Investigação

Investigador português distinguido pela Osteology Foundation

Investigador português distinguido pela Osteology Foundation

Miguel Marto, assistente convidado e investigador na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), recebeu a Osteology Education Grant, uma distinção atribuída pela Osteology Foundation e que permitirá ao investigador português participar na Research Academy Ann Arbor, que se realiza em setembro, nos EUA, reunindo alguns dos mais importantes investigadores na área da medicina dentária regenerativa e craniofacial.

Este curso é organizado por importantes instituições, como a University of Michigan School of Dentistry e pela Harvard School of Dental Medicine, em parceria com a Osteology Foudation, e tem como objetivo promover a investigação e a educação no âmbito da regeneração oral e maxilofacial.

Em declarações à SAÚDE ORAL, o investigador Miguel Marto refere que a atribuição da Osteology Education Grant “é obviamente uma situação que me orgulha e me deixa muito feliz. Em primeiro lugar porque reconhece o trabalho que temos feito no âmbito da investigação em Medicina Dentária, já que os candidatos são selecionados com base no seu CV e carta de motivação, pelo que considero que foi o trabalho desenvolvido até aqui que permitiu que tenha sido selecionado.”

O português acrescenta ainda que “embora a bolsa me tenha sido atribuída em nome individual, vem também premiar o esforço da equipa de investigação com quem trabalho, pois sem a colaboração de todos com certeza não conseguiria ter realizado estes estudos. Em segundo lugar não posso deixar de referir o orgulho por ter sido selecionado pela Osteology Foudation, uma organização de enorme prestígio mundial e importância no âmbito da medicina dentária regenerativa e maxilofacial, que tem dado um contributo importante na formação e financiamento da investigação nestes campos.”

Sobre o evento no qual irá participar, já em setembro, Miguel Marto revela ter “elevadas expetativas” e “motivação”, sobretudo devido à “qualidade e diversidade do programa científico, dos oradores e das instituições organizadoras (University of Michigan School of Dentistry and Harvard School of Dental Medicine)”. Para o investigador, todos estes fatores “fazem-me ter a firme convicção que será um encontro ao mais alto nível científico, que contribuirá de forma importante para a minha formação como jovem investigador. Igualmente, o curso prevê sessões mais informais de debate e perguntas com os investigadores participantes, que encaro com grande expectativa, pela experiência e orientação transmitida pelos mesmos e futuras possibilidades de colaboração.”

Medicina dentária regenerativa

Miguel Marto fez parte da equipa de cientistas da Universidade de Coimbra que, em 2017, apresentou um trabalho científico que conseguiu desenvolver células semelhantes às células estaminais para utilização em medicina dentária regenerativa. O estudo foi distinguido pela Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) com uma bolsa de apoio à divulgação científica e representa um importante avanço na área da medicina dentária regenerativa.

“Na minha opinião esta técnica poderá contribuir de forma decisiva para a medicina regenerativa, em todas as áreas. De facto existem já identificadas e estudadas várias fontes de células estaminais no organismo humano, desde as células estaminais da medula óssea às células estaminais da polpa dentária, apenas para dar dois exemplos. Acontece que a colheita e utilização destas células não é desprovida de desvantagens, o que limita a sua utilização. A técnica na qual estamos a trabalhar permite eliminar a grande maioria destas desvantagens, utilizando células adultas de tecidos de fácil colheita como ponto de partida para gerar células tipo estaminal. Estas células tipo estaminal, de acordo com estímulos específicos, têm depois a possibilidade de dar origem a células adultas de vários tecidos, como dentina, osso, cartilagem, pele… Assim, e embora a nosso foco seja a regeneração dentária, as potencialidades da técnica são enormes e estendem-se à regeneração de vários tecidos”, explica à SAÚDE ORAL.

Miguel Marto diz ainda que “embora esta técnica tenha muito potencial ainda existem poucos estudos com a sua utilização. Estamos numa fase em que existem estudos in vitro, mas considero que ainda temos um longo caminho até à sua aplicação em doentes. O nosso objetivo é nesta fase concluir os estudos in vitro e animais para face a estes resultados, podermos depois desenhar um projeto e avançar com uma aplicação clínica da técnica.”