Opinião

A sua clínica nas redes: o que diz a Neurociência?

A sua clínica nas redes: o que diz a Neurociência?

Nos dias que correm, as Redes Sociais são simultaneamente uma sala de estar e uma montra, influenciam relações pessoais e afetam escola e trabalho1; daí tal e qual os outdoors de rua, todas as empresas querem estar presentes. Mas a que custo? O que se faz de errado? A neurociência já nos dá alguma luz sobre o assunto.

Atualmente, o pior inimigo do cidadão mais comum é o Tédio! Assim, muito facilmente até numa fila de espera o smartphone salta do bolso de forma muito automática e ficar sem bateria é como ficar sem água no deserto. As Redes Sociais são viciantes e o seu uso excessivo está relacionado com um decréscimo do volume da matéria cinzenta do Nucleus Accumbens (centro do prazer cerebral), o que indica que existe um fenómeno de adição2 podendo igualmente verificar-se outros tipos de distúrbios, como depressões quando a vida online se sobrepõe à “offline” comummente designada de: vida real3.

Quanto a este assunto gosto de uma citação de Paul Arden, um criativo publicitário muito influente das últimas décadas: “As Redes Sociais não são um meio de publicidade, mas sim um meio de Interação”, e é para isto que muitas clínicas não estão sensibilizadas. Não vale a pena colocar de forma frequente e gratuita imagens descuidadas de algo encontrado no Google Images, com um texto redigido de forma apressada, é má conduta “implorar” por likes, etc. As pessoas (pacientes) querem sentir-se incluídas e parte da história, o conteúdo que a clínica partilha tem que se assemelhar a algo que um amigo também partilharia na rede4.

Estas “salas de estar” online geram dados muito precisos sobre o quotidiano de cada utilizador e através da forma como são utilizadas pode-se predizer os principais traços de personalidade de quem as usa5, isto facilita imenso atingir grupos de utilizadores muito específicos quanto ao produto/serviço que se vende.

Fotos com mais Likes geram ainda mais Likes e a ciência mostra que imagens agradáveis nas Redes ativam muitas zonas do cérebro incluindo o Nucleus Accumbens6.  Ativar o  N. Acc. significa que o estímulo desencadeou emoções e está provado que uma publicidade que “toque” mais a emoção que a cognição é uma publicidade mais eficaz, por ser mais facilmente recordada.

Conte uma história, partilhe conteúdo genuíno e autêntico, não utilize imagens de stock, envolva a emoção do seu potencial paciente que depois de um dia de trabalho quando vai à Internet não quer ser (ainda) mais bombardeado com publicidade. Lembre-se, nas redes quer-se interação e não apenas publicidade.

  1. Gupta, N. & Irwin, J. D. In-class distractions: The role of Facebook and the primary learning task. Comput. Hum. Behav. 55, 1165–1178 (2016).
  2. Montag, C. et al. Facebook usage on smartphones and gray matter volume of the nucleus accumbens. Behav. Brain Res. 329, 221–228 (2017).
  3. Baker, D. A. & Algorta, G. P. The Relationship Between Online Social Networking and Depression: A Systematic Review of Quantitative Studies. Cyberpsychology Behav. Soc. Netw. 19, 638–648 (2016).
  4. Nicks, G. & Carriou, Y. Emotion, Attention and Memory in Advertising. (2016).
  5. Caci, B., Cardaci, M., Tabacchi, M. E. & Scrima, F. Personality Variables as Predictors of Facebook Usage. Psychol. Rep. 114, 528–539 (2014).
  6. Sherman, L. E., Greenfield, P. M., Hernandez, L. M. & Dapretto, M. Peer Influence Via Instagram: Effects on Brain and Behavior in Adolescence and Young Adulthood. Child Dev. (2017). doi:10.1111/cdev.12838