Medicina Dentária

70% dos dentistas diz que tabela de valores de referência para a prestação de serviços “é importante”

70% dos dentistas diz que tabela de valores de referência para a prestação de serviços “é importante”

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) publicou esta quinta-feira (22 de fevereiro) o seu estudo de ‘Diagnóstico à Empregabilidade 2017’, um documento que faz uma análise ao emprego no setor e que revela que os médicos dentistas que se formaram há menos de dez anos enfrentam dificuldades crescentes para se integrarem no mercado de trabalho.

De acordo com o estudo, depois da conclusão da faculdade, a entrada no mercado de trabalho demorou menos de seis meses para 78% dos médicos dentistas. Como indica o estudo, apenas “os que se formaram há mais de dez anos conseguiram, em média, uma inserção muito mais rápida, com 59% a exercerem a atividade em menos de um mês.”

Para além disso, ficamos a saber que 63% dos médicos dentistas que exercem a profissão em Portugal trabalham em um ou dois consultórios. Contudo, mais de metade dos dentistas que se formaram há mais de três anos e menos de dez trabalham em mais do que quatro consultórios, e dos que têm mais de 51 anos, 60% exercem apenas num consultório.

“Outra diferença é que os que se formaram há mais de 10 anos são os que mais exercem atividade por conta própria (69%), e os que trabalham há menos de 10 anos por conta de outrem (77%). A remuneração dos médicos dentistas varia consoante o número e o custo dos procedimentos. 66% rem uma remuneração variável e apenas 24% dos que exercem na vertente clínica aufere uma remuneração fixa. O início de carreira é marcado por uma remuneração baixa quer para os que trabalham muitas horas quer para os que trabalham menos”, indica ainda o estudo.

70% dos dentistas diz que tabela de valores de serviços é “muito importante”

O documento agora divulgado pela Ordem dos Médicos Dentistas refere que 70% considera “muito importante a criação de uma tabela de valores de referência para a prestação de serviços”, uma medida que não pode ser implementada pela OMD.

Orlando Monteiro da Silva, bastonário da OMD, refere que “existe a necessidade de legislar no sentido da implementação de uma tabela de valores de referência (preços) dos atos de medicina dentária, assegurando parâmetros de qualidade, transparência de informação e defesa da saúde pública. Há exemplos de regulação tarifária para profissões liberais existente em vários países, com provas dadas na proteção dos consumidores. Este estudo mostra que uma percentagem muito elevada de médicos dentistas concorda com esta opção”.

Para além disso, o bastonário refere que “para além da figura do empregado ou do desempregado, é essencial legislar no sentido da criação do conceito de subemprego. A profissão liberal encontra-se desprotegida pelas leis do trabalho, nomeadamente em termos de categoria profissional, empregabilidade, maternidade, proteção na doença, acidentes de trabalho, incapacidade profissional e reforma. O facto de a maioria (63%) dos médicos dentistas, principalmente os mais jovens, se encontrarem a exercer em diferentes clínicas e consultórios é disso prova”.

Orlando Monteiro da Silva deixa ainda uma recomendação para aqueles que estão neste momento a estudar medicina dentária. “Os candidatos ao mestrado integrado de medicina dentária devem informar-se sobre as condições de empregabilidade da profissão no contexto nacional, sobre a elevada taxa de emigração e outras condições gerais da profissão, nomeadamente em termos salariais nos primeiros anos de exercício. As recomendações internacionais apontam para Portugal um rácio de 1 médico dentista por 1 500 a 2 000 habitantes. Neste sentido, o acesso à formação graduada deveria ser adaptado às necessidades de procura do nosso país”.

70% dos dentistas diz que tabela de valores de referência para a prestação de serviços “é importante”