Medicina Dentária

Geniova: como funciona o novo sistema de alinhamento dentário

A Ortodontia é uma área que tem vindo a ser desenvolvida nos últimos anos, fruto da cada vez maior preocupação dos clientes com a vertente estética.

A Ortodontia é uma área que tem vindo a ser desenvolvida nos últimos anos, fruto da cada vez maior preocupação dos clientes com a vertente estética. Combinando a resistência dos aparelhos ortodônticos fixos com a flexibilidade dos alinhadores removíveis e transparentes surge uma nova técnica que promete revolucionar a área.

Geniova é a mais recente inovação, um novo sistema de alinhamento dentário cujo objetivo é resolver vários problemas ortodônticos e odontológicos em pacientes que exigem uma solução estética no menor tempo possível, combinado brackets com férula invisível num só aparelho.

Conforme explica Ana Simões, pioneira na utilização desta técnica em Portugal, este é “um tratamento inovador que resultou de um trabalho conjunto entre especialistas em 3D e ortodontistas. O aparelho é composto por uma placa de termoformagem específica com suportes virtuais projetados através da tecnologia 3D e arcos de níquel-titânio, um arco redondo de 0,14 “ou 0,16” que pode ser estético ou metálico. A sua espessura e os materiais de que é feito aumentam a sua flexibilidade, o que se traduz mais movimento dentário e menos tempo de tratamento”, o que permite aperfeiçoar o sorriso de forma mais célere.

Até porque, como revela a médica dentista, a primeira preocupação dos pacientes quando entram no consultório é questionar: “isto é mesmo transparente e quanto tempo vai demorar?”. Depois há também aquelas pessoas que, já tendo usado aparelho, tiveram recidiva e “se recusam a usar novamente brackets e procuram esta solução como alternativa”.

Movimentos mais rápidos

No mercado já existiam outras soluções de “aparelhos invisíveis”, pelo que é necessário especificar em que reside a diferença desta técnica. “Oferece total liberdade de uso. O paciente pode escolher quando e onde usá-lo, dependendo de sua rotina diária e sempre sob a supervisão do seu médico dentista, durante 16 horas diárias”, esclarece Ana Simões, que conta que são as mulheres que procuram mais este tipo de tratamento, que é direcionado para “qualquer pessoa com mais de 18 anos, estando diretamente relacionado com a responsabilização do paciente para a utilização correta do aparelho”.

Ana Simões, médica dentista pioneira na utilização desta técnica em Portugal

Em comparação com a ortodontia fixa, “este sistema tem a capacidade de exercer força sobre os dentes com mais eficiência, conseguindo assim movimentos mais rápidos”, o que faz com que a duração aproximada de um tratamento com Geniova seja de 6 a 12 meses, “dependendo dos casos”, ressalva a médica dentista.

“Existe a versão heavy  – 9 a 12 meses – medium – 6, 7 meses – e light – cerca de 4 meses – e consoante as mesmas os preços variam, mas não há diferenças gritantes em relação à Ortodontia convencional, exceção para o heavy em que o preço é mais elevado, mas que garante resultados em casos mais complexos em menor tempo do que o convencional”, assegura Ana Simões, que refere ainda o caso do “Preo, que permite movimentar o dente em um ou dois meses, quando é necessário para a colocação de uma faceta, num dente que está muito palatinalizado ou lingualizado, com resultados espetaculares”.

Resultado final em 3D

Além disso, no início do tratamento paciente pode visualizar o resultado final. O médico dentista começa por elaborar os moldes do paciente e digitalizá-los no laboratório. “Uma vez digitalizados, os nossos ortodontistas projetam uma configuração virtual, na qual podem ser observados os movimentos que os dentes irão fazer ao longo do processo de alinhamento”, explica a médica dentista, que ressalva: “Isto não é a pedra filosofal, não faz todos os movimentos!”.

Compatível com implantes ou coroas, o sistema Geniova é hipoalergénico e adapta-se à anatomia dentária de forma personalizada, sendo também indicado para “ortodontia pré-protética, ou seja, para a posterior colocação de facetas ou restauração estética de seus dentes”. Permite igualmente fazer movimentos “de expansão. Veio trazer a possibilidade de conjugação dos dois sistemas e ter intrusões, exclusões e rotações, de forma mais rápida, pela utilização da bracket 3D, sem a necessidade de outros auxiliares”, enumera Ana Simões, que ressalva que no sucesso é fundamental o apoio que a empresa dá ao clínico, “com adaptação caso a caso e não avança se não tiver a garantia entre 95 a 100% de que vai resultar”.

A Ortodontia é uma área que tem vindo a ser desenvolvida nos últimos anos, fruto da cada vez maior preocupação dos clientes com a vertente estética.

Outra das vantagens passa pelo facto de o paciente poder remover o aparelho em alturas em que tenha necessidade de o fazer, como é o caso de uma reunião ou um evento mais formal. “No entanto, para que o processo seja eficaz, o paciente deve utilizá-lo entre 16h e 18h por dia, com intervalos de descanso de até 2h em média. Uma diferença muito significativa se compararmos com as 24 horas de uma ortodontia tradicional fixa”, destaca a médica dentista, que evidencia ainda a elevada taxa de aplicabilidade deste sistema: “resolve o apinhamento em ambos os arcos. Embora, os ortodontistas avaliem sempre os casos recebidos e decidem se o paciente é ou não adequado a realizar o tratamento”. Após o término do tratamento, é necessário utilizar sistemas de contenção, “como em qualquer ortodontia, sendo selecionado o melhor dispositivo de retenção de acordo com o caso do paciente”.

Formação específica

A ser implementada em Portugal há cerca de seis meses, para a realização desta técnica é necessário os médicos dentistas realizarem uma formação específica para obterem uma certificação. Daí que, até ao momento, ainda não haja muitos clínicos a realizar esta técnica – cerca de 20, “número que espero que duplique já no próximo curso” – e haja regiões do país onde ainda não é possível realizar o tratamento.

O objetivo passar por ter “um determinado número de clínicos a fazer esta técnica per capita”, refere Ana Simões, que defende que a empresa pretende lançar “com consistência, com médicos que acreditem na técnica e desenvolvam o sistema, e estejam sempre à procura de mais-valias para a técnica”.

Já em relação à necessidade de investimento em equipamento, Ana Simões explica que não é necessário “nada de novo além do equipamento convencional já existente no consultório”. O único investimento poderá passar pela aquisição de um scanner intraoral, “que ajuda a que o sucesso da técnica seja ainda maior, com a captação de imagens no consultório”.

No futuro, esta técnica permitirá ainda conseguir fazer “mais e melhor. Com a entrada da Straumman na empresa, houve uma aposta ainda maior na investigação e estão a ser desenvolvidas duas novas áreas, nomeadamente o permitir ‘trabalhar por dentro’. Contudo, como já mencionei, a empresa só lança algo quando tem uma taxa de efetividade superior a 90%”, frisa a médica dentista.