Opinião

Design baseado na evidência

marketing sensorial na medicina dentária

O ambiente da sala de espera é algo que afeta não só os pacientes, mas também todo o staff da clínica.1–3 Todos queremos otimizar o nosso espaço, mas não raras vezes surgem dúvidas sobre o que decidir, que cores utilizar, que estilo de mobília colocar, etc. Recentemente começou a surgir na literatura científica um novo conceito: design baseado na evidência, mais especificamente no caso da área da Saúde, o Supportive Design(SD)2,4. Este campo, que até à data se debruça mais sobre ambientes hospitalares e não clínicas privadas, já produziu alguns dados úteis que podem ser aplicados na clínica dentária.

Não basta incluir mobiliário das últimas tendências de lojas suecas, escolher uma palete de cores da parede de acordo com o logo, etc. O conceito de Supportive Design é mais que isso e assenta em três grandes premissas e objetivos:

1 – Aumentar a sensação de controlo e privacidade;

2 – Aumentar o suporte social;

3 – Pressupõe o acesso a elementos de natureza e outras distrações positivas.

A sensação de controlo e de privacidade aplicada à Medicina Dentária implica que não hajam portas de gabinetes abertas durante a consulta e o paciente poder controlar algumas variáveis como a música ou o conteúdo da TV (nas clínicas que tenham TV’s durante a consulta)2.

O suporte social diz respeito à interação com outros pacientes e/ou membros do staff4,5. Quanto maior o suporte social num ambiente médico, menor a sensação de stress e ansiedade por parte do paciente5. Estudos mostram que os membros do staff preferem um chão de linóleo ou vinil (pela facilidade em limpar) ao passo que os pacientes preferem um ambiente alcatifado por aumentar a perceção de redução de ruído, não escorrega e é tido como mais confortável. Mais importante que isso, estudos em enfermarias mostram que num ambiente com carpetes, os visitantes passam mais tempo com o paciente aumentando o seu suporte social e tendo efeitos positivos na recuperação.

Ao contrário da repartição de um qualquer serviço público, totalmente utilitário, o espaço de espera na clínica tem que ser propício a que ocorra interação, assim não será recomendável dispor as cadeiras da sala alinhadas contra a parede, mas sim em “ilhas” ou circularmente2.

Ainda no suporte social, num ambiente confortável em contexto de saúde, o médico-dentista e/ou assistente deve falar com as pessoas na sala de espera seja para informar, para assumir os atrasos, etc.

Por último, entenda-se o ambiente fora do gabinete como um ecossistema: tem de haver um equilíbrio de elementos, cores, luzes e texturas; sem cair em exageros, não poderá parecer uma floresta, mas também que não se assemelhe a um laboratório.

Um espaço saudável e pensado para otimizar a experiência do paciente deverá ter janelas6 e deixar entrar luz solar7–9, as cores e as texturas deverão ser quentes10 (o mesmo estudo sugere que cores frias e mobiliário metálico gera emoções menos positivas e até negativas). Contudo, não é por ter um espaço impecável, que cumpra o que as guidelines do Supportive Design preconiza, que pode atrasar-se nas consultas, porque a Ciência também mostra que quanto menos tempo espera, melhor a perceção que o paciente tem da qualidade dos cuidados de saúde que lhe são prestados.3

  1. ARNEILL, A. B. & DEVLIN, A. S. PERCEIVED QUALITY OF CARE: THE INFLUENCE OF THE WAITING ROOM ENVIRONMENT. J. Environ. Psychol. 22, 345–360 (2002).
  2. Ulrich, R. S. Evidence based environmental design for improving medical outcomes. in Proceedings of the Healing by Design: Building for Health Care in the 21st Century Conference, Montreal, Quebec, Canada (2000).
  3. Tiwari, V., Queenan, C. & St. Jacques, P. Impact of waiting and provider behavior on surgical outpatients’ perception of care. Perioper. Care Oper. Room Manag. 7, 7–11 (2017).
  4. Andrade, C. C. & Devlin, A. S. Stress reduction in the hospital room: Applying Ulrich’s theory of supportive design. J. Environ. Psychol. 41, 125–134 (2015).
  5. Campos Andrade, C., Lima, M. L., Pereira, C. R., Fornara, F. & Bonaiuto, M. Inpatients’ and outpatients’ satisfaction: The mediating role of perceived quality of physical and social environment. Health Place 21, 122–132 (2013).
  6. Ulrich, R. View through a window may influence recovery from surgery. Science 224, 420–421 (1984).
  7. Benedetti, F., Colombo, C., Barbini, B., Campori, E. & Smeraldi, E. Morning sunlight reduces length of hospitalization in bipolar depression. J. Affect. Disord. 62, 221–223 (2001).
  8. Beauchemin, K. M. & Hays, P. Dying in the dark: sunshine, gender and outcomes in myocardial infarction. J. R. Soc. Med. 91, 352–354 (1998).
  9. Walch, J. M. et al. The Effect of Sunlight on Postoperative Analgesic Medication Use: A Prospective Study of Patients Undergoing Spinal Surgery. Psychosom. Med. 67, (2005).
  10. Shafieyoun, Z., Radeta, M. & Maiocchi, M. Environmental Effect on Emotion in Waiting Areas Based on Kansei Engineering and Affective Neuroscience. in KEER2014. Proceedings of the 5th Kanesi Engineering and Emotion Research; International Conference; Linköping; Sweden; June 11-13 823–835 (Linköping University Electronic Press, 2014).