Clínicas

“A área da medicina dentária teve de se profissionalizar”

Clínica João Pedro Canta - Saúde Oral

Para João Pedro Canta “há duas velocidades” na gestão de uma clínica dentária. Uma é a “aposta na qualidade, um trajeto provavelmente mais arriscado, mas mais compensador”. A outra diz respeito a “arriscar puramente na parte comercial, como baixar os preços”. Na Clínica João Pedro Canta, na Moita, há quase 20 anos que se aposta num crescimento sustentado com qualidade.

O que é que os frutos vermelhos têm a ver com a medicina dentária? Aparentemente nada. No entanto, para o médico dentista João Pedro Canta estes frutos transformaram-se num projeto. É que, a par da Clínica João Pedro Canta, na Moita, o médico dentista que tem “um carinho muito especial pela agricultura” tem um projeto novo entre mãos: “a criação de estufas de frutos vermelhos”. Mas garante que o “foco principal é a medicina dentária”. E já o é há 20 anos, desde que se licenciou em 1997.

João Pedro Canta frequentou o ensino superior no Porto, mas assim que terminou o curso regressou às origens, no Montijo, e acabou por abrir, em 1999, uma clínica numa localidade ‘vizinha’. “Iniciámos este projeto na Moita quando encontrei um espaço que achei adequado, mas em 2005 fizemos o upgrade para este onde estamos atualmente”, conta o médico dentista.

Isto porque no espaço anterior havia apenas “um gabinete pequeno e a equipa foi crescendo. Comecei, inicialmente, por trabalhar sozinho, mas passados alguns anos já éramos três ou quatro colegas a trabalhar”, salienta João Pedro Canta, reforçando que “um gabinete começava a ser pouco para a procura que tínhamos”. A resolução de mudar para um espaço maior foi o modo encontrado para “podermos adequar a resposta à procura que existia”.

Clínica João Pedro Canta - consultório - Saúde Oral

No final da década de 90, os tempos eram bastante diferentes dos atuais. “Naquela altura abríamos a porta e começavam a entrar pacientes” daí que, nessa época, a dificuldade em abrir a clínica foi mesmo ao nível do investimento. “Tive a sorte de ter o apoio de dois grandes amigos dos meus pais”, revela o diretor-clínico.

Clínica de referência

Ao fim de todos estes anos, o balanço é “muito positivo”. A nível empresarial “temos vindo a crescer”, mas do ponto de vista técnico também tem sido uma aposta ganha: “naturalmente procurámos apostar em colegas com grande diferenciação e hoje temos uma equipa multidisciplinar”. Por outras palavras, “os colegas são especialistas nas áreas onde atuam e o objetivo sempre foi e continua a ser ter o melhor em cada área”, sublinha João Pedro Canta. “Posso dizer com orgulho e alguma vaidade que nos posicionamos no topo: somos uma clínica de referência na medicina dentária, apesar de estarmos na Moita”.

Presentemente, a clínica possui todas as valências da medicina dentária, nomeadamente odontopediatria, implantologia, ortodontia, endodontia, periodontologia e até “um fisioterapeuta especializado na articulação temporo-mandibular (ATM)”. A equipa é constituída por 12 clínicos.

João Pedro Canta dedica-se “à área da implantologia e da cirurgia oral”. Optar por estas áreas foi “uma seleção natural pois foram campos onde cada vez tinha mais interesse”. Em consequência foi apostando na formação contínua, designadamente em Nova Iorque e São Paulo. O médico dentista colabora ainda, há sete anos, com a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, como assistente-convidado da pós-graduação em implantologia.

Aposta na diferenciação

João Pedro Canta acredita que, na Medicina Dentária, “o caminho passa pela especialização”. Neste sentido explica que, na altura em que abriu a clínica, “a nossa formação base permitia-nos terminar a licenciatura e abrir um consultório”. Porém, quando começou a trabalhar teve a oportunidade de o fazer “numa clínica de referência em Portugal e aí faziam-se tratamentos de vanguarda em implantologia e já se começavam a estabelecer especialistas nas diferentes áreas”. Esta circunstância acabou por ser “uma grande educação neste sentido. Foi a partir daqui que fiquei desperto para as diferentes áreas e para a importância da aposta na diferenciação”.

Mas nos tempos atuais, como salvaguarda, “com a redução da formação pré-graduada de seis para cinco anos, notamos que os colegas saem com uma formação mais deficitária”. Para o médico dentista, esta situação “é quase intencional para obrigar as pessoas a fazer uma pós-graduação, sendo que quem aposta numa pós-graduação tem quase à partida uma garantia do mercado de trabalho e quem sai beneficiado é o consumidor”.

Duas velocidades

João Pedro Canta também acredita ser vantajoso para o consumidor existir alguma oferta excessiva. “Acho que faz bem ao mercado haver um de excesso de oferta porque obriga as pessoas a terem de se especializar e a melhorar o seu serviço e o consumidor acaba por sair beneficiado”, explica. O diretor-clínico ressalva, no entanto, que “há duas velocidades na nossa área”. Uma delas é a “aposta na qualidade, que é um trajeto provavelmente mais arriscado, mas também mais compensador”. A outra diz respeito a “arriscar puramente na parte comercial, como baixar os preços”. Na opinião do médico dentista, esta é uma estratégia “mais fácil, mas não será tão compensadora do ponto de vista empresarial e técnico”. Daí que, como empresário, um dos seus grandes desafios passa por fazer crescer o negócio, mas falamos de “um crescimento sustentado com qualidade, enraizado numa equipa bem formada”, garante o médico dentista.

Clínica João Pedro Canta  - consultório - Saúde Oral

Centralizar atividades

Foi também da perspetiva, sobretudo, de empresário que teve de lidar com um grande desafio na clínica: a crise económica e financeira. “Vínhamos de um crescendo muito grande até 2010 e depois começámos a ter uma inflexão na faturação”. Em consequência “tivemos de passar a dar mais atenção às questões relacionadas com a gestão”. Deste modo, “a área da medicina dentária teve de se profissionalizar e tivemos de adquirir ferramentas de gestão que não estávamos habituados, nomeadamente apostar mais na vertente comercial e de marketing”, sublinha.

Quanto ao futuro, “a minha vontade é continuar a crescer neste local, dado que temos boas condições e até uma vista excecional”, refere João Pedro Canta, explicando que “o centralizar as atividades num sítio é bom, uma vez que permite otimizar recursos e concentrar toda a equipa num espaço”. E, por isso, “abrir outra clínica não está nos meus horizontes”.