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Clínica Molar: ordem para diferenciar

Clínica Molar: ordem para diferenciar

Cismaram que não queriam uma clínica igual a todas as outras. E conseguiram. João Mouzinho e Isabel Flores criaram a Molar, que há três anos veio agitar a prática da medicina dentária. E prometem não parar por aqui.

De uma coisa eles tinham a certeza: não queriam ser uma clínica dentária convencional. Até porque, diz em tom de brincadeira João Mouzinho, “é mais difícil encontrar um cabeleireiro do que um dentista”. Queriam diferenciação. E conseguiram. A Molar, situada mesmo em frente ao Hospital de S. João, no Porto, prima precisamente pela tal diferenciação. João Mouzinho e Isabel Flores abraçaram um projeto que “cismaram” haveria de vingar. Houve teimosia, alguma persistência e sempre a certeza do que queriam. E, sobretudo, do que não queriam. Hoje, passados três anos, a Molar tem uma carteira de clientes que ascende os 2500 doentes. E prometem não parar por aqui.

Mas vamos passear pela clínica. O espaço não é, de todo, pretensioso. Muito pelo contrário. Sobriedade a roçar o minimalismo é o tom que envolve toda a estrutura. Tanto assim é que, à noite, os estores são levantados e a clínica iluminada sendo possível, da rua, ver para dentro dos consultórios. E o tudo é uma cadeira de dentista já que os materiais, os consumíveis, os equipamentos, praticamente tudo é embutido em armários desenhados à medida.

Clínica Molar: ordem para diferenciar

O espaço traduz fielmente o conceito que João Mouzinho e Isabel Flores, uma das pioneiras para Invisalign com master em Portugal, idealizaram. Um conceito que basicamente se alicerça em tratamentos integrados. Digamos, uma visão holística da boca.

Uma forma de exclusividade

A ideia de chegar e tratar um dente não faz sentido para a Molar. Aqui, neste espaço, as pessoas chegam e seja qual for o tratamento – desde uma simples destartarização – têm um acolhimento, vamos dizer, diferente. São recebidas com uma sessão fotográfica e realização de imagens vídeo, seguidas por uma primeira consulta quase sempre realizada por um dos dois médicos fundadores. Neste primeiro contacto com a clínica é elaborado, à medida, um plano de tratamento. A taxa de aceitação dos projetos ronda os 84%. “Essencialmente não tratamos bocas a meio”, disse à SAÚDE ORAL João Mouzinho. “Claramente o nosso paciente não é aquele que apenas vem tratar um dente numa emergência. É um paciente que passa pelos vários especialistas. Seja o meu colega das desvitalizações, a colega da estética ou da ortodontia, seja eu, nos implantes, nas facetas… Estamos diferenciados, apenas fazemos uma coisa. Só atuamos em uma área.”

Clínica Molar: ordem para diferenciar

Na Molar há 16 rostos. Seis assistentes, nove médicos dentistas e um cirurgião Maxilo-facial. E João Mouzinho diz que cada “visitante” conhece pelo menos dez destes rostos. Mas nem só à área onde atuam estes profissionais têm exclusividade. Acaba por acontecer, de certa forma, também aos clientes. Isto porque quando um cliente aceita o plano de tratamento e começa a sua “aventura” Molar, vai passando de mão em mão. “Normalmente apenas marco um paciente por dia. Se o caso não for muito complicado poderei ter dois. Mas não mais”.

Verdadeiramente digitais

Orto, TAC e telerradiografias, dois scanners e laboratório de próteses são apenas alguns dos equipamentos e soluções que a clínica disponibiliza. Isto além de serem um projeto verdadeiramente digital, onde o papel pouco ou nada impera. Em termos de externalizações, apenas as cerâmicas são feitas fora das instalações da Molar. Claro que depois há alguns “requintes de malvadez”, como por exemplo os espelhos que mostram como o sorriso vai ficar de dia… e de noite. Mas se apenas quiser vir tratar um dente tem de passar por todo este processo? Pela consulta, pela simulação? “Passa”, diz João Mouzinho. “O objetivo é que seja efetivamente um tratamento global”.

Dez anos a colher informação

As ideias e soluções da Molar são um misto de benchmarking e inovação. Algumas das soluções apresentadas acabam por ser o resultado de dez anos “a andar pelas maiores e melhores clínicas do mundo. Acho que as conheço todas! E essa experiência permitiu ver o que acreditávamos fosse funcionar. Depois é claro que também criamos coisas novas.”

É o caso do sorriso 4D. Os clientes são filmados a cantar ou trautear uma música na consulta de apresentação e voltam a fazer a mesma coisa já com a proposta de melhoria colocada a boca. “Há toda uma dimensão emocional que também é apresentada”.

O retorno… é devolvido

Claro que o retorno de um investimento desta envergadura é complicado. Ainda para mais no caso da Molar. Isto porque todo o dinheiro faturado é “devolvido” em forma de novos investimentos. “A nossa filosofia é um pouco diferente. Não retiramos dinheiro da empresa. Temos os nossos ordenados, temos as nossas vidas, mas o dinheiro fica na empresa para ser reinvestido”. Por tudo isto, obviamente que o posicionamento da clínica é para uma faixa da população média/alta. “É a nossa forma de trabalhar e só assim faz sentido. Não vamos dizer que praticamos preços baixos, porque não o fazemos. Só trabalhamos com material premium pelo que isto se tem de refletir no preço final”.

E o site? Calma… já vai

Um conceito destes, em Portugal, não é definitivamente usual. Ou seja, não se encontra tão facilmente como o tal cabeleireiro. Logo, a necessidade de o divulgar ou explicar é maior. No entanto, os dois fundadores sempre acreditaram que o “boca-a-boca” seria a melhor publicidade que poderia existir. “Acredita que ainda não temos o site pronto? Já tivemos uma versão, mas não gostávamos e só agora, passados três anos, é que vamos conseguir colocar online o site definitivo. Temos conseguido crescer apenas pelo passa palavra. Amigo que trás amigo, familiar que referencia a familiar”.

Aliás, o crescimento, a existir, será muito sustentado, defendem os médicos. Não pretendem abrir mais nenhuma unidade da Molar na cidade, ou fora dela, pelo que apenas consideram aumentar o espaço da Molar: “O projeto é muito pessoal, acaba por ser difícil replicá-lo em outros sítios pois requer a nossa total atenção”.

A nova geração quer diferenciação

A ideia da clínica é, de facto, disruptiva. E João Mouzinho acredita que a nova geração de médicos-dentistas vai, cada vez mais, procurar de alguma forma a diferenciação, pelo que novos conceitos e abordagens vão começar a surgir. Seja abordagens médicas, de procedimentos ou de apresentação de serviços. “Aqui temos tanta coisa que às vezes até me custa enumerar. E temos imensas ideias. Na verdade, acredito que nunca vá existir retorno do investimento, porque nós não vamos parar. Queremos mudar o paradigma da Medicina Dentária em Portugal”.

O estúdio fotográfico, que ocupa uma das salas da clínica, é uma das apostas da Molar. Isto porque é aqui que o Desenho Digital do Sorriso ganha forma. Ou seja, esta ferramenta permite que o paciente fique a saber como irá ficar antes do início do tratamento, através de uma solução digital que mostra o resultado final. Através de um scanner é feita uma simulação virtual que depois é impressa em 3D. O projeto é colocado na boca do paciente que vê, no seu próprio rosto, como vai ficar. “É um test drive do sorriso. É exatamente como quando fazemos um test drive ao carro. Anda, e se gostar, depois escolhe se quer o carro com GPS, jantes especiais…”.