária e Endodontia Avançada. O branco e o espaço amplo, já que ao todo estamos a falar de 400m2, que incluem uma sala de formação. Inaugurada em Dezembro de 2017 junta no mesmo espaço dois médicos dentistas: Joana Pinheiro e Filipe Aguilar, com quem conversámos sobre o novo projeto. “Antes tinha uma clínica só minha, até que a Joana Pinheiro, com quem já tinha trabalhado numa outra clínica, me convidou para dividir este espaço. Ao todo são quase 400m2, que é o quádruplo da minha antiga clínica, que só tinha dois gabinetes. O espaço era limitado e tinha vontade de encontrar um sítio maior”.

Fascínio pela microscopia

Fazendo um flashback na carreira de Filipe Aguilar, tudo começou com o desejo de entrar para o curso de Medicina para seguir as pegadas do pai e do avô, ambos oftalmologistas. “Acabei por entrar em Medicina Dentária e comecei a gostar, tanto que depois já nem ponderei mudar de curso”. Quando terminou a faculdade “fiquei a dar aulas de Histologia, que envolvia muito o trabalho com microscópios. Sempre gostei muito do trabalho de laboratório e no ensino secundário estive mesmo ligado a um grupo de microscopia”. Ficou associado à Histologia durante oito anos, até 2007, até que surgiu a possibilidade de ficar como monitor de Endodontia, a par do trabalho em várias clínicas.

“Abri o meu pequeno consultório em 2002, sem carteira de clientes, e basicamente trabalhava em outros consultórios para conseguir pagar o meu, onde trabalhava quase em exclusividade em Endodontia, com pacientes referenciados. Cheguei ao ponto de, em 2011, trabalhar em 10 clínicas, sendo que já tinha oito ou nove anos com o meu consultório”. Foi nesta altura que começou a centrar atenções no seu próprio projeto e em 2013 “fiquei sem colaborações, acabei com tudo e fiquei com o meu consultório, que já era na Av. 5 de Outubro, um espaço só meu onde fiquei até 2017, quando me mudei para aqui”.

Sala de formação

A par do trabalho na clínica, Filipe Aguilar e Miguel Albuquerque Matos formaram a Endoacademy, um projeto que tem vindo a crescer nos últimos anos. “A perspetiva de ter uma sala de formação na nova clínica foi uma das coisas que mais me atraiu porque no meu antigo consultório não tinha muito espaço”, revela Filipe Aguilar. “Estou ligado à Endoacademy e como tal queria ter uma sala de formação. Sempre dei cursos de Endodontia como convidado, até que senti vontade de ter o meu próprio projeto. Foi assim que em Julho de 2012 nasceu a Endoacademy”.

Em Setembro de 2012 arrancaram com o primeiro curso, um em Lisboa e outro no Porto. “Foi uma loucura montar o curso em dois meses, com agosto pelo meio. Mas foi esse contra relógio que foi espetacular”. Optaram pela promoção dos cursos via Facebook, uma estratégia que se revelou completamente acertada. “Os cursos de endodontia viviam num marasmo, havia um monopólio estabelecido e quando assim é há pouca dinâmica. Tornámos o curso mais informal, sem fato e gravata, sem a figura do senhor doutor. Os nossos cursos são totalmente informais e tentamos que as pessoas cheguem ao fim de uma aula teórica e tenham à vontade para colocar a dúvida mais idiota que possa surgir. Não tem de haver vergonha. Ainda há muito o medo de colocar a dúvida e não tem de ser assim”.

Uma montra no consultório

Um dos requisitos que Filipe Aguilar fez questão de ter na nova clínica foi a instalação de uma montra de vidro, entre o seu consultório e a sala de formação, e que permite aos alunos verem o paciente na cadeira. “Planeei a estrutura da clínica para ter esta dinâmica e a parede de vidro. Sabia muito bem o que queria e onde colocar as coisas”.

Neste momento, a Endoacademy tem quatro cursos modulares, no Porto e em Lisboa, mas como cada vez mais pessoas estão a apostar no imediato e não têm tempo para fazer o curso em três meses, surgiu a possibilidade de abrir cursos intensivos, de cinco dias. “São cursos que decorrem de sexta a terça-feira para quem quer aprender e não quer estar à espera”. Para 2018 a ideia passa por abrir turmas avançadas “para as pessoas que já fizeram cursos connosco e queriam dar continuidade ao curso modular. Uma Endodontia moderna. São três dias de um curso mais focado para tratamentos de elevado grau de dificuldade, remoção de limas de instrumentos fraturados, tratamento de canais calcificados”.

No novo consultório, Filipe Aguilar tem dois microscópios, um dos quais foi o seu primeiro grande investimento, em 2002. “Na altura entrei no mestrado e comprei-o. Muito pouca gente tinha microscópio em Portugal e na altura distingui-me por isso pois permite fazer tratamentos que de outra forma não eram possível. Hoje em dia já comprei outro, mas ainda uso o primeiro. Foi um bom investimento e é algo do qual não abdico”.

O mais recente investimento que fez para aumentar a qualidade de trabalho foi um CBCT, “uma tomografia 3D e que me permite ver o dente tridimensionalmente. Não é uma máquina que se invista e que consigamos retirar rentabilidade imediata, porque são equipamentos caros. Mas a longo prazo a melhoria do trabalho, a possibilidade de mostrar imagens mais atrativas aos nossos referenciadores e aos pacientes faz compensar o investimento. Não me arrependo porque foi um upgrade muito grande na minha forma de trabalhar”.

Planos para 2018? Por estranho que possa parecer, conseguir controlar o crescimento dos projetos. “O meu medo é que comece a ter dois projetos que antigamente eram pequenos e que de repente ganhem vida própria, que os tentáculos comecem a saltar fora do frasco e fujam ao meu controlo. Passo muito tempo na clínica e quando vim para cá fazia questão de poucas coisas: uma sala de formação, a parede de vidro e um chuveiro. Por vezes passamos mais tempo na clínica que na própria casa e queria ter possibilidade de tomar um banho. Quero o mesmo conforto que tenho em casa”.