Saúde Oral

Fabrício Vieira sobre utilização de fibrina: “A cada dia que passa surgem novas aplicabilidades para este biomaterial autólogo”

Fabrício Vieira sobre utilização de fibrina: “A cada dia que passa surgem novas aplicabilidades para este biomaterial autólogo”

Desde 2011 que Fabrício Vieira descobriu as vantagens do uso de fibrina na prática clínica em Medicina Dentária. Falámos com o presidente do Encontro Luso-Brasileiro de Implantologia, que revelou o que é necessário para tirar partido deste biomaterial.

Há quanto tempo trabalha com fibrina?

Desde 2011, quando a técnica chegou ao brasil através da empresa Intra-Lock. A técnica já existia na Europa e era usada para tratar de feridas crónicas, em pacientes diabéticos, por exemplo diabetes. Até que surgiu um protocolo para a Odontologia em 2001. Em 2006 a Intra-Lock americana lançou o LPRF – Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos. A Intra-Lock Brasil introduziu a técnica em 2011.

E como começou a aplicar a fibrina na prática?

Temos um centro de formação e com o protocolo do investigador Leonel Oliveira, da Universidade de Brasília, desenvolveu um protocolo compatível com qualquer centrifugadora e que leva em relação não o tempo e a velocidade, mas a força G que vai ser aplicada ao sangue. Com isso a técnica tornou-se mais usual. Hoje conseguimos, com investimento baixo, ter acesso a essa tecnologia, sem ser necessário um investimento alto. A fibrina é uma proteína da coagulação do sangue, é do próprio paciente, não existe forma de patentear.

Como começou a dar os cursos?

Começámos a montar o nosso protocolo e foi quase natural, os alunos pediam para darmos formações e foi evoluindo. Cheguei a Portugal há três anos com a empresa Emfils, mas antes já estava na Europa, em Barcelona, com uma outra empresa de biomateriais para fazer um tour por França e Espanha. A Emfils viu essa oportunidade e convidou-me para fazer o primeiro curso de formação de fibrina em Portugal, no Porto, em 2015.

Aplicabilidades em medicina dentária

Costumamos dizer que quando uma técnica é nova depende da criatividade de cada um. A cada dia que passa surgem novas aplicabilidades para esse biomaterial autólogo, do próprio paciente. Na técnica regenerativa pode ser usado como curativo de uma área doadora, de onde foi retirado um enxerto de tecido ósseo ou tecidos moles.

Também pode ser usado como coágulo, a partir do momento que é retirado do tubo para preenchimento de alvéolos após extração de dente do ciso, por exemplo, pois vai regenerar aquela região e vai permitir um pós-operatório mais agradável.

Pode ser formatado em membranas e substituir membranas em técnicas de cirurgia avançadas ou ser cortado em pequenos pedaços e misturado com biomateriais sintéticos, ou biomateriais de origem bovina, ou até com osso do próprio paciente para acelerar a formação do osso.

Na fase líquida pode ser utilizado para aglutinar esse material fazendo um iblock, onde consegue aglutinar o biomaterial e colocar no local onde vai fazer o enxerto.

Logística

Quanto tempo demora a preparar o material?

Tem um tempo de trabalho. Cada profissional faz de uma determinada forma, há pessoas que preferem a meio da cirurgia fazer a colheita do sangue e centrifugar. Pessoalmente prefiro fazer antes da cirurgia. O paciente chega, tira o sangue, coloco para centrifugar, levo o paciente para a sala do pré-operatório e enquanto estou a preparar a bancada cirúrgica, o sangue está a ser centrifugado. Acabou o processo e manipulo o material da forma que quero.

Quanto tempo?

Demora cerca de 10 a 15 minutos para fazer essa preparação. Depois tenho até quatro horas para usar o biomaterial sem riscos. Depois disso já não se deve usar.

E contra indicações?

Existem algumas contra indicações, quer sejam questões religiosas – pessoas que não permitem que se retire sangue – ou pacientes que tomem medicação anticoagulante mais forte.

É fácil aprender a técnica?

Sim, é necessário seguir um protocolo de um dia. Para quem já tem a rotina de fazer as cirurgias de enxerto é um plus, um curso de formação de um dia. Só tem de se aprender a colher o sangue, mas se não se quiser aprender pode contratar enfermeira para ir ao consultório fazer a colheita do paciente.

E quanto custa?

Uma boa máquina custa cerca de 3000 euros, mas qualquer centrifugadora funciona, até uma de 750€. Só não pode ter vibração e não pode aquecer. E é necessário ajustar o protocolo dado com as centrifugadoras da marca, se se usar de outra marca. O que interessa é a distância do tubo ao centro, o raio de rotação, porque altera a força G que é feita no tubo.

Tubo de plástico ou vidro?

Existem de dois tipos de tubo: de plástico e de vidro, cada um para uma técnica. O de plástico vai demorar a coagular, vai ter um tempo de trabalho maior. Por isso é que se fala em fibrina em fase líquida, para colher e fazer harmonização, aglutinação do produto. O tempo de trabalho é maior.

Já o vidro é ativador de coágulo, quando se coloca o sangue dentro do vidro ele vai coagular, que é o que dá origem ao coágulo amarelo para fazer os plugs e membranas.