Opinião

Liderança nas clínicas dentárias: é um chefe ou um líder?

Liderança nas clínicas dentárias: é um chefe ou um líder?

A discussão sobre as diferenças entre “chefe” e “líder” já estão mais que exploradas e debatidas, pelo que não irei versar sobre as mesmas. Gostaria de falar um pouco mais sobre o que é um líder e que características pessoais e profissionais lhe estão associadas. Quando tenho clientes (directores clínicos de clínicas de medicina dentária) que me questionam se os considero uma coisa ou outra, tendencialmente inclino-me para o “chefe”. Conheço alguns líderes de CMD, mas devo confessar que há uma maior proporção de chefes… Fui investigar um pouco mais sobre a diferença entre ambas as nomenclaturas e gostaria de partilhar o que fui descobrindo.

Sabia que um líder nunca diz…

”Porque eu estou a mandar!”: liderar é algo inato e natural e não deve representar pressão para quem acata as ordens. Pedir de forma educada e com um tom de voz suave é a melhor forma de conseguir que façam exatamente aquilo que pretende.

”Não preciso de ajuda!”: bolas! Toda a gente precisa de ajuda, seja muita ou pouca. Além de falsa, esta afirmação pode ter efeitos negativos no negócio da sua CMD, uma vez que um chefe que não sabe delegar nunca terá a capacidade de ser bem-sucedido. Partilhe as suas responsabilidades. Esse será também um passo importante para gerar um clima de confiança no seio da sua equipa.

”Não tenho tempo”: é das frases que os médicos dentistas, assistentes, higienistas ou recepcionistas menos gostam de ouvir do seu director clínico. Arranjar tempo para ajudar os colaboradores a resolver os problemas e as questões mais essenciais pode ser uma boa forma de promover a confiança. Não ouvir quem mais precisa de si é um acto de egoísmo.

”A culpa não é minha.”: um verdadeiro líder assume e reconhece os seus erros, mesmo que estes não tenham sido cometidos por si, e partilha as conquistas com os seus colaboradores.

…”Quem é que pensa que é?”: ui, ui! Está o “caldo entornado”! De acordo com Lolly Daskal, esta é uma das frases mais proferidas por chefes, sobretudo quando a intenção é demonstrar que têm poder sobre o seu colaborador. Contudo, quando um chefe diz isto demonstra uma enorme falta de confiança nas suas capacidades de liderança e que pode estar a sentir-se ameaçado pelo seu colaborador.

A liderança é conceptualmente um tema muito abrangente e eu próprio, mesmo ainda não sendo um verdadeiro líder (enquanto empresário tenciono vir a sê-lo) tenho uma visão muito clara do que é ser líder. Se lidera uma empresa pequena, como é a sua CMD, deve conhecer todos os problemas de todas as pessoas que trabalham na sua organização. Sim (praticamente) todas! Deve conhecer as suas competências, aquilo em que são bons e aquilo em que são maus. Os seus sonhos, as suas motivações e as suas expectativas. Cada um desses colaboradores deve fazer exatamente isso: aquilo em que é bom e que corresponde às suas expectativas. Se quer ser um bom líder, conheça cada um dos seus colaboradores e ajude-os a maximizar as suas competências e valências.

Por norma, um mau líder dá demasiadas tarefas a cada pessoa e quase que as pressiona a serem medíocres, em vez de lhes permitir que sejam excelentes naquilo em que são realmente bons. Ao invés estamos também perante uma liderança pouco efectiva quando não há descentralização de responsabilidades e delegação de tarefas. Um bom líder deve estar consciente das suas limitações e entender que as outras pessoas também as têm. Outra dificuldade (que tenho assistido em inúmeras CMD) é o facto de alguns chefes evitarem reunir pessoas que sabem mais do que ele, impedindo assim melhorar e ajudar a organização a ser melhor. Às vezes pode ser útil, mas por norma é um acto de menor inteligência…

Um problema transversal às PME do tecido empresarial em Portugal é a falta de visão estratégica dos seus líderes. As CMD devem ter um líder inspirador e carismático, pois na realidade ninguém quer seguir a visão de uma pessoa de quem não se gosta… O que acho curioso (e, brejeiramente, algo engraçado) é que muitas vezes os maus líderes são carismáticos. São pessoas inteligentes e sabem cativar outras pessoas, o que faz com que muitas vezes seja difícil dizer-lhes que não, mesmo quando intimamente se sabe que estão errados na sua forma de pensar e/ou actuar.

Um bom líder não faz generalizações (não confunde uma situação pontual com algo generalizado ou com um determinado padrão), não “catastrofiza” (sabe relativizar as situações mais negativas, proporcionado um clima de menor stress à sua equipa) e é uma pessoa positiva.

Por último fica aqui o resultado de um estudo da Harvard Business Review (HBR) que, confesso, surpreendeu-me: os elogios e reforços positivos são importantes, mas serão mesmo os mais importantes? A maioria dos estudos analisados pela HBR parece indicar que não. O que o seu colaborador quer mesmo saber é quando não está satisfeito com o seu trabalho, já que esta é a única forma que lhe permitirá melhorar. Curioso, não? Não sei se será bem assim cá em Portugal…

(O autor escreve de acordo com a antiga ortografia)