Medicina do Sono

“Para atuar no sono temos de saber de sono e não de aparelhos intraorais”

“Para atuar no sono temos de saber de sono e não de aparelhos intraorais”

O Evento SONO’18, que integrou o 2º Encontro Latino-Americano e o 1º Congresso Português de Cronobiologia e Medicina do Sono, organizado pela Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono (APCMS) e pelo Grupo Latino-Americano de Cronobiologia e Medicina do Sono, aconteceu nos dias 16 (Dia Mundial do Sono) e 17 de março, em Lisboa.

Durante o workshop (pré-congresso) ‘Medicina Oral do Sono’, Lilian Giannasi, coordenadora de capacitação avançada em odontologia do sono, explicou que os aparelhos intraorais contribuem para “a redução ou eliminação de alguns casos de apneia do sono”. Na verdade, de acordo com a oradora, graças a estes aparelhos “podemos prevenir algumas doenças e ajudar no controlo de outras”.

Lilian Giannasi expôs ainda aquilo que se está a passar em Inglaterra, onde já existem aparelhos intraorais que o paciente pode adquirir sem necessidade de recorrer à orientação de um profissional. “A Indústria quer que o paciente tenha diretamente acesso ao aparelho sem passar pelo médico dentista”. Porém “temos de focar no profissional”, alertou a coordenadora, justificando que “o paciente não sabe identificar qual a patologia que tem e o uso do aparelho sem orientação poderá prejudicá-lo”.

Saber de sono

À SAÚDE ORAL Miguel Meira e Cruz, presidente do SONO’18, explicou que o evento tem “uma relevância capital”, dado que “se reuniu aqui alguns dos maiores especialistas mundiais do sono em diversas áreas”.

Em relação ao workshop, o responsável salientou que “contemplou os aspetos fundamentais que os médicos dentistas devem estar a par no relativo à Medicina do Sono para poderem atuar adequadamente, nomeadamente suspeitar, referenciar ou mesmo tratar”.

Miguel Meira e Cruz explicou, neste sentido, que “para atuar no sono temos de saber de sono e não de aparelhos intraorais”. Assim sendo, para o médico dentista, o fundamental é “saber diagnosticar corretamente o doente, dado que existem quase 90 doenças do sono, algumas das quais graves”.