Cheques-dentista

Cheques-dentista: estudo revela razões pelas quais não são usados

Quase dez anos depois do lançamento do programa dos cheques-dentista para as crianças de sete, dez e 13 anos das escolas públicas, ainda existem muitos beneficiários que não utilizam estes vales

Quase dez anos depois do lançamento do programa dos cheques-dentista para as crianças de sete, dez e 13 anos das escolas públicas, ainda existem muitos beneficiários que não utilizam estes vales. Em 2017, a taxa de utilização nesta faixa etária atingiu os 77,9%.

De acordo com um estudo recentemente publicado na revista Acta Médica, citado pelo jornal Público, por detrás da não-adesão aos cheques-dentista está o facto de muitos encarregados de educação se esquecerem e deixarem passar o prazo de validade dos vales dos filhos.

O estudo indica também que no caso do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lisboa Ocidental e Oeiras, no ano letivo de 2014/2015, a adesão não passou dos 23%, com 21,5% dos encarregados de educação inquiridos a admitir que não utilizaram os cheques-dentista porque se esqueceram e deixaram passar o prazo de validade e 4,4% a indicar que os perdeu. 23,7% diz também que o principal motivo para não utilizar o cheque é o facto de as crianças já serem seguidas por dentistas privados que não são aderentes do programa e 5,9% diz que os seus filhos não necessitam do vale porque têm seguro de saúde.

Além disso, o estudo dá conta de algumas dificuldades na localização de médicos dentistas aderentes ao programa (10,4%) e de alguns encarregados de educação que dizem não ter recebido qualquer informação sobre como utilizar os vales (9,6%).

Ouvido pelo jornal Público, Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), sublinha que “já há muito tempo se percebeu que há dois grupos de famílias que tendem a aderir menos a este programa, por um lado as mais desfavorecidas do ponto de vista socioeconómico e com menor literacia e, por outro, aquelas em que os menores são já seguidos por médicos dentistas privados”.

Para combater este problema, o Governo anunciou o ano passado que vai apostar na digitalização dos cheques-dentista, que vão passar a ser enviados para o telemóvel ou para o email do paciente, graças a um boletim de saúde oral que o Executivo pretende criar.

De acordo com o Executivo, esta medida servirá para aumentar a taxa de utilização dos cheques-dentista, até porque assim que for operacionalizada, o encarregado de educação dos beneficiários dos cheques recebe mensalmente uma espécie de ‘lembrete’ a recordar que o podem utilizar.