Saúde Oral

Quase 70% dos portugueses têm falta de dentes

Quase 70% dos portugueses têm falta de dentes

Menos de um terço dos portugueses têm toda a sua dentição natural. De acordo com o mais recente ‘Barómetro de Saúde Oral’, da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), 68% dos portugueses têm pelo menos um dente natural em falta, 37% têm entre um a cinco dentes em falta, 10% têm entre seis a oito dentes em falta, 12,9% têm mais de oito dentes em falta e 6,2% da população não tem nenhum dente natural.

O estudo, realizado este Verão e agora divulgado, mostra que mais de metade da população portuguesa (57,6%) a quem faltam dentes naturais não tem prótese, dentadura ou implante a substituí-los, um número que tem aumentado de ano para ano, de acordo com os dados da OMD.

Segundo Orlando Monteiro da Silva, bastonário da OMD, “não queremos ter metade do país desdentado (…) As pessoas com recursos têm muito mais dentes e as pessoas com menos recursos são muito mais desdentadas. Temos dois pesos e duas medidas. É uma saúde oral totalmente a duas velocidades. Um país que tem acesso a cuidados tem muito menos dentes perdidos e melhores hábitos de higiene. E o país que não tem acesso tem mais dentes perdidos e piores hábitos. Esta dicotomia, esta diferença, todos temos a responsabilidade de combater”.

42% dos portugueses não marcam consulta no dentista há mais de um ano

O barómetro da OMD diz também que os portugueses vão cada vez mais ao dentista, mas 42% dos inquiridos no âmbito deste estudo não marcam consulta há mais de um ano e 27% nunca vão ao dentista ou só vão quando se trata de uma urgência.

Face ao estudo de 2015, houve um crescimento de 5,4% dos portugueses que dizem ter ido a pelo menos uma consulta de medicina dentária nos últimos 12 meses, um crescimento que Orlando Monteiro da Silva considera uma “ligeira melhoria”.

O estudo indica ainda existir uma relação entre a frequência de visitas ao dentista e a manutenção de dentição natural e revela que 45% dos que não vão ao dentista ou vão menos de uma vez por ano diz não ter necessidade e que 42% refere não ter dinheiro para ir.

Importa ainda referir que 90% dos portugueses não recorrem ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) para tratar da sua saúde oral e que aqueles que recorrem aos hospitais em situação de urgência revela não ter ficado com o seu problema resolvido.

“Nos hospitais, o problema de fundo não é resolvido. A dor dentária que leva as pessoas ao hospital é resolvida com recurso a analgésicos e a antibióticos e não com uma intervenção na boca da pessoa. Só resolve muito temporariamente o problema”, defende o bastonário da OMD.

O estudo, realizado pela consultora independente QSP, tem validade estatística, tendo sido realizadas 1.102 entrevistas presenciais em todas as regiões de Portugal, incluindo os Açores e a Madeira.