Estética Dentária

‘Esthetics Day’: Como tornar os sorrisos mais naturais

‘Esthetics Day’: Como tornar os sorrisos mais naturais

O ‘Esthetics Day’, o 1º Congresso da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética (SBOE) em Lisboa, organizado pela Lisbon Dentistry Academy, realizou-se no passado dia 8 de julho. Para Hugo Madeira, impulsionador e responsável pela organização do evento, foi “um dia muito feliz, dado que pela primeira vez a Sociedade Brasileira de Odontologia Estética saiu do Brasil para fazer um congresso na Europa. Vejo este dia como um marco na história da medicina dentária portuguesa e brasileira”.

Isto porque “o Brasil – mas não só, a América Latina no geral – tem um foco claro na estética dentária, e foi de extrema importância este cruzamento entre profissionais portugueses e brasileiros, num único evento, para falar sobre o que de melhor se faz de estética a nível mundial”.

Também José Roberto Moura, especialista em dentística restauradora e ex-presidente da SBOE, sublinhou à SAÚDE ORAL a importância desta parceria. “Este evento é uma parceria entre a Lisbon Dentistry Academy e a SBOE, da qual sou um dos fundadores. E é muito bom ter tido a oportunidade de estabelecer esta parceria, que nos possibilitou confraternizar, trocar experiências e aprofundar os laços de amizades entre Portugal e Brasil”.

Congresso da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética

Hugo Madeira

Daí que, para Hugo Madeira, esteja dado “o pontapé de saída para este evento se realizar anualmente, com mais pessoas e mais entidades da comunidade dentária”. O evento, segundo Ana Gonçalves, coordenadora do centro de formação da Lisbon Dentistry Academy, contou com cerca de 200 participantes.

Imitar a natureza

O dia foi dedicado à estética e “de manhã à noite falou-se de proporções faciais, de digital smile design, de cerâmica…enfim, de como tornar os sorrisos dos nossos pacientes mais naturais, mais perfeitos, de uma forma menos traumática”, sintetizou Hugo Madeira, acrescentando que “procurámos elevar a medicina dentária estética a outro patamar, a um nível de precisão, de perfeição e, acima de tudo, de biomimetismo, que não é mais do que a imitação da natureza. Um médico dentista que se dedique à estética, o smile designer ou o especialista na dentisteria restauradora, caminha para isso mesmo, para a imitação da natureza”.

Sistema TENS

João Borges, com prática exclusiva desde 2004 na área de dentisteria, estética e reabilitação, e Cyril Gaillard, fundador e presidente da Global Advanced Odontology, foram alguns dos oradores convidados tendo, em conjunto, abordado o tema ‘How to combine aesthetic, function and biology in worn teeth’.

À SAÚDE ORAL, João Borges adiantou que a finalidade da intervenção era demonstrar como “planeamos e tratamos os nossos casos, combinando a biologia, a função e a estética de modo a conseguirmos a longevidade do tratamento”. O médico dentista, que já desenvolveu projetos juntamente com Cyril Gaillard, declarou que “sempre focámos a nossa atenção na parte funcional porque sabemos que sem mecânica e sem função qualquer reabilitação, qualquer cerâmica, não tem longevidade”.

Daí que para João Borges o grande desafio seja encontrar “a posição funcional estável da reabilitação em questão e é a partir daqui que se parte para o planeamento do tratamento. A dificuldade está neste primeiro passo e é por isso que os passos mais importantes são o diagnóstico e a planificação porque é aqui que elegemos o nosso ponto de partida”.

Congresso da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética

João Borges

Uma das técnicas que o médico dentista utiliza é a tanscutaneous electrical nerve stimulation (TENS), que “permite gerar uma posição de relaxamento muscular que nos possibilita colocar a mandíbula numa posição fisiológica (ou encontrar essa posição)”. Por fim, João Borges alertou que “todas as reabilitações devem ser orientadas para um ponto de partida de estabilidade. Se isto não acontecer pode haver uma recidiva do tratamento e a reabilitação falhar”.

Implantes de zicórnia

Além de responsável pela organização, Hugo Madeira também subiu ao palco, na qualidade de orador, para abordar o tema ‘Zircónio 360º’. Na realidade, “o zircónio já existe na medicina dentária desde os anos 80, sendo essencialmente usado na área da reabilitação e restauradora, por assim dizer, e nos últimos anos tem vindo a crescer o interesse no zircónio também como material na área da implantologia”, explicou o médico dentista, acrescentando que, neste caso, “tem a denominação de implante de zircónia e tem demonstrado resultados promissores e dado provas de vir a ser uma alternativa muito viável ao titânio”.

Congresso da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética

Porém, Hugo Madeira ressalvou que “ainda não é completamente aceite por toda a comunidade, existem alguns entraves por parte do mercado, das marcas, e até da experiência e formação dos profissionais que se dedicam à implantologia”. Assim sendo, “confesso que foi uma ligeira provocação da minha parte tocar no tema dos implantes de zircónia, porque muitas pessoas ainda desconhecem as bases científicas sobre esta temática, e, portanto, fez-me sentido levantar o véu sobre este assunto”.

No entanto, para Hugo Madeira, trata-se de um material “inovador porque permite melhorar ainda mais as intervenções estéticas; reduz, por exemplo, a tendência do escurecimento das gengivas quando utilizado um implante de titânio, nas gengivas muito finas. Já para não falar da osteointegração; o titânio e o zircónio, embora similares, não estão no mesmo nível de biocompatibilidade, os tecidos moles respondem de forma muito mais orgânica ao zircónio”. Ou seja, “apesar das inúmeras vantagens do zircónio, do ponto de vista estético, quando analisado da perspetiva da biologia, percebemos que a biologia supera a estética”.