Medicina do Sono

Criada World Society of Oral Sleep Medicine

Dia Mundial do Sono

No dia em que se celebra o Dia Mundial do Sono foi anunciada a criação da World Society of Oral Sleep Medicine (WSOSM), uma organização que será presidida pelo português Miguel Meira e Cruz.

Numa nota enviada às redações, a WSOSM refere que a organização será representada por Portugal, Espanha, Itália, Israel, Estados Unidos da América, Brasil, Uruguai e Paraguai e pretende “difundir e integrar a Medicina do Sono entre os profissionais de Medicina Oral e Cranio-facial espalhados pelo mundo”.

“Com realidades distintas de acordo com a natureza do país, os profissionais de Medicina Oral são fundamentais na prevenção e no controlo das perturbações do sono”, refere Miguel Meira e Cruz, presidente da WSOSM.

A SAÚDE ORAL falou com Miguel Meira e Cruz que nos explicou que a ideia de criar esta organização “partiu de um conjunto de colegas portugueses e brasileiros que identificaram a necessidade de expandir o conhecimento relativamente à Medicina do Sono às diferentes classes de profissionais de saúde, sobretudo clínicos, que lidam com doentes de sono, potenciais e reais, todos os dias.”

“Com frequência o conhecimento sobre as perturbações do sono ou são inexistentes ou se circunscrevem à apneia do sono. Se por um lado, é verdade que o grupo de doenças no qual as ‘apneias’ se integram é muito abrangente e carece de conhecimento diferenciado, também é verdade que este grupo contempla uma das condições mais prevalentes em Medicina do Sono e que se associa a uma elevada morno-mortalidade por várias causas, nomeadamente relacionadas com acidentes por sonolência excessiva e por acidentes cardiovasculares e doença metabólica. Contudo, não é razoável, numa perspectiva global, que quem trate do sono se foque na apneia e descure condições que podem ter sintomas semelhantes ou que podem cursar em paralelo. Por exemplo, descartar um doente que apresente sonolência excessiva como doente de sono porque apresenta uma polisonografia sem eventos respiratórios (este pode ser afectado por outras perturbações que devem ser rastreadas é referenciadas ou seguidas). E para rastrear é necessário inquirir e para inquirir é fundamental saber o que…”, acrescenta.

De acordo com o presidente da World Society of Oral Sleep Medicine, a organização irá agora insistir na educação e formação, redação de orientações e recomendações e, ainda, na progressão científica e clínica integrada.

“Há cerca de 10 anos atrás não havia ninguém na medicina dentária portuguesa a tratar doenças do sono. Hoje multiplicam-se os dentistas que anunciam a colocação de aparelhos para a roncopatia e apneia do sono. Alguns são bem intencionados apenas… outros, vão tendo alguma formação idónea na área. A verdade é que cada vez vão sendo mais os que procuram conhecer melhor e de forma responsável esta área. A prova disso é o curso Pós-Graduado em Cronobiologia e Medicina do Sono que vai já na 2ª edição e conta com a participação de três dentistas integrados numa equipa de médicos de outras especialidades, psicólogos, técnicos… enfim um grupo multidisciplinar do qual nasce uma formação mais rica e com benefício inequívoco para o profissional, mas sobretudo para o doente”, conclui.